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MEU CASAMENTO É UM CONTRATO COM UM NOIVO EM COMA

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Eleonor sempre soube que sua vida girava em torno de uma única pessoa: seu pai. Desde que a mãe os abandonou quando ela ainda era um bebê, foram apenas os dois contra o mundo. Ele trabalhou até a exaustão e criou a filha com dignidade, sacrificando a própria vida para garantir que nada lhe faltasse.

Agora, aos quarenta e três anos, o coração dele está falhando.

Quando os médicos anunciam que ele precisa de uma cirurgia cardíaca urgente para sobreviver, Eleonor descobre que o plano de saúde da empresa onde ele trabalha não cobre o procedimento. Sem dinheiro e sem alternativas, ela vê a única pessoa que sempre lutou por ela escorregar lentamente para a morte.

No mesmo hospital onde trabalha como atendente de uma lanchonete, Eleonor conhece Norma Jeane Santin, uma mulher elegante que acabou de sepultar o marido após um grave acidente de carro. No mesmo acidente, o filho de Norma, Patrick MacDougall Santin, herdeiro e vice-presidente das empresas da família, ficou em coma.

Enquanto Eleonor luta para salvar a vida do pai, Norma enfrenta outra batalha: proteger o império empresarial que seu marido construiu. Com Patrick inconsciente e os acionistas tentando tomar o controle das empresas, ela precisa de uma solução imediata para garantir que o lugar do filho não seja usurpado.

É então que Norma faz uma proposta impensável.

Um casamento por contrato.

Se Eleonor aceitar se casar legalmente com Patrick enquanto ele está em coma, Norma garantirá que a cirurgia que pode salvar a vida do pai dela seja realizada.

Desesperada e sem outra escolha, Eleonor aceita.

O casamento acontece de forma silenciosa dentro do hospital, por procuração. O médico responsável e uma amiga da lanchonete são as únicas testemunhas daquele acordo que une dois destinos marcados pela dor.

Mas para Eleonor, aquele contrato não é apenas um papel assinado.

Todos os dias, depois de terminar seu turno na lanchonete, ela visita o pai… e depois segue até o quarto onde Patrick permanece imóvel, preso em um silêncio profundo. Sentada ao lado da cama, ela passa a falar com ele como se ele pudesse ouvi-la.

Ela conta sobre seu dia. Sobre o medo de perder o pai. Sobre a esperança de que ele acorde e retome sua própria vida.

— Eu espero que você me perdoe — ela sussurra certa noite. — Eu aceitei esse casamento para salvar meu pai… mas sua mãe também precisa de você. Então acorde. Por favor.

O que ninguém imaginava era que aquelas visitas diárias, aquelas conversas sussurradas e aquela presença constante começariam a atravessar o silêncio do coma.

E que, às vezes, o coração encontra caminhos inesperados para voltar à vida.

