O silêncio veio depois da comemoração. Sempre vem. É curioso como a euforia nunca dura. O barulho some, os copos vazios ficam espalhados como corpos depois de uma batalha, e o que sobra é só o eco das decisões que você tomou quando estava bêbado de poder. Eu estava sozinho no escritório naquela manhã. As cortinas de vidro deixavam a luz cinza entrar, refletindo nos monitores ainda ligados, mapas, códigos, linhas de rastreamento que agora já não serviam para nada. A safira estava novamente fora do alcance da polícia — oficialmente, ao menos. Liguei a televisão mais por hábito do que por interesse. Canal de notícias. Sempre o mesmo tom alarmista, sempre as mesmas palavras jogadas ao vento: crime organizado, fraude, esquema sofisticado, polícia enganada. Um canto da minha boca se ergueu,
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