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4769 Words
— O que foi? — A campainha ta tocando. — respondeu se levantando. — Quem será a essa hora? — ele apenas arqueou os ombros demonstrando que não sabia, em seguida destrancou a porta e abriu. — Fala ai cara. — era o Davi. — Davi? — Eduardo levou um segundo para reconhece-lo. — Infelizmente. — em seguida Davi já foi entrando. — opa! Cheguei na melhor hora. — A Milena cozinhou. — Sério? E isso ta bom? — Davi perguntou em dúvida, lhe olhei entediada. — Ninguém ta te obrigando a comer. — falei de m*l humor. — E olha ela! Só porque ta no meu corpo já está se sentindo a dona da parada toda. — Davi foi até a cozinha e voltou com um prato e garfo. — vou tratar logo de devorar a boia aqui porque lá na casa dessa magrela só tem mato. — Sério? — Eduardo voltou para mesa. — Não to falando. — Davi confirmou. — a mãe dessa garota é louca, vive controlando o que eu como. — Ela só quer o melhor para minha saúde. — tentei justifica-la. — Não diga? — Davi fez careta, em seguida encheu um garfo de comida e enfiou tudo na boca. — Isso ta bom. — falou de boca cheia, aquilo era nojento, perdi até a fome. — tem certeza que foi ela que fez? — Eduardo caiu na risada, me senti um pouco irritada com isso — Você é um i****a Davi. — falei e me levantei no mesmo instante. — Ficou chateadinha é? — ele perguntou, ignorei e segui para o quarto. — Não vai terminar de comer? — essa voz era do Eduardo. — Perdi a fome. — gritei. — Muito fresca. — ainda pude ouvir Davi dizer ante que eu fechasse a porta do quarto. Me sentei na cama, encostei as costas na cabeceira e dobrei os joelhos, peguei o celular, abri no w*****d e continuei a leitura de um livro que eu havia começado, algum tempo depois a porta do quarto abriu e Davi apareceu pela mesma. — E ai? Como foi lá com a vidente? — Foi ridículo. — respondi e ele terminou de entrar, enquanto ele vinha até a cama eu pude reparar um pouco em como estava meu corpo, apesar das roupas mais largas eu pude perceber que meu copo estava um pouco mais gordo, já meus cabelos estavam desidratados e quebradiços. — o que você ainda fazendo com meu corpo? — O que? — Você precisa hidratar os cabelos toda semana e tem que parar urgente de comer porcarias. — Nem vem, eu não vou ficar de dieta não e esse negócio do cabelo eu nem sei como fazer. — Vou pedir as meninas que te ajudem.— decidi por fim, não adiantaria mesmo eu explicar para ele, no final Davi faria alguma coisa errada e acabaria ficando careca.— suas unhas também estão medonhas.— só entao eu reparei nelas.— pelo menos me diga que está se depilando direito.— falei quase em tom de suplica, Davi riu e eu fiquei com medo do que viria, ele ergueu o barco, afastou a blusa e deixou a mostra sua axila cheia de cabelo, a lasanha então voltou na minha garganta.— meu deus do céu.— levei as mãos na cabeça.— vou mandar mensagem para a Alinne agora mesmo.— avisei, em seguida peguei o celular e escrevi a mensagem quase desesperadamente. — Vocês mulheres são cheias de mimimi. — Isso se chama higiene. — corrigi, no mesmo instante o celular apitou, era mensagem da Alinne confirmando que levaria o Davi no spa na sexta, nem que fosse a força. — Mas conta ai. — Davi mudou de assunto. — o que a vidente falou? — lhe relatei cada 'palavra que a mulher disse, no final ele parecia tão irritado quanto eu fiquei. — essa mulher é louca, ela deve nem ter acreditado e só disse isso para arrancar mais dinheiro de você. — Foi exatamente isso que pensei. — Eu sou um gênio pode admitir. — Não, você não é não. — falei séria. Davi foi embora pouco tempo depois, resolvi tomar um outro banho e quando sai Eduardo estava largado no sofá assistindo um filme. — Cara, o Davi está uma piada. — ele disse assim que percebeu minha presença. — ta parecendo uma daquelas feminazis loucas. — Seu amigo é louco. — O que ele achou da opinião da vidente? — O mesmo que eu, absurda. — respondi. — E agora? O que vocês pretendem fazer? — ele perguntou se ajeitando no sofá. — Sinceramente eu não sei. — me sentei ao lado de Eduardo. — o mais chato nisso tudo é ter que ficar longe dos meus pais. — me senti