Kayra Arslan Eu me sento em uma das maiores pedras do jardim, sentindo o frio cortante da noite bater contra a minha pele. A brisa traz consigo o cheiro da grama molhada e o aroma distante de flores noturnas, mas nada disso importa. Minhas mãos descansam no colo, mas o corpo todo ainda vibra de raiva, chateação e decepção. Faruk. Eu ainda consigo sentir seu olhar, como se estivesse me julgando, me encarando como se eu fosse uma louca. Como se tudo que eu sentia, cada suspeita, cada instinto, não tivesse validade. Mas eu sabia. Sempre soube. Desde a primeira vez que entrei no quarto da mãe dele, algo me disse que tinha coisa errada. Senti isso no ar, na forma como tudo era controlado, na rigidez de Samia, na autonomia completa que ela tinha sobre a mãe de Faruk. Eu percebi, mesmo quan

