O IMPÉRIO DO MEDO O despertador do meu celular tava no silencioso, mas quem me acorda não é tecnologia de o****o, é o peso do poder que faz a minha mente trabalhar em outra frequência. Eu abro o olho antes do sol pensar em apontar no horizonte, porque quem dorme muito no Turano acorda com a boca cheia de formiga. O rádio chiando na cintura dos vapores lá embaixo, o barulho do primeiro foguete anunciando que a mercadoria chegou e o som da favela despertando na atividade já são a minha trilha sonora oficial. Rolei pro lado e a Samira ainda tava lá, apagada, envolta naquele lençol de mil fios que ainda cheirava ao suor da nossa guerra de ontem à noite. Eu não dou beijo de bom dia, não sou moleque de condomínio pra ficar perdendo tempo com carinho de novela e juras de amor. Minha vida é feita

