Me sinto um pouco estranha em conhecer a família do Marcos, em sete anos ele cuida de mim e na primeira vez ele me conta sobre sua irmã e sobrinha, e não por prazer, mas por força. Às vezes tenho pena dele, e principalmente quando se trata de me proteger e aguentar meus caprichos, aí lembro que ele é um i****a com um ego tão grande e é isso que acontece comigo.
Fiquei confuso para saber porque ele não desistiu, ele sabia que tinha alguma coisa, não podia atrasar tanto, não por dinheiro, papai suspeitava que ele iria pedir demissão no dia seguinte e colocar uma cláusula muito injusta nele, ou isso deixaria claro para mim que ele sempre quis ter algo a mais comigo. Maldito!
—Você bebe café? — Eu olho para Isa, uma mulher de trinta anos, cabelos castanhos e olhos da mesma cor. - Eu não gosto...
—Claro que bebo. - Eu interrompo. — Café é café, não importa de onde vem, onde quer que esteja. - Comento.
— Entendo que seu irmão deixa bem claro que sou superficial e não vai falar nada, apenas não vou desperdiçar um café. — Suas bochechas ficam vermelhas.
—Ele raramente fala de você. —defenda-o.
-Seguro. - Jogado com sarcasmo.
Isa recusa com um sorriso nos lábios e vai até a cozinha, enquanto seus olhos estão nas paredes brancas, ela vê fotos dela com sua linda filha. Não só isso, mas presto atenção, eu me levanto e vou até as fotos onde o Marcos disse, ele fica lindo vestido de soldado, nossa, ele é mais sexy do que imagino, sempre tenho ideia de que ele estaria vestido com essas roupas! , entretanto, o retrato bate nele.
São diplomas dele, medalhas conquistadas e até condecorações. É incrível que com quase quarenta anos ele tenha tanto, mas sim, ele entrou no exército aos dezoito e subiu rapidamente devido às suas habilidades com as armas, e à sua capacidade mental, foi o que meu pai me disse, por isso eu contratei.
Tem uma fotografia com dois meninos e uma menina e um casal, pela semelhança digo que é ele e a Isa, e o casal deve ser seus pais. Eu sorrio com ternura. Não tem nada disso na minha casa, tem fotos da minha mãe, mas não de família, não tenho fotos com meu pai, não me lembro de ter tirado nenhuma com ele quando era pequena.
— Ela é fofoqueira agora? —Eu pulo em estado de choque quando ouço a voz de Marcos atrás de mim. —Ele já pediu desculpas, deu os presentes, que horas chega o motorista? – nunca, eu acho.
— Vou de táxi, claro que não vou contar para ele ou ele não vai me deixar ir, vai insistir em me levar e não quero que ele se separe da família. -Estou falando com você. —Ele rosna, irritado.
—Deus, nunca se case, ninguém vai te aturar. —Passo por ele, ignorando-o.
— Isa me comprou com um café, tomo e vou embora. —Esclareço para que ele interrompa o drama.
— Minha irmã não sabe o erro que está cometendo. — Ele bufa, cruzando os braços.
— Pare com isso, Marcos, a senhorita vai pensar que você não tem educação. - Simplesmente não os tem.
—Nossos pais nos criaram bem, é que ele um grosso. —ela olha para ele. —É um pouco especial quando se trata de nós. —Tenho até inveja.
— Obrigado. —Sussurro enquanto ele coloca a xícara de café na minha frente. —Não me chame de “senhorita”. —Você sabe meu nome, certo? —Eu olho para ela e ela cora. Ela concorda. — Bem, diga-me pelo meu nome, se puder. —Pergunto a ela, ordeno ao irmão i****a dela.
—Está bem. —Ele murmura, sentando ao meu lado. -Sente-se?
—Ela olha para o irmão, vira os olhos e sem mais delongas o faz. —Ele não costuma ser tão rude. —Tente justificar.
— Nos sete anos que o conheço é sempre assim. —Declaro sem rodeios. —E sinceramente, isso não me incomoda, é mais como se eu fingisse que isso nem existe.
Isa franze os lábios para não rir, enquanto ele me encara.
—Você deve ter algum segredo para aguentar tanto. —Tomo café, que gosto.
—E eu te digo, ele não é assim, só quando se trata da família.
—Fixo meus olhos em Marcos.
—Ele cuida de nós e nos protege de tudo, mesmo que não haja ameaça. —Suas pupilas negras escurecem.
—Tem sorte. —Isa me olha desconcertada.
—Para ter alguém para cuidar de mim, meu pai deve pagar a ele.
Faço uma careta com os lábios, evitando o olhar de Maros.
—Deve ser bom ter um irmão, uma família. —Sussurro, nostálgico.
O silêncio torna-se um tanto incômodo, tanto que sinto como se dois pares de olhos me olhassem com pena, não os vejo, pois tenho vergonha de fazê-lo, porém, reconheço aqueles olhares. As pessoas sentem isso quando percebem que estou sozinho na vida, sem ninguém para cuidar de mim.
— É pedir muito se posso ir ao banheiro? —Eu olho para ela, que n**a.
—Claro que não. —Ele me aponta para um corredor. —Antes de chegar ao final do corredor à direita. —Eu aceno, levantando-me as mãos.
Afasto-me deles, olhando para Marcos, seus olhos ainda focados em onde ele estava sentado até um segundo atrás. Engulo seco, é melhor eu ir e parar de incomodá-lo. Por um dia ele merece paz. Ando pelo corredor que Isa me mostrou, e entro no banheiro, apenas lavo as mãos e ganho tempo, não tive vontade de vir, só queria evitar os olhares deles.