extremamente triste. — eu sinto tanta falta deles. — Fica assim não. — Eduardo tocou meu ombro. — precisamos de algo para animar. — O que você propõe dessa vez? — Eu não te contei? O Yuri ta planejando uma social no sábado. — me lembrei de ter visto uma mensagem assim no w******p, mas como eu andava ignorando todos os amigos e garotas do Davi eu nem tinha dado bola. — Não quero entrar nessa de novo. — falei. — eu odeio esse tipo de festa e não aguento mais ficar me fingindo de Davi. — E vai ficar presa em casa até quando? — eu não sabia o que dizer então fiquei calada. — vai ser divertido e agora que eu sei da verdade posso te dar um apoio, você também pode char o Davi e suas amigas, assim vai ter mais pessoas conhecidas ainda. — Talvez não seja uma ideia tão r**m assim.— admiti pensativa, eu realmente precisava mudar um pouco os ares. — Isso quer dizer que você vai? — Quer dizer que eu vou pensar com carinho. — respondi rindo, terminei de assistir ao filme com o Eduardo e só então fui dormir, peguei no sono bem rápido, acho que era o cansaço falando mais alto Dia 13 — por Davi. Minha preguiça naquela quinta-feira era tanta que eu só queria sair dessa maldita faculdade e ir direto para casa. — Que tal almoçarmos? — Alinne propôs, a última aula do dia tinha terminado e estávamos saindo do campus. — Por mim tudo bem. — Sara concordou. — Já eu, só quero ir para casa e dormir o resto do dia. — falei sem ânimo. — Para de ser chato Davi, é só um almoço, depois você vai para casa. — Alinne me deu um empurrão de leve. — Vão pagar meu rango? — É sério isso? — Alinne riu. — a Milena tem uma p**a mesada e você ta mendigando um prato de comida? — Isso chama-se economia. — falei. — Ninguém merece. — Sara revirou os olhos. — Eu pago o almoço. — Alinne concordou. — Serio Alinne? — Sara perguntou sem acreditar. — Agora sim você falou minha língua. — passei o braço pelo ombro de Alinne. — bora almoçar que eu to morto de fosse. — Não parecia até dois minutos atrás. — Sara observou enquanto nos aproximávamos do carro de Alinne. — Boia grátis sempre abre meu apetite. — Você é muito cara de p*u! — ela falou balançando a cabeça negativamente. Eu não conhecia o restaurante em que fomos, o mesmo tinha cara de ser bem caro, não gostava de frequentar esse tipo de lugar mas as meninas por sua vez pareciam adorar. Assim que chegamos o moço da recepção nos levou até uma mesa, em seguida veio o garçom e pegou nossos pedidos. Enquanto os pratos não ficavam prontos as meninas não calaram a boca um só instante, nunca vi como essas duas podem ter tanto assunto assim, essas só se calaram quando finalmente os pratos chegaram. O almoço até que estava bom, mas nada parecido com a comida de um restaurante esperto que eu costumava frequentar. — Então? O que vamos fazer esse fim de semana? — Alinne perguntou com sua animação de sempre. — To sem nada programado. — Sara respondeu. — mas quero pensar em algo que possa fazer com o Claudio. — É o amor! — Alinne cantarolou e eu quase cai na risada. — Não é nada disso. — Sara ficou envergonhada. — só estamos tentando nos conhecer melhor. — Sei. — eu e Alinne falamos ao mesmo tempo. — Bom, tem a festa do Yuri. — eu disse. — ele me mandou mensagem esses dias me convidando, não sei como ele conseguiu o número da Milena mais tá valendo. — Quem é Yuri? — Alinne questionou, só então me lembrei que elas não o conheciam. — É um amigo meu, da época que eu ainda era homem. — expliquei. — se vocês quiserem ir, ele me deu passe livre para levar amigas. — Será que a Milena também vai? — Sara perguntou. — Nem sei. — respondi arqueando os ombros. — esqueci de perguntar para ela ontem. — Por mim eu to dentro. — como sempre Alinne concordou no mesmo instante, essa é das minhas. — Vou ver com o Claudio, se ele topar. — já Sara não era tão animada assim. Terminando o almoço as meninas pagaram a conta e saímos. — Antes que eu me esqueça. — Alinne disse enquanto caminhávamos para fora do restaurante. — amanhã vou passar sedo para te pegar. — ela realmente estava falando comigo? — não vamos a aula, vou te levar no SPA como a Milena me pediu. — E quem disse que eu vou? — A você vai