O PREDADOR NA CONTENÇÃO Acordei com a claridade agressiva invadindo o quarto, cortando as frestas da cortina de veludo, e o lado direito da cama vazio, apenas com o rastro do calor que o Augusto deixou antes de sair. O lençol de seda tava todo revirado, um campo de batalha que denunciava a possessão da noite passada. O Augusto já devia estar lá embaixo, no miolo do morro, resolvendo as pendências que o poder exige de quem senta no trono: vida, morte e contagem de malote. Levantei sentindo o peso do meu corpo, um cansaço que parecia vir dos ossos, uma exaustão que nem o banho mais demorado e caro parecia querer levar embora. Me arrumei com a calma de quem prepara uma armadura. Cada peça de roupa era uma camada de proteção contra o mundo que me cercava. Escolhi um conjunto de linho fino, t

