Capítulo 15

1052 Words
Meu corpo ainda bate com a intensidade do nosso encontro, enquanto minha mente luta para assimilar o que aconteceu. Como isso poderia acontecer? Meu coração bate fugitivo, preso em um turbilhão de emoções conflitantes. Marcos, meu guarda-costas de confiança por tanto tempo, está agora na minha frente como meu noivo para o mundo inteiro. A verdade é que eu sempre soube que algo assim poderia acontecer quando nos casássemos. Mas eu nunca imaginei que sua boca iria encontrar uma maneira de silenciar meus pensamentos e me levar em um caminho de paixão desenfreada. Eu estava ciente de cada movimento, de cada carícia, como nós demos uns aos outros em um êxtase ardente que obscureceu toda a razão. A realidade da nossa situação me atinge com força. Marcos não era apenas meu guarda-costas, mas também meu confidente, meu apoio em tempos de dificuldade. E agora, de repente, é outra coisa. Ele é meu noivo, o homem com quem estou noiva pelo resto da minha vida, além disso, o único que conseguiu fazer amor comigo de uma maneira que ninguém jamais conseguiu antes. Embora minha mente ainda esteja lutando para entender tudo, meu corpo reconhece a conexão inegável que compartilhamos. A química entre nós é palpável, uma força que transcende as barreiras do tempo e do espaço. E embora possa haver dúvidas e medos, há também uma certeza indiscutível: o que compartilhamos é real e poderoso. — Pare de pensar tanto nisso, você gostou. — Solto, astuto. Olho para os olhos, para aquele orgulho que caracteriza seu caráter e que se esforça para aumentá-lo como se fosse um presente e não um defeito. Tiro meus olhos dele, procuro me entreter além de seus olhos. Lembro-me que saí sem um telefone e uma pergunta aparece em minha mente, que eu não tinha tempo para pensar antes. — Foi ciumento? — para de sorrir de repente, como se eu lhe tivesse dado um tapa com as minhas palavras. — Tu destruíste o meu telefone sabendo que eu estava a falando com o Theo, o que me lembra que me deve um. — Levanta uma das sobrancelhas. — Deixe seu pai comprar para você. — Samantha, eu quero que você entenda algo. — Se levanta, estava sentado no sofá branco. — Não tenho ciúmes, não sinto nada por você, é apenas uma boa f**a, mas isso não me deixa com ciúmes, exceto por alguém como o teu ex. — Eu engulo o nó que se forma na minha garganta. — Pensei... — O quê? — interrompe-me. — Porque é que tivemos uma confusão e agora sou o teu noivo penso de forma diferente de ti? — n**a. — Não, ainda acredito que é imaturo, quem leva tudo de ânimo leve, quem não tem sentimentos por ninguém, além de você. — Eu permaneço em silêncio, sentindo o desejo de chorar que eu tenho. — Teremos um casamento adorável, contanto que você siga minhas regras, caso contrário, será uma provação. — Eu aceno lentamente. Levanto-me em silêncio, sem dizer uma palavra ao Marcos. O que você poderia dizer a um homem como ele? Ele é um indivíduo desprezível e sem escrúpulos que se deleita em menosprezar e humilhar-me como quiser. Cada insulto que ele me lança é como uma adaga que perfura minha autoestima, mas eu me recuso a mostrar a profundidade da minha dor. Em vez disso, eu me refúgio na minha concha emocional, apertando ainda mais minhas defesas contra suas palavras venenosas. Caminhando com determinação, eu me afasto dele, sentindo sua presença, seguindo-me de perto. Cada passo que dou é uma pequena vitória, um ato de resistência silenciosa contra sua tirania verbal. Subo as escadas deliberadamente devagar, sem pressa, não permitindo que ele veja o impacto que suas palavras têm em mim. Eu venho até a porta do meu quarto, que eu uso cerca de três vezes, eu sempre fico na casa do meu pai e antes de entrar, sua mão segura meu braço. — O que planeja fazer? — Eu viro na direção dele. Seu gesto de zombaria desaparece, acho que meu rosto revela meus sentimentos. — Estar sozinha, sentado no chão, a pensar porque faço a minha vida tão miserável. — Eu sacudo-lhe o aperto. — Obrigado por aquela f**a maravilhosa, Marcos, eu só quero isso na minha vida, porque senão você, já estaria muito longe de mim, vivendo feliz em sua pessoa horrenda. — Permanece em silêncio e como ninguém diz mais nada, dou paz à minha mente. Eu fecho a porta do meu quarto atrás de mim, sentindo alívio momentâneo enquanto deixo para trás sua presença tóxica. Mas eu sei que não posso escapar de seus insultos e desprezo por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde, terei que enfrentá-lo novamente, encontrar uma maneira de me proteger sem sucumbir ao seu abuso emocional. Sento-me à beira da cama, deixando a calma do lugar envolver-me. Eu fecho meus olhos e respiro profundamente, tentando encontrar a força interior para resistir a seus ataques verbais. Não posso permitir que Mark me reduza a nada mais do que um objeto de seu desdém. (...) A escuridão da noite paira sobre mim, envolvendo-me em um manto de solidão e desespero. Eu não estive fora do meu quarto a tarde toda, nem mesmo para comer, preferindo evitar qualquer encontro com Marcos a todo custo. No entanto, eu não pude deixar de ouvir sua voz ecoando à distância, participando de conversas que eu não sei com quem. Talvez esteja a falar com a irmã, a gozar comigo em cumplicidade, ou a discutir questões relacionadas com a minha segurança, agora que já não é o meu guarda-costas. Ou talvez esteja a lidar com o meu pai, a tentar resolver os detalhes do nosso noivado. Mas seja qual for a natureza de suas conversas, uma coisa é clara: ele não parece se importar com o que acontece comigo. E talvez ele tenha razão. Afinal, eu sempre o tratei com desprezo e desdém, sem reconhecer o valor de seus esforços para me proteger, mesmo que ele fosse pago por isso. Eu não posso fingir que por uma bagunça, como ele disse, mudar tudo isso, que de repente tudo é rosado entre nós. E eu também não consigo imaginar um casamento baseado em repreensões constantes, atitudes estúpidas e maus-tratos disfarçados como um casamento perfeito.
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