Capítulo 06 - Michael Barreto

1457 Words
Ver a Kelly debaixo daquele merda naquela cama me deu a certeza de que eu precisava achar um jeito de parar aquela garota. Ela ia acabar se metendo em um grande problema, ou melhor, ia acabar me metendo em um grande problema. Por que o pai dele me incumbiu de cuidar dela e eu costumava cumprir meus compromissos, mesmo que aquele estivesse me incomodando um pouco mais do que eu imaginava. Eu não sabia se tratava a Kelly como uma garota qualquer que tinha caído de paraquedas na minha vida, se a considerava uma espécie de filha, ou se, na mais remota hipótese eu considerava aquela ideia de casar com ela. Sim, casar com a Kelly estava mexendo demais com a minha mente, porque aquilo estava me fazendo ter pensamentos ridículos com ela. Pensamentos que um dia ameaçaram passar por minha mente, mas que eu resolvi não alimentar. Agora aquela situação estava me colocando à prova novamente. Quando eu comecei a frequentar a casa de Josué como seu advogado a Kelly não passava de uma criança. Eu tinha acabado de me formar em direito e o estágio no escritório de Josué Barreto foi arranjado por meu pai que era amigo pessoal dele e logo Josué me elegeu seu fiel escudeiro e resolveu me ensinar a arte de advogar. Ele foi um mestre pra mim e eu devo tudo que sei hoje aos ensinamentos dele. Ele era um homem solitário e apesar da diferença de idade, nós nos tornamos grandes amigos. A Kelly veio no pacote. Ela sempre foi uma garota mimada e cheia de vontades e sempre conseguia tudo que queria com o pai. A mãe dela tinha morrido quando ela era ainda um bebê e Josué a criou sozinho com a ajuda de uma outra namorada que ele arranjou ao longo da vida. Eu não tinha muito contato com ela, mas à medida que minha presença naquela casa foi ficando mais frequente nós nos tornamos amigos. Eu a levava na escola, comprava coisas pra ela e até ensinava tarefas. No aniversário de 15 anos dela aconteceu um fato que me deixou meio apreensivo e desde então eu evitava um contato mais próximo. Josué resolveu fazer uma festa e ela convidou todos os amigos da escola. Foi uma algazarra de adolescentes barulhentos e muita música alta. Kelly estava feliz e ganhou muitos presentes. Eu tinha comprado um relógio pra ela e resolvi guardar para entregar quando todos fossem embora. Ela bebeu pra caramba e no final da festa estava praticamente desmaiada no sofá da sala. Josué a olhava rindo. - Tadinha da minha filhota, foi vencida pelo álcool. Eu concordei com ele, observando-a tentando levantar meio cambaleante. - Por favor Michael ajude-a a chegar no quarto. Eu a peguei no colo e subi as escadas com ela colocando-a de pé no meio do quarto. - Calma garota, não precisava beber tanto. Ela ria meio seio controle pendurada no meu pescoço. - É meu aniversário de 15 anos, eu agora posso beber um pouco e namorar. A voz dela estava arrastada. Fiz ela sentar na cama e me abaixei na frente dela. - Deixa eu te dar meu presente. Ela dobrou o corpo pra frente e ficou bem próxima do meu rosto. - O que é? Um beijo? Aquela garota estava realmente bêbada. - Não. Um relógio. Ela fez uma gesto de pouca importância. - Eu queria um beijo. Você tem uma boca linda Michael, por que a gente não pode se beijar? Eu quero beijar alguém no dia dos meus 15 anos. Olhei para ela e realmente considerei a hipótese. Quem não iria querer beijar uma garota tão linda como ela? Mas eu não podia fazer aquilo. Ela estava fora de si e não sabia o que estava fazendo. Retirei o relógio do bolso e entreguei a ela. - Não coloquei na caixinha, porque pra mim o que importa é o presente em em si e não a embalagem. Ela tinha pego o relógio e colocou no braço. - É lindo! Igual a você. Mas agora eu quero um beijo. Ela estava com aquele negócio na cabeça e insistia em me beijar. - Porque não beijou um de seus amigos, Já que queria experimentar isso hoje? Ela estava meio mole e ria sem parar, tentando me abraçar. - Porque eles são uns babacas, eu quero que você me ensine a