Capítulo 14 - Salinas

600 Words
Kalie tremia mas não de medo, de adrenalina pura. Os dedos deslizavam pelas chaves, um a um, até o som abençoado do clique ecoar na fechadura da porta de vidro se abrindo. A luz pálida do amanhecer invadiu a casa como um suspiro de liberdade Mas não deu tempo. Damon estava ali, Como uma sombra viva, Como uma sentença, mãos grandes cercaram seu rosto com uma reverência doentia. Os olhos por trás da máscara estavam aflitos, Intensos, Humanos demais. — “Pequena…” — ele tentou. Mas ela foi mais rápida, Segurou o r***o do suéter dele, sentiu o calor do peito, e com toda a força que o medo e a coragem juntas podiam somar, desferiu a joelhada, Direto, Precisa, Devastadora. — “AH—!” O grunhido que escapou dele era bruto, Selvagem, Animal. Damon caiu de joelhos, as mãos cobrindo o local atingido, o corpo curvado como um templo em ruínas. Kalie correu, Descalça, O vidro se abriu como os portões do céu E ela correu pela areia úmida e n***a, o vento cortando a pele, os olhos ardendo, o coração em disparada. Atrás dela, só o som da própria respiração… de um monstro apaixonado, derrotado, mas não vencido, Ainda não. A areia grudava nos pés de Kalie, fria, úmida, cortante. O céu ainda não havia amanhecido de todo, um azul escuro que beirava o cinza, e a praia parecia um cenário de pesadelo ou de um sonho distorcido. Ela corria sem rumo, Desesperada, O coração martelava em seu peito, cada batida um lembrete do perigo que a seguia, do erro que fora confiar, mesmo que por segundos, naquele homem que a assombrava e encantava. Seu erro? Olhar pra trás e o que viu fez o sangue congelar em suas veias: um monumento vindo em sua direção. Damon. Sem camisa. Os músculos enrijecidos pelo esforço, cobertos por tatuagens que contavam histórias desconhecidas, runas, frases, símbolos em idiomas esquecidos. O corpo todo era um altar de guerra. O rosto ainda escondido pela máscara, mas os olhos… os olhos estavam expostos e queimavam. Kalie tropeçou, O mundo girou, o chão sumiu, e o gelo do mar a recebeu com brutalidade. A água salgada invadiu seu vestido, gelou sua espinha, rasgou sua respiração. Ela virou o rosto pra gritar, puxar o ar, pedir socorro Mas ele já estava sobre ela. Damon, Molhado, Ofegante, Selvagem, A mão imensa cobriu seus lábios pequenos com firmeza, mas sem crueldade. Ela sentiu o calor daquela pele contrastando com o gelo da água. Ele era fogo, mesmo encharcado. — “Eu disse que você pode ir embora quando quiser…” — ele sussurrou com a voz rouca e decidida, entre dentes. — “Mas me dá uma chance, porra.” As lágrimas escorreram sem que ela conseguisse impedir, Era medo, tensão, Era tudo misturado com o desejo estranho de que ele falasse mais. Ele a fitava como se fosse feita de luz e mesmo agora, mesmo após a dor e a fuga, o olhar dele ainda era de adoração. — “Vou soltar sua boca,” — ele murmurou, mais baixo agora, o tom grave amaciado. — “Mas você tem que me prometer que não vai gritar, Por favor.” A mão começou a se afastar devagar. Como se ele estivesse testando sua alma. A testa dele encostou na dela, a respiração quente contrastando com o frio da noite, com o vento salgado que batia na pele. O momento era tenso, Intenso, Silencioso. O mundo parou, Agora, era só ela, Ele e o som do mar tentando apagar o fogo entre os dois.
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