Nancy Keller - Quatro anos e alguns meses depois O sol da manhã bate de um jeito suave no jardim da mansão. Não é forte, não incomoda. É aquele sol gostoso que esquenta a pele sem queimar, que ilumina tudo com uma cor mais viva. A grama está verdinha, macia, e parece ainda úmida do orvalho da madrugada. — Corre, tia! — A voz fina e animada da Aurora ecoa pelo jardim. Ela sai disparada pelo gramado, o vestido rodando ao redor das perninhas, os sapatinhos brancos afundando levemente na grama. O riso dela vem alto, solto, contagiante. Um riso limpo, sincero, daqueles que fazem o peito apertar de tão bom. São risos de euforia. — Ei! Espera! — Eu digo, indo atrás dela, rindo também. Mas não adianta. A risada dela é sempre mais alta que a minha, mais empolgada, mais livre. Aurora corre se

