Igor Santini A Nancy está ajoelhada no chão do quarto da Aurora, cercada por pequenas pilhas organizadas de vida: roupinhas dobradas por cor, sapatinhos alinhados, brinquedos que parecem mais peças de decoração do que objetos comuns. Minha mãe está ao lado dela, completamente absorvida. Quer ver tudo. Literalmente tudo. Passa a mão pelos tecidos, pergunta quando a Aurora usou cada peça, pega um sapato pequeno demais para caber em qualquer lógica adulta e sorri como se tivesse recebido um presente raro. E ali, Nancy mostra fotos e vídeos que apenas ela tem sobre cada fase da Aurora. A Aurora está no centro das duas. Não como um objeto de conversa, mas como um sol. Tudo gira em torno dela. — Esse vestidinho foi quando ela começou a andar melhor... — Nancy explica, rindo como se fosse hoj