sim. — Alinne disse seria. — você estava precisando urgentemente de uma geral, as pessoas já estão começando a reparar. — Tenho que concordar com a Alinne. — Sara apoiou a amiga. — você está h******l. — Vocês mulheres só pensam na aparência. — Vai me dizer que você ficaria com uma garota de sovaco cabeludo e cabelos desgrenhados? — Alinne me encarou fixamente esperando uma resposta. — Não, mas eu também não to procurando ninguém agora. — tentei me justificar, as duas me encararam entediadas, pelo jeito não tinha colado. — Te pego as nove e nem tente fugir. — Alinne encerrou aquele assunto enquanto caminhávamos até seu carro. — Aquele ali não é o pai da Milena? — Sara chamou nossa atenção, paramos, ela apontou em uma direção e seguimos com o olhar, realmente era Afonso, ele não estava sozinho, estava junto com uma mulher ruiva, poderia ser uma situação normal mas ele parecia muito à vontade, os dois desceram do carro dele e ao atravessar a rua Afonso pôs a mão nas costas da mulher, bem embaixo, próximo ao bumbum. — Quem é essa mulher? — Alinne perguntou. — Vocês não conhecem? — Nunca vi na vida. — Sara respondeu. — Então vamos descobrir quem é.— avistei Afonso entrar com a mulher no mesmo restaurante em que estávamos, comecei a caminhar de volta ao local. — O que você vai fazer Davi? — Alinne me acompanhou. — O necessário. — falei. — podem ir meninas, eu pego um taxi depois. — Podemos ficar. — Alinne disse. — Não, vocês vão. — insisti. — e não contem o que viram para a Milena. — Tudo bem. — sara concordou. — Você acha que ele está tendo um caso com essa mulher? — Alinne perguntou em dúvida. — sempre achei ele e a dona Elsa um casal tão fofo. — É o que quero saber também.— falei e voltei a caminhar, as meninas deram meia volta e seguiram para o carro de Alinne, enquanto eu entrava no restaurante eu fiquei pensando onde eu estava me metendo, eu podia simplesmente ignorar o que vi e seria tudo tão mais fácil, mas infelizmente eu não me ouvi e quando dei por mim já estava parado ao lado da mesa de Afonso, os dois conversavam animadamente e Afonso tocava a mão da mulher sobre a mesa, a mesma me viu primeiro, ficou mais branca que cal de parede, em seguida Afonso também notou minha presença, foi até hilário sua reação, ele soltou a mão da mulher e me encarou como se tivesse dado de cara com uma assombração. — Milena! — ele falou por fim. — o que você está fazendo aqui? — Acho que quem deveria fazer essa pergunta sou eu. — Eu posso explicar minha filha. — Afonso suava frio. — É exatamente o que estou esperando. — É melhor eu ir embora. — a mulher se levantou, pegou a bolsa rapidamente e saiu praticamente correndo do restaurante. — É melhor irmos a outro lugar. — em seguida foi a vez de Afonso se levantar, ele pegou sua maleta e seu celular sobre a mesa. — Tudo bem. — concordamos, em seguida saímos do restaurante, caminhamos em silêncio em direção ao carro de Afonso, logo depois ele dirigiu de volta para casa. — É melhor conversarmos no escritório. — Afonso disse assim que estacionou na garagem. — o Micael pode estar em casa e ouvir. — balancei a cabeça positivamente e o acompanhei até o escritório. — sobre o que você viu... — Antes que você comece a mentir. — o interrompi. — não adianta inventar histórias para me fazer acreditar que você não ta tendo um caso com aquela mulher porque não vai funcionar. — As coisas não são o que parece. — ele suspirou e abaixou os olhos. — meu casamento com sua mãe já não andava bem a muito tempo, nós só continuamos juntos por causa de você e do Micael, só que ai eu conheci a Cecilia, eu sei que parece errado e é errado, mas eu me senti vivo de novo, eu me apaixonei outra vez. — fiquei sem saber o que dizer, Afonso parecia sincero. — Elsa... quer dizer, a minha mãe sabe? — Ela desconfia mas eu ainda não tive coragem de contar. — Então está na hora. — falei. — mesmo que você não a ame mais, ainda sim você deve respeito a ela. — Afonso concordou com um balançar positivo a cabeça, me virei para sair dali, eu estava com a cabeça cheia e aquele não era assunto para mim, isso era coisa de família e mesmo eu estado no corpo da Milena, eu não era