(Narrado por Damon)
Estou no fundo do salão. Encostado em uma das colunas de pedra como se fizesse parte do próprio castelo, Ninguém me nota E ainda assim, estou em todos os cantos.
A máscara cobre meu rosto, mas não esconde o que sou, Meus olhos estão nela.
Só nela.
Kalie.
Aquele vestido maldito parece ter sido desenhado nos meus piores delírios, Veludo rubro, colado ao corpo, f***a que sobe como se quisesse me provocar e consegue. Cada curva dela é um insulto à minha sanidade.
Ela sorri, Joga o cabelo para os ombros, Ela nem imagina o estrago que faz… ou talvez saiba E goste disso
Vanessa a chama para dançar, As duas deslizam entre a multidão como estrelas em órbita própria, Vejo os idiotas ao redor comentando, Aquele Lucas está ali, Perto demais de novo, Os olhos dele percorrem o corpo dela com uma ousadia que merece punição, Ele sorri como se tivesse chance, Como se ela fosse dele, Como se eu não existisse.
“Seus dentes vão bater no chão se você encostar nela de novo, campeão.”
Meu pensamento ecoou, Queria gritar isso Mas fico onde estou, Punhos cerrados, sangue quente, maxilar travado, Sou o predador que a espreita, a sombra que observa, o trovão antes da tempestade mas o que mais me destrói… é o quanto ela me afeta, Como o simples fato de vê-la dançando, sorrindo, respirando.. me faz querer incendiar esse castelo inteiro e depois apagá-lo com o corpo dela entre meus braços.
Ela gira, O vestido sobe, A máscara cobre seu rosto, mas os olhos… ah, os olhos… Olhos negros, Selvagens, Quentes, Hipnóticos.
Ela olha em minha direção.
Será que me vê?
Será que sente?
Sente o caos que se agita por ela?
Se soubesse que estou aqui, à espreita, assistindo cada gesto, cada sorriso, cada movimento… será que sorriria desse jeito ainda? Ou chamaria meu nome em segredo?
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Narração terceira pessoa
A música ainda ecoava no salão, As luzes giravam, os risos se misturavam às danças, mas Kalie sentia tudo girar mais rápido do que deveria, Sua testa suava levemente, O vestido, antes confortável, agora apertava e O ar parecia mais denso.
Vanessa (gritando por cima da música):
— “Tá tudo bem?”
Kalie (forçando um sorriso):
— “Vou ao banheiro rapidinho…”
Ela atravessou o salão com os olhos baixos, mãos tocando levemente as paredes para se equilibrar, Tinha bebido pouco, Muito pouco para estar nesse estado Mas estava com o estômago vazio… e algo mais parecia errado.
As luzes do banheiro eram mais frias, refletindo o cansaço em seus olhos, Ela jogou água no rosto, respirou fundo, Seu reflexo parecia embaçado, distante, Como se não estivesse sozinha naquele espelho.
Ao sair, com passos lentos e confusos, Kalie não viu quem estava à frente.
Impacto.
Um corpo firme como pedra, Alto, Forte, Cheiro de madeira fresca e perigo. Ela cambaleou e foi amparada por braços largos, mãos que a envolveram com uma firmeza protetora, Seus olhos se ergueram com esforço… E ali estavam eles, Olhos âmbar, ardendo como carvão em brasa.
Uma voz grave, baixa, quase um sussurro de possessão:
Damon:
— “Oi, princesa.”
Seus olhos se fecharam lentamente, O mundo girou uma última vez, Desmaiou.
Ele a segurou com facilidade, Um braço por trás dos joelhos, outro pelas costas Mas então… a jogou sobre o ombro, com a precisão de quem está no controle. Saiu pelos fundos do ginásio, como uma sombra que sempre soube o caminho, Ninguém percebeu, Ninguém ousou parar o homem de terno preto e máscara sombria.