Capítulo 5 - Calor Silencioso

638 Words
Alguns dias se passaram desde a trégua. Kalie tentou seguir a vida como se nada tivesse acontecido. As aulas continuaram, os treinos também, Mas, por dentro, algo nela tinha mudado. Não era medo. Não mais. Era um fogo estranho, Uma curiosidade que queimava, uma sede pelo desconhecido. Quem era ele? Como alguém podia ver tanto dela… sem nunca tê-la tocado, falado ou conhecido? Como podia alguém amar como um monstro, mas protegê-la como um guardião ou um demônio ? Ela se pegava olhando ao redor o tempo todo, Tentando adivinhar: seria o barista do café? O segurança da faculdade? Um dos alunos calados do fundo da sala? Mas nenhum daqueles rostos tinha a energia dele. A intensidade, O caos. Naquela noite, o quarto estava em silêncio. Ela já tinha ido à aula, corrido até não aguentar, tomado banho frio E nada passava o estresse, o calor. A tensão presa entre os músculos, o desejo que parecia não ter nome e tinha tudo a ver com ele, O homem invisível que a fazia sentir observada… desejada. Sozinha, sem ninguém para aliviar o peso da rotina e o fogo dentro do corpo, Kalie cedeu ao momento, Abriu a gaveta da cabeceira, O vibrador rosa esperava ali, delicado, silencioso, promissor. Ela se deitou com os cabelos molhados espalhados no travesseiro, os olhos fechados, os lábios entreabertos E por um instante… imaginou, Imaginou mãos fortes segurando sua cintura, Lábios quentes roçando seu pescoço, Aquela voz rouca dizendo baixinho: “Você é minha.” Os toques começaram suaves, como se buscassem algo dentro dela Mas logo o calor aumentou, O corpo reagiu, Os gemidos vieram abafados pelo travesseiro E no auge, na entrega final, um sussurro de um gemido baixinho. A vibração cessou, O quarto voltou à quietude Mas o celular… vibrava. Uma nova mensagem. Número desconhecido: —-“Estava linda, Tão entregue, Cheia de t***o, perfeita.” *****Narrado por Damon****** Ela achava que estava sozinha, Achava que o mundo não estava vendo Mas eu… Eu via tudo, Do lado de fora, oculto pela noite e pela neblina, eu a vi. A janela do quarto dela embaçada pela umidade, entreaberta. A cortina não cobria tudo. E ali, naquele espaço sagrado que ela achava só dela, Kalie se revelava. Os cabelos longos colados ao pescoço pelo suor, As costas arqueando lentamente sobre os lençóis, Os lábios entreabertos mordendo a respiração, As coxas apertadas, dançando com o toque. Ela era a chama viva de um pecado antigo. Um poema sussurrado no inferno. A mulher que fez um homem como eu — acostumado a ver o sangue escorrer pelas ruas — sentir algo como devoção. Minha mão se fechava em punho contra a parede do prédio. Eu tinha que me conter. Cada curva dela era um feitiço. E ela gemia… Chamava por mim, Mesmo sem saber quem eu era. Me curvei na sombra, com o peito ofegante. A calça apertada contra o meu desejo violento. Ela era feita de luz e fogo E eu era um homem à beira do abismo. Peguei o celular. Meus dedos tremiam, mas a mensagem era firme, Crua Mas cheia de algo mais… Oferecimento. — “Precisa de ajuda com isso?” — disse- a provocando Alguns segundos depois, o celular vibrou de volta. — “Você tá me observando?” — “Sempre, Não consigo parar. Você me queima.” Silêncio, Ela estava digerindo. —“Você é louco, pare com isso.” — “Louco por você, Isso já está além do controle, luz do sol. Eu te quero… toda, De corpo e alma.” —“Por que eu? O que você quer de mim?” — “Quero te proteger, Te ter, Ver cada parte sua se abrir só pra mim, Quero fazer você esquecer o mundo, Me dar sua confiança… e talvez, o coração.”
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