ela. — Milena. — ele me chamou de volta, parei e me virei em sua direção. — será que algum dia você ira me perdoar? — Eu não estou com raiva. — falei e sai. Pela primeira vez na vida eu me senti perdido, eu não sabia o que fazer mas também não queria ficar nessa casa, esse não era meu lugar, não era minha família, minha cabeça começou a girar como se eu fosse surtar a qualquer instante. Resolvi sair dali o mais rápido possível, caminhei até um ponto de ônibus, fiquei esperando até parecer algum, não me importei para onde ele iria, minha única vontade era correr para o mais longe possível. Terminei em um parque por onde eu já tinha passado algumas vezes, me sentei em um dos bancos vazios, tombei a cabeça para trás, fechei os olhos e respirei fundo. Na minha cabeça começou a se passar um filme, um filme da cada coisa que já fiz em minha vida, cada noite louca, cada decisão impensada e todas as pessoas me magoei nesse processo, minha mãe, as vezes que ela chorava de preocupação comigo, as brigas constantes com meu pai, que sempre fez questão de jogar na minha cara meus defeitos, sempre fez questão de exaltar as diferenças entre eu e meu irmão, o exemplo de filho. Até onde isso iria? Até quando minha vida seria assim? Abri os olhos e avistei de longe alguém conhecida, era a Ingrid, provavelmente estava saindo do serviço, ela trabalhava em uma lanchonete aqui perto, não imaginava que era tão tarde assim, como o dia ainda estava claro percebi que ela devia ter saído mais cedo do serviço. Por um instante senti saudades de conversar com ela, Ingrid era a única como eu já havia me aberto, a única que de um jeito torto me conhecia de verdade. Senti uma vontade enorme de falar com ela, então antes que perdesse a coragem eu me levantei e corri ao seu encontro. — Ingrid. — chamei, ela pareceu não me ouvir. — Ingrid. — falei mais alto, só então ele parou e se virou para trás. — oi! — Oi! — ela sorriu meio sem jeito. — eu te conheço? — só então me dei conta da m***a que eu estava fazendo, é claro que ela não me conheceria nesse corpo e eu também não podia falar a verdade. — Na verdade você não me conhece, mas eu te conheço. — expliquei, ela pareceu mais confusa ainda. — sou prima do Davi. — ela fez cara de quem acabara de lembrar de algo. — Você é a garota que foi na festa do Yuri com o Davi. — Sou eu sim. — Qual é mesmo seu nome? — Milena. — respondi e ficamos em silêncio. — Olha se você está querendo saber dele procurou a pessoa errada, tem muito tempo que eu não falo com o Davi, desde aquela festa na verdade. — ela disse. — Na verdade eu não queria perguntar dele não, eu estava passando, te vi e pensei em conversarmos um pouco. — expliquei. — Conversarmos? — ela repetiu. — eu não sei... eu estou sem tempo. — Prometo que vai ser rápido. — insisti. — Tudo bem. — Ingrid concordou por fim. — podemos ir até o café da esquina se você preferir. — Acho ótimo. — seguimos para o tal café, nós dois já tínhamos vindo algumas vezes aqui, da última tivemos uma briga f**a, desde aquele dia nos afastamos de vez. Ao chegar no local escolhemos uma mesa afastada, fizemos nossos pedidos e aguardamos. — E então? O que você queria conversar? — e agora o que eu iria dizer. — Eu queria saber um pouco mais sobe você, o Davi já me falou tanta coisa, queria saber se é mesmo verdade. — inventei a primeira desculpa que me veio na cabeça. — O Davi falou de mim? — ela pareceu desconfiada. — não deve ter sido coisas boas. — um sorriso triste surgiu em seu rosto. — Porque não seria? — O Davi me odeia. — respondeu. — Eu não te odeio. — falei sem pensar. — quer dizer, ele não te odeia. — corri ao ver uma expressão de dúvida surgir em seu rosto. — o Davi só não sabe lidar com os sentimentos dele. — Eu também pensava isso no começo, mais sei lá... acho que eu só estava me enganando. — E vai desistir dele? — perguntei com um pouco de receio. — Desistir do que? Se eu nunca o tive. — ao ouvi-la, ao sentir a mágoa em sua voz eu percebi o quão e******o eu fui, Eduardo estava certo, Ingrid era uma garota incrível e eu só perceberia isso quando a perdesse. Nesse instante o garçom veio trazer nossos cafés, eu já não estava mais com um pingo de vontade, tinha tanta coisa que eu gostaria de falar a ela e não podia. — Acho que você não deveria desistir dele. — falei. — o Davi gosta mesmo de você, por mais torto que seja seu jeito de agir eu garanto que ele gosta de você. — Como você pode garantir isso? — Eu conheço o Davi muito bem, ele não sabe demonstrar os sentimentos, mas isso não quer dizer que ele não sinta nada. — eu disse. — Davi só tem medo. — Eu não sei...