Cap 5

468 Words
Capítulo 5 Teteu narrando Meu nome é Teteu. Sou alto, fechado, cheio de tatuagem que conta história que nem todo mundo precisa saber. Sou sub do Vidigal, linha de frente, braço direito do Arcanjo. Quando dá problema, sou eu que resolvo. Quando precisa de presença, sou eu que chego primeiro. Arcanjo manda. Eu executo. Ele some às vezes. Some mesmo. Dias. Sem explicação. Nunca perguntei. Quem tá nessa vida aprende cedo que lealdade não faz pergunta. A Sofia, pra mim, é diferente. Ela é irmã. Vi aquela menina crescer sem pai, sem mãe, sem ninguém. Vi quando tentaram tomar a casa dela. Não deixei. Enquanto eu respirar, ninguém passa por cima da Sofia. Ela nunca pediu nada. Nunca se meteu em nada errado. Só estudou. Só correu atrás. No dia do baile, eu vi. Vi os olhares do Arcanjo pra ela. Conheço aquele olhar. Conheço ele melhor do que muita gente. Mas também vi outra coisa: respeito. Ele não forçou, não mandou encostar, não intimidou. Do jeito dele, foi de boa. E isso diz muito. Hoje eu tava na boca, fazendo umas contagens. Caixa, movimento, tudo certinho. Rotina. O cheiro de pólvora misturado com comida sempre foi normal pra mim. Foi quando um vapor chegou. — Chefe, a comida chegou. Peguei a marmita. Tava quente ainda. — Quem mandou? — perguntei. — A Sofia. Abri ali mesmo. Lasanha. Do jeito que eu gosto. Bem feita, pesada, comida de quem se importa. Dei um meio sorriso sem perceber. Aquela menina tem coração grande demais pra esse lugar. — Diz pra ela que ficou perfeita — falei. Comecei a comer encostado na mesa, quando senti a presença antes mesmo de ouvir os passos. Arcanjo. Ele chegou quieto, como sempre. Sentou perto, pegou um copo de água, ficou me observando comer. — Tá bem servido, hein — comentou. — Sempre — respondi. — Hoje capricharam. Ele olhou pra marmita. — Comprou onde? Balancei a cabeça. — Não comprei, não. Foi a Sofia que fez. Ele parou por um segundo. Pequeno. Quase imperceptível. — Ela cozinha? — Cozinha. E bem — falei. — Às vezes manda comida pra mim. Jeito dela agradecer sem falar muito. Arcanjo assentiu devagar. — Ela é assim mesmo — falou. — Quietinha… mas firme. — Sempre foi — respondi. — Nunca deu trabalho. Nunca pediu nada. Ele ficou em silêncio, olhando pro movimento da boca, pro vai e vem dos vapores. — Pode ficar tranquilo — ele disse. — Ninguém mexe com ela. Nem agora. Nem nunca. Olhei pra ele de lado. — Eu sei. Continuei comendo. Ali, naquele momento simples, entendi uma coisa: Sofia não sabia, mas tinha dois homens cuidando dela de jeitos diferentes. Um na linha de frente. Outro no topo. E quando Arcanjo decide proteger, ninguém atravessa. Nem o morro. Nem o destino.
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