Saio e não consigo dar um passo porque tem alguém me esperando na porta. Cabelo loiro, olhos azuis.
—Todas as pessoas me dizem que meu tio e bravo. —Nós dois torcemos o nariz. —Ele é muito ciumento. - Eu concordo com ela.
-Isso é. -Eu me levanto. — Meu nome é Sarah, uma guloseima, Samantha. — Eu olho para ela e aceito como uma saudação.
— Tenho que ir cuide do seu tio, ele não está tão bravo assim, parece um cachorrinho. —Ela solta uma risada engraçada.
Não voltei para a sala, deixando a sobrinha de Marcos para trás, pronta para verificar quando ouvi Isa se recusar a fazer seu sinal e me contar sobre mim com tanto desprezo.
— Não parece, Isa — ele bufa.
— Samantha não nasceu, ela é materialista, egoísta, frívola e estúpida. – Lançamento divertido.
— Isto é um teatro, não para você, não para Sarah, não para seu prazer. —Eu posso ver como ele n**a.
— Ela só quer saber de mim e eu o vejo como um anel no dedo. É verdade que você aproveita a situação para saber mais sobre ela, ou o resto é mentira.
— Marcos, sério, essa jovem não é assim...
— É isso, ele interrompe.
— Conheço-a tem anos e nunca mais vê delicadeza com ninguém, sem um pingo de piedade com um povo, sem gostar do seu próprio pai, é assim que todos apoiam as suas finanças desprezadas.
— Com o dinheiro de todo mundo, Marcos, você não entende nada da vida.
— Samantha e uma boa mulher, vai ficar assim. — faça uma pausa.
— Na sua pequena bola de cristal vazia, seu dinheiro é seu único parceiro. - Termina com dizer com tristeza.
Se você inclinar o coração para a garganta, mantenha e pare de chorar e saia de trás da parede, sentindo a pior do mundo. Nunca ouvi nada dizer perfeitamente sobre mim, é isso, é tudo assim?
— Muito bem vestido com cabelos castanhos. —Deu-lhe um sorriso falso, virando as costas para o irmão.
— O motorista está me esperando chegar, eu sabia disso. — Uma saudação da mão. Eu nem sei como lidar como o momento. — Você tem um arquivo lindo. — Ele sorriu nervoso para mim.
- Samantha...
— Eu tenho que ir. — Interrompo-o e choro na sua frente. — Muito obrigado.
— Peguei minha bolsa, o telefone que estava em cima da mesa e falei que a casa parecia estar aberta, tinha que ir.
Entre no elevador e toque no botão no térreo. Ah, nada mais e estou desesperado demais para ir, vou subir as escadas, não me importo com os saltos de quinze centímetros, estou acostumado a pular como eles. O primeiro passo que abri e empurrei o braço me fez bater com um tronco tão forte quanto uma pedra. Meu corpo todo fica tenso para inalar a conhecida fragrância masculina, tenho pouquíssimos custos com isso e ainda arde. Não tenho dinheiro suficiente para me levantar assim, só Marcos.
— Em que ponto o motorista você lá em baixo? — Ângulo seco, sentindo sua voz grosseira bater no lóbulo da orelha.
— Seu telefone estava em cima da mesa enquanto você estava no banheiro, você disse, conversou com a Sarah e ouviu dizer que ela ia falar com a Isa. —disse sabendo que ouviu a conversa.
— Ao mesmo tempo que descobri que nunca deixará de ser um rosnado —, virando a cabeça por cima do ombro para ver nos nossos olhos.
— Você me odeia tanto e isso me dá muita tristeza. — Nossos lábios estão a poucos centímetros de distância.
— Tudo o que você precisa fazer é orar pelas outras pessoas. — Rosna quase acariciando minha boca com a dele.
— Prazer me diga que você sente algo por mim. — Sua mandíbula endurece, seus dentes se arregalam como outros e sua respiração fica baixa.
— Não importa se você me vê com raiva e que me odeia, mas o que você está fazendo é me dar algo que não tenho crédito por ter dado.
— Com um mínimo de fôlego, bater em nossos lábios finos. — Tenho mais que tudo e estou muito feliz. — Desculpe, não sei mais nada para fazer.
Marcos me tira da zona de conforto, joga suas próprias cartas e me diz que vou jogar pôquer, não é isso que acontece, não comigo, que aprendi na vida, mas que aprendi no exército. Serei todos os adjetivos que ele muito quiser me dar, mas tenho certeza de uma coisa, ou então a inteligência não é jogada fora por mim de jeito nenhum.
— Você gosta de saber que eu te odeio? Que você simplesmente tem um maldito trabalho do qual não posso desistir? – liberar por despeito.
—Todos os dias me pergunto por que Deus me odiou tanto para me dar tal castigo Porque você está na vida de alguém, Samantha? - isso me enoja. — Hum castigo. - Meu coração é por você.
Mas ele me odeia, mas uma mancha no tigre não me machuca, só ele diz isso. A única pessoa que resiste sete longos anos cuidando de mim, percebe que é por um salário e um contrato. Eu não deveria me sentir m*l e aqui estou, atormentada por um menino.
— Eu sou o teu castigo. - Escolha para ele. - Adeus, Marcos. — Empurro quando saio do elevador, subo nele, fugindo da minha guarda costeira.