Peter Narrando
Quando a campainha tocou, fui até a porta achando que encontraria uma garota comum, do jeito que o Augusto tinha descrito. Mas quando abri, meu mundo parou por alguns segundos. A visão que surgiu na minha frente não tinha nada de menina, de adolescente, ou seja lá o que ele tentou pintar. O que estava ali era uma mulher. Uma mulher de tirar o fôlego.
Dei de cara com uma deusa, essa era a verdade. O corpo dela era um convite ao pecado, e foi impossível não reparar, por mais que eu tentasse manter o foco. Os seïos, de um tamanho médio, estavam marcando na blusa justa e era evidente que aquele volume perfeito não era só obra da natureza ,e sim, silicone, com certeza. Mas de um jeito tão bem feito que combinava com o resto dela, como se tivesse nascido assim. A cintura fina, tão fina que dava vontade de passar o braço em volta, como se pra proteger. As curvas bem desenhadas, o quadril na medida certa, chamando atenção sem exagero.
E aquele rosto, meu Deus, aquele rosto. A boca carnuda, rosada, que parecia feita pra tentação. Os olhos brilhavam, vivos, curiosos, e pareciam que me analisavam no detalhe. O cabelo longo, liso, escorria pelos ombros até quase a cintura, n***o como a noite. Era impossível não ficar com água na boca diante daquela visão. A Aurora não tinha nada de menina, é uma mulher.
Por dentro, eu me xinguei. Se controla, Peter, cacëte! É a filha do teu amigo, larga mão de ser idïota. Respirei fundo, tentando manter a compostura, e estendi a mão, o mais educado possível, embora por dentro minha mente já estivesse uma bagunça.
— Prazer, sou o Peter.
Ela abriu um sorriso que, sinceramente, quase me desmontou. Um sorriso leve, encantador, que iluminava ainda mais o rosto perfeito dela. E quando falou, a voz doce e ao mesmo tempo firme, foi a cereja do bolo.
— Aurora. É um prazer te conhecer, padrinho.
Ela disse isso com aquele sorriso no rosto, os olhos brilhando de um jeito que, se eu não me controlasse, me perderia ali mesmo. Era como se cada detalhe dela tivesse sido planejado pra me deixar sem reação. Eu senti o rosto esquentar, não sei se de vergonha por estar encarando, ou do esforço que eu fazia pra não deixar transparecer o que realmente passava na minha cabeça.
— O prazer é meu. — completei, tentando puxar o ar e disfarçar.
Fiz sinal pra ela entrar, abrindo mais a porta. Ela passou por mim, e o perfume dela me atingiu como uma onda. Um cheiro doce, mas ao mesmo tempo marcante, daqueles que ficam na memória. Fechei a porta, ainda lutando comigo mesmo pra parar de olhar tanto. Ela não parecia se incomodar com o impacto que causava. Pelo contrário, andava leve, tranquila, como se estivesse acostumada a atrair olhares.
Fiquei parado por um segundo, só observando enquanto ela deixava a bolsa no sofá e se virava de novo pra mim.
— Os meus pais falaram muito bem do Senhor — ela comentou, ainda com aquele sorriso que parecia esconder um monte de segredos.
— Espero corresponder às expectativas. — respondi, tentando brincar, mas minha voz saiu mais baixa do que eu queria.
Ela riu baixinho, e aquele som ficou ecoando na minha cabeça.
Por dentro, eu sabia que precisava manter a linha. Mas é difícil. Muito difícil. Aurora não era só bonita. Era do tipo que mexia com os sentidos, com a razão, com o bom senso. Eu precisava me lembrar a todo segundo que é minha afilhada, filha do meu amigo, que tinha vindo pra cá por um motivo, e que o meu papel era ser um padrinho responsável.
Mas confesso: aquele primeiro encontro já tinha me deixado em alerta. Aurora é um perigo. E dos grandes.
Depois daquele sorriso que me desmontou e da voz doce dela ecoando na minha cabeça, respirei fundo e tentei voltar pro modo “padrinho responsável”. Fiz sinal com a mão pra ela me seguir e fui na frente, levando até o quarto que seria dela enquanto ela ficar aqui em casa.
— Aqui vai ser o seu quarto, Aurora — falei, empurrando a porta e acendendo a luz. — Fica à vontade, qualquer coisa que precisar é só me chamar.
Ela entrou no cômodo, olhando ao redor com aquele olhar curioso, mas ao mesmo tempo sereno. A mala dela ficou encostada na parede e ela se virou de novo pra mim, com aquele sorriso que parecia capaz de parar o tempo.
— Obrigada, Peter. — disse num tom tão doce que quase me fez esquecer do que eu tava fazendo ali.
Assenti, dei um passo pra trás e puxei a porta, fechando devagar enquanto ela já começava a desfazer a mala. Assim que a porta se fechou, respirei fundo. Beleza, Peter. Agora vai pro teu quarto, toma um banho, esfria essa cabeça.
Foi exatamente o que eu fiz. Segui direto pro meu quarto, tentando colocar a cabeça no lugar. Entrei no banheiro, tirei a roupa e deixei a água cair quente sobre mim, como se aquilo fosse capaz de apagar a imagem dela da minha mente. Mas era inútil. Cada vez que fechava os olhos, era o rosto dela que surgia. A boca carnuda, os olhos brilhantes, aquele corpo. Para com isso, cara, me repreendi mais uma vez.
Depois de um bom tempo embaixo do chuveiro, saí, me enxuguei e me vesti. Coloquei uma camisa preta, calça jeans, algo simples, mas arrumado. O plano era descer, pedir alguma coisa pra gente jantar e fingir que tava tudo sob controle. Mas antes, decidi chamar Aurora pra ver se ela queria comer alguma coisa em especial.
Fui até a porta do quarto dela e bati leve, duas vezes.
— Aurora?
A porta se abriu devagar e, quando ela apareceu, eu quase perdi a fala. Ela estava com o cabelo ainda úmido, os fios negros caindo sobre os ombros, e o corpo enrolado numa toalha branca que mäl dava conta de esconder as curvas. Engoli seco na hora, sentindo meu coração acelerar. Tentei não encarar tanto, mas foi difícil.
— Eu... ah... eu ia perguntar se você topa jantar comigo. — soltei, tentando parecer natural.
Ela sorriu de um jeito travesso, como se soubesse exatamente o que tava causando.
— Claro, só vou me arrumar rapidinho.
Assenti, desviando o olhar, e fui descendo as escadas enquanto tentava, mais uma vez, manter o foco. Essa menina vai me dar trabalho.