Cap 01
“Um homem que não se dedica à família nunca será um homem de verdade."
Nikolai Romanov, mais conhecido como demônio vermelho, é o líder principal da máfia russa, conhecida como Bratva, popularmente chamada “A irmandade”.
A organização criminosa Russa, se assemelha a Cosa Nostra na Itália, em muitos aspectos. A sua organização e a estrutura dos grupos seguem um modelo semelhante. General, comandantes e soldados. Os dois grupos também compartilham um portfólio parecido de atividades criminosas. A máfia russa, entretanto, difere da italiana, devido ao seu ambiente. O Pakhan, como é conhecido o líder da Bratva, vinha de uma extensa linhagem de descendentes que fizeram o seu nome dentro da máfia e ganharam o seu respeito. O seu avô, Vladimir Romanov, foi o antigo líder e não passou o mandato para seu filho único, Dmitry Romanov, devido a conflitos internos, escolhendo treinar o neto para assumir o seu posto. Nikolai foi treinado desde os cinco anos e hoje aos trinta e dois anos, já respondia pelo império russo há mais de dois anos. O jovem loiro de olhos azuis, ostentava uma beleza única. A altura, o porte físico e atlético, lhe conferiam ainda mais imponência e temor.
Era conhecido como um líder frio, desumano e impiedoso. Um homem desalmado que explorava os limites das pessoas à sua volta de tal forma, que todas as vezes que o olhavam, a única coisa que viam nos seus olhos eram seus maiores medos. Todos que se aproximavam do líder buscavam cair em suas graças, e isso o deixava extremamente irritado.
Dentro da Bratva, existia um código não escrito, porém sagrado, que era usado pelos líderes e os seus descendentes.
Dmitry Romanov não quis assumir o posto que era seu por direito. Entretanto, o conselho sabia a verdade. O prodígio e herdeiro da máfia, decidiu não assumir o seu legado, pois sempre foi apaixonado pela herdeira da máfia italiana na época, Serena Giardino, e nunca desejou assumir o lugar do seu pai. Conflitos foram gerados entre pai e filho, mas o conselho interviu e deixou claro para Vladimir Romanov, que a aliança entre as máfias seria lucrativa e benéfica para ambos. A união entre os herdeiros, criou uma aliança vitalícia entre as duas principais máfias mais poderosas e perigosas do mundo. Mas, Vladimir Romanov, precisava preparar o seu sucessor. Foi quando o primeiro neto nasceu. Vladimir viu no neto, uma força que ele não havia enxergado no filho, e por isso, resolveu treiná-lo.
Nikolai Romanov, estava cansado de ter que lidar com pessoas fracas que o temiam. Ansiava ser desafiado, apenas para ter o prazer de enfrentar algo novo. Mesmo sabendo que o destino de todos os que o enfrentam é o mesmo: A morte!
Cruel, dolorosa e impiedosa.
Nem mesmo os seus pais ousavam desafiá-lo. Até mesmo os seus homens de confiança, o respeitavam e o tratavam como líder, mesmo tendo crescido juntos e sendo como irmãos.
Por baixo de sua carcaça imponente, o líder da Bratva invejara, como nunca, o amor de seus pais e, mais vezes do que gostaria, sentira esse desejo corroer as suas entranhas. Para Nikolai, o amor sempre fora a maior das fraquezas do mundo mortal. Como pudera um sentimento tão insignificante se comparado aos pecados da carne ser capaz de reduzir às cinzas o mais tirano dos homens? Ele se recusara a calejar, nem mesmo em pensamento, a uma tolice daquelas.
Mas esta era a grande sina e ironia do seu destino: tinha todos a seus pés e o poder de mil exércitos nas suas mãos, mas sentira-se mais vazio do que os cartuchos que caiam no chão a cada um dos seus violentos disparos. Do que aqueles corpos abatidos pela pólvora, mergulhados numa escuridão sem fim. Pudera alguém como ele desejar que o apunhalem de bom grado no único órgão que desconhece a razão? Pudera ele escapar da maior das penitências de uma vida desgarrada de princípios? Nikolai Romanov não era homem de temer coisa alguma, mas o amor o assombrava — e, sorrateiramente, o atraía — como a mais cética das criaturas deslumbrada com o sobrenatural.