Capítulo 15 - cavalheiro tosco

1077 Words
O silêncio entre eles era feito de trovões. Kalie respirava com dificuldade, a garganta apertada, os olhos cheios d’água, o peito subindo e descendo como o mar ao redor. A brisa cortava sua pele, arrepiava cada centímetro de seu corpo, e a boca vermelha, trêmula pelo frio, se abriu, carregando uma voz que mais parecia um trovão sufocado: — “Me diz quem é você, p***a…” — ela cuspiu as palavras, a raiva rasgando o ar entre eles. — “Você quer que eu fique aqui, brincando de casinha… sendo que você não me dá nada? Nada!” Ele recuou como se as palavras dela fossem lâminas. Seus ombros largos se curvaram, a respiração pesada ainda saindo pelas narinas. Molhado, selvagem, imenso. Mas agora… quieto E então, como se o nome tivesse vida própria, como se nunca tivesse sido dito em voz alta antes… — “Damon.” — ele disse, a voz grave e baixa como um segredo. — “Meu nome é Damon.” Ele se sentou na areia encharcada, os cabelos negros colando na nuca, o peito largo subindo e descendo com fúria contida. A máscara ainda cobria metade de seu rosto, mas os olhos estavam ali — nus, verdadeiros, sofrendo. Ela estava de pé, mas parecia desabar por dentro. O vestido vinho escuro colava-se à pele, pesado pela água salgada. O tecido escorregava pelas curvas dela, grudado em suas coxas desenhadas, revelando mais do que escondendo. O joelho ralado sangrava devagar, uma lembrança da queda, uma mancha carmim na noite. Ele olhou para ela E o mundo, por um instante, foi só isso: uma mulher morena com olhos de furacão e um homem ajoelhado na areia, ofegante, dizendo pela primeira vez quem ele é. Seus olhos se encontraram. Não havia mais gritos, Só aquela tensão primitiva, esse laço inexplicável, feito de medo, desejo, fúria e uma obsessão antiga demais para ser entendida. — “Agora você sabe meu nome, pequena.” — ele disse, encarando-a. — “E eu ainda quero a chance de te fazer ficar.” O céu começava a mudar de cor, do breu para o fogo suave, tingido em tons de âmbar e rosa, como se o universo também estivesse prendendo a respiração com o que acontecia ali. A luz do sol chicoteava o mar, refletindo nas ondas com um brilho quase c***l, como uma verdade vindo à tona. Kalie tentou dar um passo, Tentou Mas o tornozelo latejou e ela rangeu os dentes, o peso do corpo cedendo sobre a dor. O joelho revelava mais que um arranhão, era pele viva, aberta, tremendo E então… ele se ergueu. Damon Sem dizer mais nada, se levantou como uma maldita estátua grega esculpida em pecado, a pele molhada refletindo a luz que nascia, os músculos do peito, dos braços, do abdômen, todos pulsando com uma masculinidade quase primitiva. Ele deu um passo à frente. — “Eu vou te carregar de volta.” — sua voz saiu baixa, profunda, sem espaço para negação — mas com um carinho feroz que tremia a alma. Kalie, relutante, apenas acenou, Não tinha forças pra discutir, Não com aquele homem, Não agora. Ele se aproximou com uma delicadeza brutal, Uma fera domada só por ela, Ajoelhou-se à frente dela, devagar, como se cada gesto fosse calculado para não assustá-la. E então, com os bíceps rasgando o limite da pele, as veias saltando como rios sob tensão, ele a pegou nos braços, como se ela fosse feita de luz. Ela encostou o rosto em seu ombro instintivamente, o cheiro dele, terra, sal, calor, invadindo seus sentidos. Sem dizer mais nada, Damon caminhou. Pisava firme na areia n***a, voltando para a casa Como um guardião, como um predador, como um homem que pertencia a ela mesmo sem permissão. E Kalie? Kalie apenas sentia, Sentia tudo, A dor, o calor, o peso, o medo e… a maldita vontade de se perder ali mais uma vez. A casa parecia respirar com eles. O som das ondas do lado de fora se misturava ao som do silêncio entre Kalie e Damon, um silêncio denso, quente, carregado de tudo o que não era dito. Ele a colocou no sofá com uma gentileza que não combinava com seu corpo colossal. A ponta dos dedos dele, calejados e largos, tocavam a pele dela como se tocassem algo sagrado. Primeiro os joelhos. Ele ajoelhou-se à frente dela novamente. — “Vamos cuidar disso primeiro.” — murmurou, quase rouco. Pegou um pano limpo, um antisséptico, e quando a substância ardeu, ela contraiu o corpo involuntariamente. Ele levantou os olhos e seus olhares se encontraram. Queimavam. Como se estivessem presos em um fogo que nenhum dos dois sabia apagar. Ele não disse nada. Mas os olhos… os olhos diziam: “Você não faz ideia do que me faz sentir.” Damon passou os dedos com suavidade pela perna dela, recolhendo com cuidado a barra do vestido até o local ralado. — “Você precisa de pontos?” — perguntou num sussurro mais para si mesmo do que pra ela. Ela negou com a cabeça, a voz engasgada no peito. Ele continuou. Com a ponta dos dedos. Com o olhar devorando cada detalhe. A tensão entre os dois era como um fio esticado prestes a romper. Kalie, ainda ofegante, quase num sussurro, disse: — “Eu… preciso avisar meus amigos que estou bem. Eles devem estar preocupados. Eu simplesmente… saí da festa… bêbada. Eles devem estar…” Damon parou. Seu maxilar travou. Ele respirou fundo, e aquela respiração era quase um trovão abafado. — “Não posso dar nada a você agora.” — ele disse, com uma dor latente na voz. — “Você fugiu de mim. Se machucou no processo. E cá estou eu… cuidando de você.” Ele se levantou devagar, o pano ainda em mãos. Foi até o balcão, pegou o celular dela — o maldito aparelho que ela quase morreu tentando recuperar. O encarou por um segundo. E voltou pra ela. Sentou-se à frente dela, com o olhar sombrio e revelador. — “Se eu te der isso…” — estendeu o celular lentamente, mas sem soltar — “…você vai ligar pra polícia?” O tempo parou. A luz da manhã cortava o vidro, desenhando a silhueta dele — forte, intocável, feroz. Os dedos dele ainda seguravam o aparelho. O olhar, cravado nos olhos dela, cheio de desejo contido, de raiva de si mesmo, de medo de perdê-la.
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