Posso estar na igreja, mas eu não sou nenhum santo.
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Eu sinto uma mão bater no meu ombro e eu saio da onda que me atingiu por segundos.
Fico paradinho relembrando o que acabo de ver, primeiramente, mulheres como a que acabou de sair daqui é algo bom de se ver em um lugar como esse.
Os olhos escuros límpidos, nariz arrebitado e boca rosada, boca pequena e com um brilho quase natural, tirando o fato que ela era conservadora o bastante pra passar algo transparente e não algo mais forte. É uma coisa adorável. Assim que cheguei aqui diversas coisas se passaram pela minha cabeça, como não ver nenhuma mulher sem aquelas becas próprias de freiras, estamos em um convento, não espero nada além de freiras.
Era interessante saber que eu ficaria aqui pelos próximos tempos e poderia desfrutar de coisas bonitas como ela, mesmo que só ver.
Estou em um convento, olhar não faz m*l, achar algo bonito não faz m*l nenhum também, achar os s***s dela chamativos por debaixo da blusa... Esquece, vocês já entenderam.
Talvez ela seja religiosa ou casada.
Em ambos o caso tenho resposta.
A primeira, ela não usava aliança.
Segunda, se caras legais te levam para o céu, caras malvados trazem o céu.
Certamente ela não sabe disso.
Mas, eu sei disso.
Embora não serei eu a contar.
- Senhores, que bom que estão aqui - O homem de careca branca se aproxima, mas não me encara agora, mas sim o meu Guarda Costa. - Prazer, sou Ivan - O homem olha diretamente pra mim agora, solto um suspiro para volta a oxigenação. - Você deve ser Vicente Barrete, certo?
- De fato, mas me chame de Vini, prazer - Eu me aproximo da cadeira e a puxo, me sentando. - Então, quem era aquela moça? Pensei que aqui só teria freira.
Meu companheiro se senta ao meu lado, o homem da a volta e se senta, abrindo um sorriso e tirando o óculos.
- Aquela é Madeleine, uma das nossas meninas, ela também cuida da enfermaria, vai poder a conhecer depois, somos uma instituição com 37 moradores, o senhor sabe como a saúde deve ser bem revista - Concordo com um balançar de cabeça.
Interessante, ontem a noite senti uma dor de cabeça horrível, poderia ser algo sério, poderia pedir um analgésico.
Madeleine era um nome diferente, mas olha para mim, eu era diferente, estava em uma situação diferente e o meu nome não era tão normal.
- Você é o responsável por aqui? O ordenado? - Pergunto, ele balança a cabeça.
- Foi uma grande surpresa receber o senhor, não esperava por isso. Mas se isso for o manter seguro, prezando sua vida e ajudando em um bem maior seja bem-vindo. Aqui é um lugar de paz, tenho certeza que vai poder ter um pouco dela.
Abro um sorrisinho.
Se ele soubesse a paz que eu quero me mandaria embora, sem nem pensar muito.
Apenas iria me olhar e dizer que aquele lugar não era pra mim.
Desculpa Deus, sou um péssimo menino.
- Já passei alguns detalhes pra ele, ele está ciente que agora é um padre que precisa de um tempo para poder escrever algumas coisas, o ano sabático dele, não é? - Balanço a cabeça. A risada de Escobar surge ao meu lado, me viro pra ele, encarando ele.
- Está rindo? - Pergunto, incrédulo, me virando no mesmo tempo para o padre. - Quanto tempo pessoas debochadas tem no inferno padre?
O padre suspira, pegando um papel e deslizando na minha direção. Me inclino e olho o termo de proteção, o mesmo que eu vi no Distrito de Nova Iorque, dizendo sobre o termo que aceitei de colaboração, no pé da folha.
- Precisamos da colaboração, ninguém vai fazer m*l ao senhor, posso garantir, somos confiável Sr.Vini.
- Exatamente, isso vai ser rápido, tenho certeza também senhor. Eu só não esperava um lugar assim, nada contra, mas não passava na minha cabeça um convento, talvez a lua, mas não um convento.
- Por esse motivo escolhido, se alguém for atrás de você não vai pensar aqui, concorda?
Abro e fecho a boca. O padre estava certo. Se o coisa r**m fosse se esconder, ninguém encontraria no céu.
Faz sentindo.
- Pensando por esse lado. Escobar vai estar comigo, ele é ótimo em me proteger - Debocho. - Mais alguma coisa que eu preciso saber?
- O moral e o decoro diante nossa casa senhor, temos uma rotina, pode não a seguir, mas respeite ela, vou mandar ela para seus aposentos, tem que seguir como todos aqui. Pode vir de uma vida - O padre se embaraça por um segundo.
- Vida bagunçada? v***a? r**m? Promíscua? Imoral? O senhor leu meu histórico? - Desafio.
- Agitada.
- Tudo bem, entendi tudo. Vai ser complicado pra p***a isso, mas...
- Controle seus palavrões também, isso pode fazer duvidosa sua vocação.
- Claro, sou um padre agora - Suspiro e fico de pé. - Poderei sair além dos portões?
- Sim, mas não passe das dez, tudo bem? E muita cuidado na cidade - Fico perplexo.
- Vi que vocês não tem TV e certamente nem Internet ou outro meio de comunicado individual, o que posso fazer no tempo livre? Terei muito tempo livre.
- Bem, temos uma sala de lazer calma e tranquila, assim como uma biblioteca e o nosso jardim.
- Nem rádio? - Ele balança a cabeça. - Como irei ver a final do campeonato na semana que vem?
- Em menos de uma semana tentaram te matar, foi colocado em proteção à testemunha e você está preocupado com o campeonato?
- Claro, esperamos 12 anos pelo título, não queria perder isso, eles estão jogando muito bem, já tinha comprado os - Paro de falar, lembrando da compra dos bilhetes para ir com o filho da p**a bastardo. - Esquece.
Fico de pé, suspirando fundo e encarando a janela e o verde lá fora, Escobar e o padre ficam de pé.
- Se precisar de qualquer coisa falem comigo, mantenham a descrição e tudo ficará bem, temos pessoas de ouro aqui.
- Obrigado padre, vamos seguir tudo isso sem nenhum problema, não é Sr. Vini?
- Claro, vai ser como se eu não estivesse aqui - Balanço a cabeça descrente, desanimado e irritado, estabilidade some. - Posso ir para o quarto? Não estou muito bem.
Falo, caindo de novo, como eu fiz um dia depois de acordar do acidente, uma bebida podia ajudar.
Solto uma risada, lembrando de onde eu estou. Você está um convento, um bendito convento. A sensação que tenho é horrível.
Eu precisava disso.
Repitam comigo.
Você precisa disso.