— Ingrid falou pensativa, no mesmo instante seu celular tocou, ela deu uma boa olhada no visor e em seguida falou. — tenho que ir. — Aconteceu algo? — fiquei preocupado. — Não, ta tudo bem. — garantiu com um leve sorriso enquanto tirava o dinheiro do café da bolsa. — foi bom te conhecer mas tenho mesmo que ir. — Tudo bem, só pensa no que eu te falei. — Eu vou pensar. — ela concordou e saiu em seguida, terminei de tomar meu café, conversar com a Ingrid, mesmo sem ela saber que era eu, me fez bem, saber o que ela sente, o que ela pensa me deu uma nova visão de tudo, agora eu só gostaria de voltar ao meu corpo e provar a ela que eu posso ser diferente. Na sexta-feira acordei com o celular despertando e minha cabeça latejando, tinha voltado tarde para casa, pois depois do meu encontro com a Ingrid eu ainda fiquei um bom tempo vagando sem rumo, também demorei a pegar no sono, quando finalmente consegui já era madrugada. Resolvi ignorar a hora e voltar a dormir, eu não estava com cabeça nenhuma para aguentar as aulas chatas da Milena. — Acorda logo Davi! —acordei assustado ao sentir alguém me empurrar e dizer meu nome, por um instante achei que tudo tinha voltado do normal, mas ao abrir os olhos percebi que era só a Alinne. — Que p***a você tá fazendo aqui? — gritei irritado. — Você esqueceu que hoje vamos ao SPA? — Pensei que tivesse sido só um pesadelo. — falei voltando a fechar os olhos para dormir. — Se você não levantar agora juro que te jogo um balde de água fria. —a desgraçada puxou minha coberta e o ventinho frio fez meus cabelos se arrepiarem. — Deixa eu dormir. —quase choraminguei. — Para de ser preguiçoso. —Alinne voltou a me cutucar, resolvi ignora-la para ver se ela desistia. —eu não vou parar até você acordar. —falou como se lê-se meu pensamento. — Tudo bem! —me levantei de uma só vez. —eu desisto, você venceu. —eu estava muito irritado, segui para o banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes, dei uma mijada e depois voltei para o quarto afim de me trocar. — Já está pronto? —Alinne estava jogada na cama mexendo no celular. — Posso pelo menos tomar um café primeiro? —perguntei ainda de m*l humor. — Acordou com o pé esquerdo foi? — Na verdade eu fui acordado contra minha vontade. —respondi e sai do quarto, Alinne veio atrás de mim, fomos até a cozinha, já fui logo procurando algo para comer, depois me sentei na mesa ali mesmo. — Então... —Alinne começou meio sem jeito. —sobre o que aconteceu ontem... — Melhor não falarmos sobre isso aqui. —a interrompi. — Mas eles estavam mesmo juntos? —ela insistiu em perguntar, apenas balancei a cabeça positivamente enquanto mordia um pedaço do meu pão com manteiga. —você vai contar para a Milena? — inqueriu, essa eu não respondi. — se você não contar eu conto. — Eu vou contar. —falei no mesmo instante. — Talvez fosse melhor eu contar, somos amigas a tanto tempo. — Eu quero conversar com ela. — insisti sério. — Tudo bem. —Alinne concordou e o assunto morreu ali. Algum tempo depois estávamos chegando ao tal SPA, eu achava aquilo uma perda de tempo mas pelo jeito não teria outra escolha. Fomos recepcionados por uma mulher de meia idade, muito gata devo admitir, ela nos guiou primeiramente até um local onde deixamos nossas roupas e vestimos um robe, logo em seguida seguimos para a sala de depilação. — Não me obrigue a fazer isso. —faltou pouco eu choramingar enquanto uma outra mulher me guiava até a mesa. — Boa sorte! —Alinne falou apenas mexendo os lábios, ela até tentava esconder o sorriso mas no fundo estava se divertindo horrores. Literalmente arrancaram meu coro com aquela depilação, a cada vez que a mulher puxava aquela cola eu sentia um pedaço da minha pele indo junto, a