Os dias começaram a seguir um ritmo diferente desde que Heitor abrira os olhos. O hospital, antes um cenário de dor e incerteza, agora parecia respirar junto com ele. Clara se tornara parte daquela rotina — tão presente quanto os monitores e os enfermeiros que passavam pelo quarto. As sessões de fisioterapia haviam sido iniciadas. Os primeiros movimentos eram lentos, hesitantes, como se o corpo dele precisasse reaprender o que já soubera um dia. Clara acompanhava cada exercício, atenta a cada detalhe, observando e aprendendo tudo o que podia. O fisioterapeuta, paciente, mostrava os passos e ela repetia, com uma dedicação silenciosa que tocava todos ao redor. Com o tempo, ela passou a ajudar de verdade. Era quem ajustava o posicionamento dos braços dele, quem controlava o ritmo dos exercí

