Virei o rosto para a janela, observando o contraste do verde profundo da mata do morro dando lugar ao cinza monótono e opressor do asfalto da cidade. O silêncio dentro da Land Rover era uma corda de piano esticada ao limite, prestes a arrebentar e chicotear a cara de quem estivesse por perto. Eu sentia os olhos dele. Mesmo quando ele focava na via, o reflexo no retrovisor era como um imã de alta voltagem, puxando a minha atenção para aquele brilho metálico, gélido e perturbador. O jeito que ele manobrava o blindado pelas curvas fechadas da comunidade, com uma mão só no volante e a outra relaxada perto da marcha braço musculoso, veias saltadas sob a pele exalava uma confiança que me desarmava de um jeito que eu odiava. Era uma energia bruta, silenciosa, muito diferente da agressividade ba

