ECOS DA VINGANÇA

757 Words
A chuva fina batia nas janelas da casa, criando um clima silencioso e introspectivo. Scarlett seguia Robert pelo corredor, com Steven logo atrás, os olhos atentos a cada detalhe. Desde o primeiro dia, o escritório do tio havia chamado atenção dela: livros de couro antigo, frascos coloridos, mapas espalhados e armas cuidadosamente guardadas. Cada objeto parecia ter uma história própria, carregada de perigo e mistério. — Este é meu escritório — disse Robert, sério, mas com um toque de orgulho — aqui guardamos registros, armas e informações sobre o clã Genebra. Steven, preste atenção: nada aqui deve ser tocado sem conhecimento. Steven fez uma careta, fascinado. — Entendido, tio. — Scarlett — continuou Robert — você já notou algo aqui que chamou atenção desde a primeira vez que entrou, certo? Aquele punhal com o líquido vermelho… Ela se aproximou da mesa, observando o metal escuro, elegante e quase vivo. O frasco preso à base continha um líquido vermelho que parecia pulsar, como se guardasse força própria. Ao encostar os olhos nele, sentiu algo estranho percorrer seu braço, um formigamento que se espalhou pelas veias, sem motivo aparente. — Sim… — disse Scarlett, tentando não demonstrar o quanto aquilo mexia com ela — Eu lembro disso desde que entrei aqui. Robert tocou levemente o frasco, os olhos sérios. — Esse é um instrumento especial. O líquido vermelho não é sangue comum, nem veneno simples. Foi preparado para incapacitar os vampiros mais poderosos. Apenas caçadores experientes sabem usar e preparar. Um erro pode ser fatal. Steven olhou de um lado para o outro, impressionado. — Uau… isso parece coisa de filme. — Não é filme, pirralho — disse Robert, olhando firme — cada detalhe aqui tem história, aprendizado e risco. E Steven, repito: não toque sem permissão. Robert respirou fundo e se apoiou na mesa, olhando para os dois com seriedade. — Agora precisamos falar sobre o clã Genebra. Eles são antigos, poderosos e extremamente perigosos. Lucien é o líder. Ele é frio, calculista, e mantém o controle absoluto sobre todos os membros. Não se engane, Scarlett: eles não agem por impulso, mas por estratégia. Cada passo que dão é pensado para manipular, intimidar e alcançar seus objetivos. Scarlett sentiu o formigamento em seu braço aumentar novamente, como se seu sangue respondesse ao peso da história. — Lucien perdeu sua esposa, Seraphine — continuou Robert, a voz carregada de amargor — e jurou vingança contra Henri e Margot, seus nossos avós. A morte deles não foi por acaso; foi planejada. Margot e Henri eram caçadores respeitados, experientes, que protegeram nossa linhagem e enfrentaram o clã Genebra durante anos. Mas a sede de vingança de Lucien foi maior. Ele não perdoa, ele caça. — E os filhos dele? — perguntou Steven, curioso. — Dois — respondeu Robert — mas ninguém fora do clã sabe quem são. Eles são criados sob a sombra da vingança de Lucien, treinados para serem mortais e obedientes. Esse clã se espalha silenciosamente, infiltra-se nas cidades, e observa. Eles atacam quando o momento é certo. E agora… eles sabem da nossa família, do que nossos avós fizeram, e querem eliminar qualquer ameaça restante. Scarlett engoliu em seco, absorvendo cada detalhe. O formigamento em suas veias agora parecia quase pulsar em sintonia com o relato do tio. Não entendia por que sentia aquilo, mas algo dentro dela reagia a cada palavra, a cada pausa, a cada detalhe do clã. — Cada arma, cada mapa, cada registro — continuou Robert — é parte de nosso aprendizado. O punhal com o líquido vermelho, por exemplo, é um recurso que só deve ser usado em situações extremas. Vocês precisarão aprender tudo sobre táticas, sobre previsão, sobre movimentação. Lucien e o clã Genebra não erram. Nós precisamos estar sempre à frente. Scarlett olhou para Steven, que observava tudo com uma mistura de fascinação e medo. O escritório parecia pulsar com a história da família, com o peso da vingança, com os segredos de cada objeto. A marca que ainda não se revelava completamente na sua pele parecia sentir a tensão, o poder latente, o perigo. — Prontos para aprender? — perguntou Robert, olhando para os dois. — Mais do que nunca — respondeu Scarlett, respirando fundo, tentando controlar o formigamento dentro de si. Steven assentiu ao lado dela, os olhos brilhando com empolgação e apreensão. O escritório estava silencioso, mas carregado de história, perigo e mistério. Cada livro, arma e frasco parecia ter vida própria. Scarlett sabia, sem entender completamente, que cada passo dali em diante mudaria sua vida para sempre.
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