Capítulo 7

928 Words
A casa era impressionante, com suas fachadas de pedras e janelas amplas. Localizada no topo de uma colina, parecia mais uma fortaleza do que uma residência. Assim que passou pelos portões, Amara viu os muros altos e o sistema de segurança reforçado fizeram mais do que proteger os moradores, eles impediram qualquer um de sair sem permissão. Ela desceu do carro, olhando ao redor com desconfiança. Samael saiu do veículo em seguida, parecendo indiferente à magnitude da propriedade. — Bem-vinda ao seu novo lar. Amara soltou uma risada amarga, cruzando os braços enquanto o encarava. — Lar, doce lar. — Ele ignorou o sarcasmo e começou a caminhar em direção à entrada principal. – Entre. Eu vou te dizer o que precisa saber. Por dentro, a casa era ainda mais magnífica. Lustres de cristal pendiam do teto, e as peças e obras de arte a faziam se sentir em um museu. — Este lugar parece mais uma prisão do que uma casa. — Ela murmurou enquanto o seguia pelo corredor. Samael parou de repente e se virou para ela. — Uma prisão? — Ele deu um sorriso de canto, aproximando-se lentamente, Amara odiava essas aproximações. —Talvez. Mas lembre-se, Amara, aqui dentro, você terá mais poder do que imagina. Só precisa aprender a usá-lo. Ela ficou em silêncio, tentando entender o que ele queria dizer, Amara semicerrou os olhos com desconfiança, mas como não conseguiu lê-lo, desistiu e passou direto por ele. Amara avançou pelo corredor observando o lugar opressivo que ele chamava de "lar". Samael, entretanto, a seguia calmamente, com as mãos nos bolsos e um sorriso de canto que parecia dizer que ele gostava da sua resistência, embora ele não admitisse isso nem para si próprio. — Não se apresse tanto, docinho. Ainda temos muito o que conversar. — Ele falou com sarcasmo. Ela parou no meio do caminho, virando-se para encará-lo. — Conversar? Você não parece querer conversar, Samael. Você quer passar suas ordens. Ele riu baixo, inclinando a cabeça enquanto a observava. — Talvez você tenha razão. — Ele deu alguns passos na direção dela. — Mas com você, as coisas parecem... diferentes. — Amara ergue uma sobrancelha e cruza os braços como forma de proteção. — Diferentes como? — Você me desafia. — Ele parou a poucos passos dela, se inclinando progressivamente para sussurrar. — É quase encantador, se não fosse tão irritante. Ela deu uma risada curta e sem humor, se inclinou para ele como se fosse devolver a provocação. — Encantador ou irritante, docinho, não estou aqui para agradar você. Ele ficou em silêncio, os olhos fixos nos dela. Havia algo naquele olhar que a deixava inquieta, ela não conseguia decifrar completamente. — Ótimo. — Seus olhos desceram para os lábios dela por um milésimo de segundo, então se afastou. — Porque se tivesse essa intenção, não duraria um dia nesta casa, você não conseguiria me agradar nem se fizesse muito esforço. — Ele caminhou, retomando o caminho pelo corredor. Amara apenas revirou os olhos. Quando chegaram a uma sala ampla com uma longa mesa de madeira escura, Samael fez um gesto para que ela se sentasse. Amara pensou um pouco e acabou cedendo, se acomodou na cadeira enquanto ele tomava o lugar à cabeceira. — Então? — Ela perguntou, tentando esconder o desconforto. — O que você queria dizer com "aprender a usar o poder"? Samael apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos enquanto a observava com atenção. — Quero dizer que, aqui dentro, as coisas funcionam de maneira diferente. Você não é apenas minha esposa, Amara. Você é um Vittore agora. Isso vem com responsabilidades... e privilégios. Ela estreitou os olhos, tentando entender o que ele estava insinuando. — Responsabilidades? Privilégios? Achei que eu era só um peão para você. — E é isso que torna tudo interessante. — Ele se inclinou para frente, a intensidade no olhar a fez se remexer na cadeira. — Um peão que sabe jogar pode mudar o tabuleiro inteiro. Amara riu com deboche, balançando a cabeça. — Não me venha com filosofias, Samael. O que você realmente quer de mim? Ele a estudou por um longo tempo antes de responder, com sua voz baixa e controlada. — Quero que você entenda o que está em jogo aqui. Não somos apenas uma união. É o equilíbrio entre duas famílias inteiras. Se você for briga ou ceder... tudo desmorona. — Então, basicamente, eu sou sua garantia de que tudo continua no lugar? — Ela perguntou com um sorriso irônico. — Não exatamente. — Ele sorriu de volta, mas o dele era mais sombrio, talvez aquele homem nunca tivesse sorrido de verdade - pensou Amara. — Você é minha parceira, goste disso ou não. Amara estreitou os olhos, se inclinando na direção dele. — E o que acontece se eu não quiser jogar esse jogo ao seu lado? Samael deu uma risada baixa, encostando-se na cadeira. — Isso depende, amor. Quer descobrir? Ela sentiu um arrepio na espinha, mas não desviou o olhar. — Talvez. Ele sorriu novamente, como se apreciasse a provocação. — Então espero que você esteja preparada. Esta guerra é mais perigosa do que você imagina, principalmente se não está do lado vencedor. Amara segurou o olhar dele por um momento antes de se levantar abruptamente. — Perigoso ou não, eu não pretendo perder. Ela saiu da sala, deixando Samael sozinho, mas ele não pareceu incomodado. Pelo contrário, o sorriso em seu rosto indicava que ele estava se divertindo muito. — Nem eu, docinho. Nem eu. — Ele murmurou para si mesmo.
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