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####PRÓLOGO
A bruma da incerteza pairava no ar sufocando a esperança que ousava juntar forças dentro de mim. O cenário do consultório, com suas paredes esbranquiçadas e o eco dos suspiros entrecortados do meu pai enfermo, parecia encolher a cada palavra do respeitável Dr. Campbell. Seus olhos, serenos como um jardim em repouso, denotavam a magnitude do dilema que se desenrolava diante de nós. O pai, símbolo de vigor e bravura, jazia inerte sob os lençóis pálidos da enfermaria como um rei deposto em seu próprio reino. Era como se a sombra da morte ousasse rondar —seu leito antes mesmo que as mãos da medicina se erguessem em seu favor. Palavras escorriam dos lábios do doutor como sinos tocando um lamento solene. —Uma cirurgia cardíaca, urgente, um ultimato das artérias que se rebelaram no silêncio traiçoeiro do coração. A tragédia se desenhava ante meus olhos, c***l e implacável como a própria inevitabilidade. — —Meu pai, com a inteireza dos seus quarenta e três anos, agora dependia de um fio de esperança para romper as amarras da mortalidade. "Eu avisava para ele...", a voz embargada escapou dos meus lábios, abraçando a angústia que me abraçava com força sufocante. — Palavras soltas, frágeis tentativas de desafiar o destino que agora, impiedoso, se revelava diante de mim. O eco de um passado de labuta e acalentos, de afetos entrecortados pela urgência do tempo, reverberava nos cantos daquela sala impregnada de fragilidade. A determinação do doutor resonava como um eco distante, uma promessa de salvação em um mundo marcado pela iminência da perda. —A fragilidade da vida se desenhava em todos os detalhes, nas mãos trêmulas que se amarraram à esperança como marinheiros em uma tempestade impiedosa. Ao sair do consultório, o corredor do hospital me acolheu como um refúgio solene, um labirinto de incertezas e anseios que se misturavam sob a luz trêmula das lâmpadas impotentes. —Meus passos ecoavam a cadência melancólica, imitando meus sentimentos. Ao adentrar a lanchonete, o aroma sutil de café fresco era um leve consolo em meio à turbulência de emoções contidas. —Samantha minha colega, com seus olhos perspicazes e alma atenta, identificou de imediato o peso que Eleonor carregava em sua mudez solene. — Eleonor… o que infortúnio perturba o brilho em teu olhar? Teu amado pai, num acirramento de aflição? As palavras desencadearam torrentes de aflição represadas, e o pranto transparente começou a trilhar caminhos desejosos pela liberdade. — Não… não é somente isso… — a voz dela m*l se erguia da tristeza que a envolvia. — Meu pai… a necessidade urgente desubmeter-se a uma cirurgia cardíaca. Silenciosa, sua companheira de ofício se tornou cúmplice das preocupações que se acumulavam. — O seguro não cobre o procedimento? O silêncio tangerino moveu-se entre elas, testemunha muda de desolação. — Se não o fizer… — as palavras estacaram, vacilando no precipício do inimaginável. E assim, em meio aos grilhões da angústia, uma voz etérea intercedeu. — Um suco de laranja por favor: gentilmente solicitado Uma figura luminosa, vestida com elegância atemporal, distinta pela aura de mistério, interpelou o âmago de Eleonor. — A senhora elegante e de presença, carregava consigo o peso de desventura que a vida infligir, moldando sua fala com a empatia dos que padecem. E ali, naquela lanchonete repleta de cheiros e sabores indiferentes, eu me senti acolhida, amparada por laços invisíveis de amizade e empatia. — No meio da dor e da incerteza, uma luz se acendeu em meu peito, aquecendo minha alma e lembrando-me de que, mesmo nos momentos de maior aflição, não estamos sozinhos. — Nos braços uns dos outros, encontramos a força para enfrentar as tormentas da vida e emergir, juntos, do outro lado do abismo. Espero que o médico consiga a cirurgia de seu pai. —Aquela frase simples aqueceu algo dentro de mim. — Eu também espero, esperança e fé são minhas únicas companhias. Ela me observou por mais um instante antes de perguntar: — Qual é o seu nome, querida? — Eleonor, mas todos me chamam de Ella. Eu toquei o crachá preso ao meu uniforme. A senhora sorriu suavemente. — É um nome muito bonito. Nesse momento, o celular dela começou a tocar. Ela olhou para a tela e atendeu imediatamente. — Como é? A expressão dela mudou. — Uma reunião extraordinária… sem a minha presença? O tom da voz dela se tornou firme. — Estou indo agora. Ela desligou, terminou o suco de uma vez e colocou o dinheiro no balcão. Antes de sair, olhou novamente para mim. — Tenha fé. Eu assenti. — Eu espero que dê certo essa reunião que a senhora está indo resolver. Ela pegou a bolsa com tranquilidade. — Vai dar certo, sim. Então se virou e caminhou em direção à saída da lanchonete. Eu fiquei observando enquanto ela desaparecia pelo corredor do hospital. Sem saber que aquela mulher acabara de entrar na minha vida. E que, a partir daquele momento, nada mais seria igual.

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