tortura foi tamanha, todo meu corpo foi depilado, minhas pernas, sovaco, minhas partes íntimas e até o bigode que esse maldito corpo não tem, quando me levantei daquela mesa meu corpo inteiro estava vermelho e ardendo. — Eu vou m***r você e a Milena. —falei entredentes ao passar por Alinne. — Calma que o dia m*l começou. —ela caiu na risada. Dali seguimos para a hidroterapia, que nada mais era que ficar de boa numa piscina cheia de flores, aquilo sim era bom, cheguei até a cochilar. Depois veio a massagem, em seguida uma pausa para o almoço e pôr fim a tortura recomeçou, fizeram limpeza de pele em mim, arrancaram minhas sobrancelhas e eu passei o tempo todo reclamando com a especialista que ela iria acabar furando meu olho com aquela pinça. — Me diga que acabou? —já era tarde e eu estava cansada de ficar preso naquele lugar sendo apertado, furado e puxado. — Lógico que não. —respondeu óbvia. —agora vamos ao salão, arrumar os cabelos e unhas. —explicou. —minha parte favorita. — Já vi que vou detestar isso. —falei sem ânimo nenhum. Com aquela de arrumar cabelo e unha ainda permanecemos mais duas horas naquele lugar, a essa altura minha cabeça faltava pouco explodir e a noite já caia lá fora. — O dia foi incrível não é? —Alinne ainda teve a cara p*u de perguntar enquanto saíamos do SPA no seu carro. — Se vocês me obrigarem a isso de novo eu juro que me jogo de uma ponte. —falei sério, Alinne achou graça e começou a rir. — Tem homem que gosta. — Esse tipo pra mim não é homem. — Que machista! — Pode me chamar do que for, a questão é nunca mais na minha vida eu faço uma depilação. —insisti. — É para você ver como nós mulheres sofremos. — Alinne disse. — Eu não to mandando vocês fazerem isso. — Mas se não fazemos vocês homens nem olham para nossa cara. — ela retrucou. — Isso não é verdade. —ela me olhou de canto, parei um pouco para pensar. —talvez seja um pouco verdade. —admiti por ffim Alinne me deixou em frente à casa de Milena alguns minutos depois, assim que entrei ouvi uma discussão alta vindo do escritório, pelas vozes percebi que era Afonso e Elsa, em seguida também avistei Micael sentado em um dos últimos degraus da escada, o menino apesar de ter o celular nas mãos mantinha um olhar distante e pensativo. — Eu não acredito que você fez isso comigo, depois de tantos anos. —foi uma das poucas frases que consegui distinguir em meio a tantas, ali eu já entendi completamente do que aquela briga se tratava e sabia também não teria um final alegre. — E aí moleque? Tudo bem. —fui até onde Micael estava e me sentei ao seu lado. — Eles estão brigando a horas. —falou. —acha que vão se separar? — Isso só os dois podem dizer. —respondi. —que tal jogarmos um pouco de videogame para distrair? — Não to afim. — Você não tá afim ou tá com medo de levar uma surra? —provoquei-o. — Eu? Levar uma surra de você? —Micael riu. —vai sonhando. Em seguida eu e Micael fomos para o quarto do menino, eu pouco tempo eu consegui distrai-lo de toda a confusão que estava rolando naquela casa. Acabei perdendo algumas partidas, minha cabeça estava longe, como eu poderia contar para Milena sobre a traição de seu pai sem magoa-la? — Eu não falei que você não seria capaz de me dar uma surra? —mais uma partida tinha terminado e eu nem tinha notado. — Você jogou bem. —falei. — Obrigado. — Micael disse do nada. — obrigado por tentar me distrair. — E tá ficando sentimental? —perguntei só para lhe provocar. — Vai se ferrar! — Vem aqui logo. — o puxei para um abraço, o menino tentou se soltar no começo mas no final cedeu. —vai dar tudo certo. — falei e por fim o soltei. — que tal mais uma partida? — Eu topo. — voltamos ao jogo e ficamos um bom tempo ali, só paramos para fazer um lanche, achei estranho a casa estar silenciosa, deixei Micael na cozinha e fui ver se estava tudo bem, encontrei Elsa chorando no quarto, até pensei em falar com ela mas acabei desistindo, ela precisava de um momento sozinha, já Afonso não estava em casa, talvez também precisava de espaço. Só espero que independente do que os dois decidam para o futuro, ninguém saia machucado.
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