beijar. - Te ensinar?! - É. Eu vi você beijando a Mirna. Você beija direito, me ensina Michael! ­- A Mirna já é adulta Kelly, você não. Ela sacudiu a cabeça negando. - Que besteira! Eu tenho colegas de 15 anos que não são nem virgens mais e você ai falando que eu sou criança. - Pra mim, você é. Ela tentava se equilibrar segurando no eu ombro. - Vai Michael, me beija! Era uma tentação muito grande. O pai dela me mataria se soubesse o que estava prestes a acontecer ali, mas que m*l haveria em atender o pedido dela. Era só um beijo. Eu tinha sentado no chão e ela veio com tudo pra cima de mim e caiu sentada no meu colo. Segurei-a pela cintura impedindo que ela encostasse demais em mim e percebesse que aquela brincadeira tinha causado efeitos mais sérios no meu corpo. - Então tá, eu vou beijar você Kelly Velasco. Ela fechou os olhos e me ofereceu a boca. - Vem, beija. Jesus! Aquela garota tinha noção do que estava fazendo? Me aproximei devagar e encostei a boca na dela de leve. Ela esperou um pouco e abriu os olhos. - É só isso? Não foi assim que você beijou a Mirna. Eu ri divertido com a cara de decepção dela. Eu segurei o pescoço dela e forcei um pouco para trás. - Foi só pra você sentir se gosta da minha boca. Ela afirmou de olhos fechados. - Eu gosto, pode beijar. Aguenta Michael! Quem mandou aceitar o desafio dessa louquinha? Puxei-a pelo pescoço e grudei a boca na dela. Ela queria um beijo? Então eu daria o melhor. Tracei os lábios dela com a ponta da língua e depois introduzi lentamente buscando a dela e prendendo entre os meus dentes. Ela gemeu e deixou que eu sugasse a língua dela. Ela lançou os braços em volta do meus pescoço e apertou a boca contra a minha. O que era apenas uma brincadeira poderia se complicar, por que meu corpo acendeu de uma forma incontrolável e eu respirei fundo me afastando dela devagar. - Pronto. Aprendeu? Ela lambeu os próprios lábios saboreando. - Hum, delícia! Porra! Que coisa mais linda! Ela jogou o corpo para o lado quase dormindo e eu a segurei levantando-a no colo e colocando-a deitada sobre a cama. Ela segurou meu braço com força já praticamente adormecida. - Obrigada Michael… Puxei o lençol e a cobri e em questão de segundos ela ressonava tranquilamente. - Eu que agradeço princesa. Ela não me ouviu é claro, e no dia seguinte pareceu ter esquecido o episódio. Ela não disse nada e eu também não, e aquilo ficou no passado. Eu acho que ensinei direito porque depois daquele dia ela resolveu beijar todos os garotos que passava perto dela e aquilo nunca me preocupou. Era coisa boba de adolescente. Agora, no entanto as coisas eram um pouco diferentes. Ela estava sob minha responsabilidade e ela já era quase uma adulta. Não podia sair por ai se agarrando com qualquer um, eu não permitiria. Ela saiu do banheiro amarrando o roupão e eu me forcei a voltar meus pensamentos para o presente. Os cabelos dela estavam molhados e assim eles ficavam mais escuros, quase castanhos, diferente do loiro brilhante de quando estava seco. Ela estava muito magra. Eu precisava vigar aquelas dietas malucas que ela fazia de vez em quando. Ela parou em minha frente e cruzou os braços. - E então? O que quer falar comigo? Muita coisa. - Só umas regrinhas básicas para melhorar nossa convivência. Ela sentou na cama um pouco longe de mim e cruzou as pernas. - Pode falar. Achei graça naquele jeito agressivo dela. - Kelly, eu não sou seu inimigo. Ela balançava a perna nervosa. - Fale as regras Michael. Tirei o papel do bolso e entreguei a ela. - Leia em voz alta. Ela pegou o papel e olhou durante um bom tempo e em seguida rasgou ao meio. Ia ser difícil. - Não tem problema, eu lembro delas, fui eu que escrevi. Ela me olhou desafiadora. - Eu não vou cumprir nenhuma delas. Parei na frente dela com os braços cruzados. - Vai. A começar pela primeira. Sem namorado dentro dessa casa. Ela levantou e me encarou de braços cruzados. - Se eu não posso namorar você também não pode.
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