Capítulo 11- “ Fomos descobertos “

1087 Words
Naquela noite, Willian não disse nada. Apenas acenou. Mas depois desse dia, ele ficou mais atento. A culpa a consumia a Shelma. Ela tentou se afastar de Shelby, tentou esquecer, mas o sentimento só crescia. Uma madrugada, sentou-se na cama com um caderno no colo e começou a escrever: “Amiga, eu nunca imaginei que fosse te magoar, mas preciso te contar algo que talvez mude tudo…” Escreveu tudo, do começo ao fim. Terminou com lágrimas nos olhos. Dobrou a carta e guardou na gaveta. Mas quando tentou entregar, o medo venceu. A carta ficou ali, escondida. Um segredo em papel. O peso da culpa começou a crescer também em Shelby. Ele via Kataleya todos os dias — sorrindo, confiando nele. Uma noite, após deixar Shelma em casa, ele estacionou o carro e ficou em silêncio. Então, firme, mas calmo falou que eles precisam parar. Que não tava certo. Não queria continuar com isso.” Shelma ficou em choque dizendo que não queria continuar e que achava que ele sentia o mesmo. Ele desviou o olhar e disse que sentia muito. Shelma tentou segurar sua mão, mas ele já estava se afastando. Eu não fazia ideia do que estava por vir naquela noite. Estava saindo do trabalho, com a cabeça cheia e os pés doendo, quando vi Shelby me esperando do outro lado da rua. Sorri sem pensar. Ele parecia mais leve… ou talvez eu quisesse acreditar nisso. Corri e saltei animada no seu colo: — “Tenho uma coisa incrível pra contar. Mas só quando todo mundo estiver junto.” Ele me olhou rápido, curioso, mas não insistiu. Chegando em casa, fui direto reunir os outros. Chamei Natália, Shelma, Willian… todos vieram, ainda meio sem saber o que estava acontecendo. Me sentei no meio da sala e esperei o silêncio. — “Bom… como vocês sabem, o Hotel King vai fazer um evento especial. E adivinhem? Vai ter um baile de máscaras. Um evento chique, à noite, com convidados importantes, música ao vivo e tudo mais…” Natália arregalou os olhos, e Shelma se ajeitou na poltrona, interessada. Esperei o efeito da novidade e continuei: — “E eu consegui convites pra todos nós. Somos convidados oficiais.” O choque veio em sorrisos. Até Willian, sempre mais contido, pareceu animado. Naquele momento, só se falava em roupas, máscaras, e como seria incrível estar lá. Mas eu não sabia que essa noite seria a pior noite da minha vida, e uma revirada improvável. Dias depois… Chegou o dia que tanto esperamos, o dia do tão aguardado baile de máscaras no “Hotel King” O salão estava cheio, iluminado por luzes suaves e música ao fundo. Era o encerramento de um evento importante do hotel, e eu estava ali com os colegas, entre brindes e elogios ao seu desempenho. Shelby e os outros também já estavam aí, menos a Shelma. Shelma, por outro lado, apareceu de surpresa, linda num vestido vermelho que atraiu olhares. Incluído o de Shelby. Ela notou e deu um sorriso baixando a cabeça. Depois de várias danças em grupo, Shelby e Shelma... pareciam viver uma tensão à parte. Trocas de olhares rápidos, silêncios que diziam demais, e uma inquietação que crescia a cada hora. Meu colega me chamou para ajudar-lhe com alguma coisa, que não lembro bem o que era. Neste instante, quando ninguém os observava, eles fizeram sinal um ao outro e decidiram sair de fininho para um lugar onde ninguém os pudesse ver. Voltei ao salão de dança, fiquei olhando em volta para ver se achava meus amigos e meu namorado. Perguntei pra algumas pessoas, e não sabiam me dizer. Deixei pra lá. Me senti um pouco sufocada. Saí por um instante até o jardim lateral do salão, em busca de ar fresco. Foi então que, ao virar um corredor pouco iluminado, parei subitamente. Lá estava Shelma, de costas, muito próxima de Shelby. Ele falava baixo, a mão em seu braço. A expressão de Shelma era intensa. Antes que eu pudesse reagir, vi o momento exato em que os dois se beijaram — rápido, mas real. A taça em minha mão caiu sem piedade, fração de segundos. Uma fração de segundo que bastou para virar o meu mundo ao avesso. Eles viraram em conjunto por causa do barulho do vidro, e viram que foram descobertos. Corri. Sem olhar pra trás, sem pensar. Lembro do Shelby vir atrás de mim de imediato. Alcancei o jardim, o coração disparado, o peito queimando como se algo dentro tivesse se quebrado de vez. — “Kataleya!” — Ouvi a voz dele me chamando, mais próxima do que eu esperava. Ele me alcançou. Senti sua mão segurar meu braço. Virei rápido, tomada pela dor e pela raiva. Sem pensar, dei um t**a no rosto dele. Ele ficou parado, surpreso, com os olhos fixos nos meus. — “Não se atreva a me tocar”— eu disse, a voz falhando entre lágrimas que eu me recusei a deixar cair. Natália e Willian surgiram logo depois, ofegantes, os olhos arregalados ao verem a cena. — “Kata… o que aconteceu?” — Natália perguntou, a voz tensa, olhando de mim para Shelby. Willian se aproximou devagar, preocupado, e ficou entre nós, como se quisesse me proteger. Tudo aconteceu tão rápido. Soltei o braço com força e saí correndo. Sem olhar pra trás, nem para os lados. Só queria fugir — da dor, da traição deles. As luzes da rua pareciam borrões por causa das lágrimas nos meus olhos. Os saltos batiam no asfalto molhado, os olhos cheios de lágrimas. Ela atravessou sem perceber. Lembro-me do som do meu próprio coração — alto, descompassado — enquanto corria sem direção. Só queria fugir das imagens, do beijo, da dor que parecia me rasgar por dentro. Um carro surgiu na curva, em alta velocidade. Senti a luz forte vindo de lado… depois o barulho dos pneus… e então... Um impacto! Meu corpo foi lançado alguns metros à frente antes de cair no chão imóvel. Por um segundo, tudo ficou branco. Depois, silêncio. Não o silêncio do mundo, mas o de dentro. Como se minha mente tivesse desligado do corpo. Senti um calor estranho nas mãos. Um gosto incomum. E vozes… distantes. Shelby, Natália, Shelma e Willian. Chamavam o meu nome. Mas eu já não conseguia responder. Só sentia o chão gelado sob meu rosto… e a certeza de que, naquele momento, algo em mim tinha quebrado de vez. E não era só o corpo. Eu apaguei completamente. …
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