O dia estava ensolarado quando Heitor recebeu a alta. O hospital parecia menor agora, quase doméstico, e cada passo fora daqueles corredores cheios de aparelhos soava como uma pequena vitória. Clara estava ao lado dele, mochila nas costas, pronta para acompanhar os últimos minutos da internação e organizar os próximos dias de fisioterapia. — Está se sentindo pronto para isso? — perguntou, tentando soar casual, embora o coração acelerado traísse a ansiedade. — Sim… — respondeu ele. A voz era firme, mas havia uma hesitação que não conseguiu disfarçar. — Esse é o seu carro? Ele respirou fundo, observando o veículo parado diante do hospital. O pai de Clara havia mandado buscar o carro dela — aquele Fusca azul era uma conexão antiga e forte entre os dois — e o pai acreditava que isso poder

