Capítulo 10 - Onde as Sombras Tocam o Mar

923 Words
O céu parecia cúmplice, Nuvens pesadas ocultavam as estrelas, deixando o mundo em tons de cinza e prata, A única luz vinha da lua que, curiosa, observava tudo lá do alto. A praia era diferente, Areias negras como carvão, como se fossem cinzas de uma paixão que já ardeu demais em outras vidas, O mar, calmo, sussurrava segredos que só corações partidos entenderiam e ali, naquela casa de vidro e silêncio… ela dormia. A cama era grande, macia, com lençóis brancos que contrastavam com os cabelos escuros espalhados pelo travesseiro. Kalie estava ali, entregue, o corpo leve, ainda sob efeito do que quer que tenha sentido naquela festa ou fora dela. A brisa salgada tocava seu rosto com delicadeza, como se o próprio oceano a quisesse proteger. Diante da parede de vidro, um homem, Alto, Másculo, Intenso. Vestido de preto da cabeça aos pés, Rosto escondido sob uma touca ninja que deixava apenas seus olhos expostos. E que olhos eram aqueles?! Queimavam. Não de raiva mas de desejo. De devoção, De loucura. Ele observava as ondas, mas era o reflexo dela no vidro que realmente encarava. Falou baixinho, como se não fosse pra ela ouvir mas pra alma dela sentir: — “Trouxe você pra longe, pequena… Longe dos olhares, Dos toques errados, Das palavras vazias, Aqui, só o som do mar vai testemunhar o quanto você é minha.” Ele se aproximou da cama devagar, Cada passo era uma jura silenciosa de proteção e perigo. Sentou-se na beirada, os olhos percorrendo o rosto dela como se tentassem memorizá-la mais uma vez, mesmo já a tendo tatuada na carne e na mente. Com a mão enluvada, afastou uma mecha dos cabelos rebeldes dela. Seus dedos tremiam. — “Você não sabe ainda… mas seu corpo já me conhece, Seu coração sente antes da sua mente entender, É por isso que você desmaiou, Teu corpo reconheceu a verdade que sua cabeça ainda resiste.” Ela se mexeu, murmurando algo incompreensível, Os olhos abriram devagar, Castanhos, Luz e fogo. Ela tentou se erguer, assustada, mas ele a acalmou com a voz baixa: — “Shh… calma, princesa. Você está segura.. Comigo.” Ela tentou se sentar, Olhou ao redor, A parede de vidro, o som do mar, o cheiro de madeira e sal. — “Onde… eu tô?” — “Numa casa só nossa, Numa praia que ninguém pisa, Num lugar onde o mundo esquece.” — “Você me sequestrou?!.” Ele sorriu debaixo do pano, Os olhos se fecharam por um segundo, como se aquilo fosse um elogio. — “Eu te tirei de um lugar onde você não pertencia, Se isso é crime, que me prendam Mas só depois que eu te mostrar tudo que sinto por você.” Ela ficou em silêncio, A respiração ainda instável Mas havia algo nela… curiosidade. Confiança? Não, Não mesmo Mas algo… instintivo. E foi aí que ele tirou a luva, A manga do braço subiu, revelando veias marcadas, pele branca, músculos tensos E no meio do antebraço, uma tatuagem. Uma rosa com espinhos Simples, Direta E ardente como um selo. — “Você me pediu e eu estou aqui.. Essa… é só a primeira.” NARRAÇÃO – DAMON Ela se levanta devagar. O lençol escorre pelo corpo como se tivesse medo de deixá-la. Descalça, a pele morena brilhando na luz da lua, ela caminha até a parede de vidro e por um momento, eu acho que o mar ficou em silêncio só pra vê-la passar. Cada passo dela ecoa dentro de mim, Como um tambor de guerra, como um aviso: “Ela vai destruir você, Damon.” E eu sorrio Porque que morte melhor pode existir? Ela vira o rosto na minha direção, Olhos queimando perguntas, Sobrancelhas arqueadas, Boca carnuda e entreaberta, Cabelos ondulados como fogo n***o caindo nas costas nuas. Uma deusa, a minha deusa. — “Quem é você? Como me tirou daquela festa? Onde está o meu celular?” A voz dela não vacila, Firme. Ela não é frágil, É tempestade contida. Me aproximo, Devagar, Não quero assustar, Quero que ela sinta. — “Você pode ir embora quando quiser, princesa.” Seus olhos se estreitam. — “Não estou aqui pra te prender. Mas antes… me dê uma chance.” Ela franze a testa. — “Chance de quê?” — “De me conhecer, De que veja além das sombras, De que perceba o quanto você me move, me enlouquece… E talvez… talvez se apaixone por mim.” Ela recua um passo Mas não é medo. É impacto E eu continuo, Não por escolha Mas por necessidade. — “Eu te vi antes de qualquer outro, Vi você dançando com aquela luz na pele, Com aquele vestido pedindo pra ser arrancado, Vi seus olhos brilhando e soube… Soube que nada mais no mundo importava.” Chego mais perto, A parede de vidro às costas dela, O mar como testemunha. — “Você me tira o ar, Você me perturba, Você é caos em forma de mulher E mesmo assim, é o meu refúgio.” Ela engole seco, Sente, Eu sei que sente. Levanto a mão devagar, Toco o rosto dela com a ponta dos dedos. — “Não quero te machucar, Quero que confie Mas se não confiar… Me deixa te mostrar o porquê deveria.” Ela me olha como se estivesse diante de algo que não consegue decifrar, Nem eu me decifro quando estou diante dela e é ali, entre o medo e o desejo, que ela diz:
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