Nancy Keller Eu acordo com o corpo pesado, como se alguém tivesse colocado um cobertor de chumbo em cima de mim durante a noite. É uma sensação estranha, porque eu quase nunca acordo assim. Normalmente, os meus olhos se abrem antes mesmo do despertador tocar. O meu corpo já sabe o horário da Aurora, já sabe a rotina. Mas hoje… eu me sinto afundada na cama. Abro os olhos devagar, encarando o teto, e demoro alguns segundos para entender onde eu estou. A minha cabeça dói de leve, um peso atrás dos olhos, como se o mundo ainda estivesse envolto em algodão. Eu me estico na cama, os braços acima da cabeça, soltando um suspiro longo. Viro de lado e tateio o criado-mudo até achar o celular. Quando a tela acende, a luz branca bate direto nos meus olhos. A ardência vem e pisco várias vezes. —

