CAPÍTULO 105 VALÉRIA NARRANDO A noite já tinha tomado conta da quebrada quando encostei a moto em frente de casa. O ronco do motor calou assim que girei a chave, e por um instante fiquei parada ali, só sentindo o silêncio estranho depois de um dia inteiro de barulho. Tirei o capacete, soltei o cabelo e respirei fundo antes de entrar. Fechei a porta atrás de mim e subi direto pro quarto, sem vontade de ficar rodando pela casa. Joguei a bolsa em cima da cama e fui pro banheiro. Liguei a luz fraca, que deixou o azulejo brilhar, e encarei meu reflexo rápido no espelho — o rosto cansado, os olhos cheios de coisa que eu não sabia se queria esconder ou encarar. Girei o registro e logo a água quente começou a cair forte, enchendo o espaço de vapor. Tirei a roupa devagar, cada peça deslizando p

