Capítulo 13- “Finalmente te encontrei”

1027 Words
O dia da alta chegou. Eu ainda estava fraca, mas pronta para sair daquele lugar que só me lembrava dor. Natália apareceu para me buscar — e para minha surpresa, Shelby estava com ela. — Oi, Kataleya — disse ele, com um sorriso tímido e culpado. Fingi que não ouvi. Natália me ajudou a levantar devagar. Shelby, preocupado, se aproximou e estendeu o braço para me apoiar. — Deixa que eu te ajudo… Puxei meu braço de volta com firmeza e disse, sem sequer olhar para ele: — Natália me ajuda. Shelby ficou paralisado. A rejeição doeu mais do que qualquer palavra que eu pudesse dizer. Natália, desconfortável, se aproximou e me apoiou com cuidado. Enquanto saíamos do hospital, com passos lentos, Shelby caminhava atrás, em silêncio. Pela primeira vez, ele entendeu que tinha me perdido de verdade. E eu… eu estava decidida a não olhar para trás. Passou-se uma semana. Eu já estava recuperada o suficiente para voltar ao trabalho. As cicatrizes físicas ainda doíam um pouco, mas as emocionais… essas pareciam crescer todos os dias. Naquela sexta-feira, cheguei em casa cansada, com a mente cheia, querendo apenas um banho quente e silêncio. Mas, ao abrir a porta, encontrei Shelma sentada no sofá da sala. O rosto abatido, os olhos inchados de tanto chorar. — Precisamos conversar — disse ela, levantando-se de imediato. — Eu não aguento mais essa rejeição, Kataleya. Fechei a porta com calma. Deixei a bolsa sobre a mesa e a encarei. — Rejeição? — repeti, com um riso irônico. — Acha mesmo que o que você fez merece só rejeição, Shelma? Minha voz falhou no fim da frase. As lágrimas vieram sem aviso. Um nó na garganta me impedia de respirar direito. — Eu confiei em ti — continuei, a voz embargada. — Contei meus segredos, dividi minha vida, falava de tudo que eu fazia com o Shelby… E você? Você beijou o Shelby! E não se sabe quantas vezes você fez isso, que me#da Shelma. Você tá zoando comigo? Sabia o que ele significava pra mim! Shelma começou a chorar também, mas eu não parei. — Eu podia esperar isso de muita gente… menos de ti! — gritei, deixando o choro me dominar de vez. — Você destruiu tudo. Minha confiança, minha paz, minha vontade de acreditar nas pessoas. Ela tentou se aproximar, mas recuei um passo. — Eu não sei se um dia vou conseguir perdoar, Shelma. Não sei. Porque tem dores que marcam mais do que qualquer acidente e talvez permanecem pra vida toda! A sala ficou em silêncio, cortada apenas pelos nossos soluços. O que havia entre nós — aquela amizade tão pura e sólida — agora estava em ruínas. O som da porta se abrindo cortou o silêncio carregado da sala. Natália entrou e nos encontrou frente a frente, as lágrimas ainda frescas no meu rosto e no de Shelma. — O que está acontecendo aqui? — ela perguntou, olhando de uma pra outra. Virei-me pra Shelma, com a voz firme e fria: — Você vai contar… ou eu conto? Shelma hesitou. Baixou os olhos, mas não disse nada. Antes que qualquer uma respondesse, Willian e Shelby chegaram. Pareciam ter vindo juntos. Willian sorriu ao entrar, mas logo parou ao perceber o clima pesado. — Ainda bem que todo mundo está aqui — eu disse, cruzando os braços, o coração batendo acelerado. — Porque é bom que todos ouçam de uma vez. Todos ficaram em silêncio. — Na noite do baile, enquanto eu procurava vocês… eu vi com os meus próprios olhos — respirei fundo, tentando não quebrar no meio da frase — a Shelma e o Shelby aos beijos no bar do salão. Um silêncio mortal caiu na sala. Willian arregalou os olhos e, sem pensar duas vezes, ava nçou em Shelby, agarrando-o pela camisa. — TRAIDOR! — gritou, acertando um soco certeiro no rosto dele. Shelby caiu no chão com o impacto. Levantou-se cambaleando, pronto para revidar, mas Shelma se colocou na frente dele, empurrando-o pra trás. — CHEGA! — gritou ela, ofegante. — Já basta! Willian cuspiu no chão e apontou pra ela com desprezo. — E tu… v***a! — disse, com raiva nos olhos. — Não fala assim com ela! — Shelby rebateu, empurrando Willian de volta. — Ela não tem culpa sozinha! Eu também errei! Eu assistia tudo em silêncio. A cena diante de mim era o reflexo da dor que vinha corroendo meu peito. Traições, mentiras, destruição de laços que eu julgava eternos. Olhei para Shelby. Mesmo depois de tudo, ele a defendia. O coração apertou. O estômago revirou. Peguei minha bolsa, limpando as lágrimas com as coisas na mão. — Vocês se merecem — sussurrei, e saí, com as lágrimas caindo livremente no rosto e fui pra rua. A noite lá fora estava fria, mas nem se comparava ao gelo dentro de mim. Caminhei sem rumo pelas ruas frias da cidade, abraçando a mim mesma, tentando conter o vendaval dentro do peito. As luzes dos postes lançavam sombras longas, e cada passo ecoava como um grito no silêncio da noite. Virei a esquina, ainda enxugando uma lágrima… parei bruscamente. Diante de mim, um homem alto, de aparência séria, vestindo um terno escuro, estava parado sob a luz fraca de um poste. Quando me viu, deu um passo à frente, os olhos fixos em mim. — Finalmente encontrei você— disse com a voz firme, mas não ameaçadora. Meu coração disparou. Dei um passo para trás, surpresa, confusa, tentando reconhecer aquele rosto. — Quem é você? — perguntei, a respiração presa na garganta. Ele não respondeu de imediato. Apenas estendeu a mão em minha direção, como se quisesse mostrar que não era uma ameaça. — A única pessoa que fazia você feliz quando criança — disse ele. Fiquei meio confusa, sem dizer nada, porque não sabia na realidade o que dizer. Achei que fosse um predador. Coloquei a minha mão na pasta, tento procurar um spray de pimenta… e na realidade… eu não tinha nenhum spray. Então tentei fugir… ele logo me agarrou de trás e disse uma frase: — “t**a os ouvidos, que o medo acaba”. …
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