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MARCADOS PELO SOL

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Blurb

Scarlet tem 17 anos e leva uma vida aparentemente comum. Escola, amigos, rotina tranquila… Pelo menos é isso que todos pensam.

O que ninguém sabe é que sua família carrega um segredo sobrenatural há gerações um poder que pode proteger… ou destruir.

Quando forças antigas começam a despertar, Scarlet se vê no centro de uma disputa perigosa. E como se não bastasse lutar contra inimigos ocultos, ela acaba se apaixonando justamente por aquele que deveria odiar.

Entre alianças improváveis, traições e sentimentos proibidos, Scarlet precisará decidir: seguir o coração ou proteger aqueles que ama?

Porque, nesse jogo de sombras, amar pode ser o maior risco de todos.

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FUGITIVOS
Era o primeiro dia de aula depois das férias. Eu estava animada. O último ano finalmente tinha chegado. Logo estaria na minha tão sonhada faculdade de Biologia. Mas o destino não me deu essa oportunidade. Acordei mais cedo, tomei um banho demorado e vesti minha roupa favorita. Desci para o café. — Bom dia, pai. Bom dia, mãe. — Bom dia, querida — responderam juntos. — Já chamou seu irmão? Ele vai se atrasar. — Já chamei. O Steven não quer sair da cama. A Sofi já está vindo me buscar, não vou esperar. Sofi é minha melhor amiga desde o primário. Somos inseparáveis. Ela é encantadora, com seus olhos azuis e cabelos loiros longos que sempre parecem perfeitos demais para uma segunda-feira de manhã. — Temos que ir trabalhar — minha mãe disse, pegando as chaves. — Não deixe seu irmão se atrasar logo no primeiro dia. Meus pais são médicos. Vivem viajando por causa do trabalho. Sempre foram meus heróis. — Tá bom, eu vou chamar o pirralho. Eles saíram. — Eu já levantei, Scar! Pode parar de gritar! — Steven desceu as escadas arrastando a mochila. — Você é um caso perdido. A buzina soou lá fora. — MEU DEUS! Nosso último ano! — Sofi praticamente gritava enquanto eu entrava no carro. — Esse ano vai ser só diversão, festas, liberdade! — Inscrição para as faculdades — completei. Ela revirou os olhos. — Scar, você precisa se divertir mais. Vai ter tempo demais pra estudar. Na minha opinião, festas eram perda de tempo. O dia passou rápido demais. Matemática foi tão entediante quanto eu imaginava. Mas nada me preparou para o que viria depois. Quando chegamos em casa, a porta estava aberta. A casa… destruída. Móveis revirados. Gavetas no chão. Vidros quebrados. Meu coração disparou. — Mãe? Pai?! Corri até o escritório do meu pai para ligar para a polícia. Foi quando vi o bilhete. "Scar e Steven, Não há uma maneira fácil de dizer isso, mas estamos em perigo. Tivemos que fugir para manter vocês seguros. Deixamos dinheiro suficiente para passagens. Quero que vão para a casa do tio Robert. Ele explicará tudo. Não podemos entrar em contato agora. Amamos vocês. Mamãe e papai." O telefone tocou. Quase deixei cair. — Alô? — minha voz saiu fraca. — Scar, é o tio Robert. Não temos tempo. Pegue suas coisas e vá para o aeroporto. Agora. — Onde estão meus pais? O que está acontecendo? — Não seja teimosa. Vá. Eu explico quando chegarem. Ele desligou. Eu sabia que não tinha escolha. A viagem foi longa. Sete horas ouvindo Steven fazer perguntas que eu não sabia responder. Chegamos a Security City, uma pequena cidade no norte da Califórnia. Lá estava ele. Alto. Forte. Olhos castanhos. Jaqueta de couro. Pose de bad boy. Tio Robert. — Está meio velho pra esse estilo, não acha? — provoquei. — Só nos dias de folga — ele respondeu, sorrindo de lado. Ele dirigia rápido demais. — Eu quero chegar viva. — Estamos quase lá. A casa era grande, pintada de cinza escuro por fora. Por dentro, clara e organizada demais para alguém que dirige daquele jeito. — Chega de enrolação, Robert. Quero explicações. Ele suspirou. — Eu não queria que fosse assim. Era trabalho dos seus pais… Silêncio. — Nossa família é diferente. Eu cruzei os braços. — Diferente como? Ele hesitou. — Somos caçadores. — De animais? Isso é ilegal — Steven disse. — Não. Caçadores de vampiros. Eu ri. — Isso é ridículo. Ele foi até um armário sob a escada. Voltou com uma mala. Abriu. Armas. Estacas. Punhais. Um deles tinha uma cápsula com um líquido vermelho preso à base da lâmina. O riso morreu na minha garganta. — Existe um clã. Os Genebras. Seus avós os enfrentaram. Eles estão atrás de nós. O mundo parecia inclinar. — Vampiros não existem — eu sussurrei. — Seus pais são médicos — ele disse. — E ainda assim caçadores. Uma vida não impede a outra. Steven parecia empolgado demais. Eu só conseguia pensar em uma coisa: Eles mentiram. A vida inteira. Subi para o quarto. Minha vida normal tinha acabado. E eu nem sabia ainda o que estava vindo atrás de mim.

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