Amara estava sentada na cama com o laptop pousado mas pernas quando Samael entrou. Ele trancou a porta e sentou de frente para ela, como Amara ignorou a presença dele e continuou com os olhos focados na tela, Samael tirou de suas mãos e colocou o objeto de lado, recebendo um olhar de repreensão.
— Faça as malas, vamos nos mudar para a nossa casa.
— Nossa casa?
— Não posso continuar dormindo em um sofá para sempre e também não me sinto à vontade para continuar vivendo aqui, depois de casado. — Principalmente por temer a influência de Ariela, sobre a esposa que já parecia bem difícil de lidar.
— Não gosto dessa história... — Ela fala e franze toda a sua expressão.
— Que história mulher? — Samael pergunta vendo-a fechar o laptop e se levantar andando em direção ao armário para guardá-lo.
— Mudar de casa. — Ela responde de costas para ele. — Isso está parecendo a chance perfeita para você agir como quiser sem ninguém por perto.
— O que você está querendo dizer? Para de falar em códigos que isso tira minha paciência. — Amara se virou para ele e cruzou os braços imitando a postura do marido.
— Estou dizendo que parece bem conveniente para você me tratar como quiser e fazer o que quiser longe dos olhos de todos. — Samael deu uma risada amarga, sem dúvida ele tinha uma esposa com senso de humor.
— Eu posso fazer o que eu quiser e te tratar como eu quiser, baby. — Disse a última parte com ironia. — Acha que alguém nessa casa iria me impedir?
Amara estreitou os olhos ao ouvir o tom provocador de Samael. Ele era arrogante, isso era inegável, mas ela não tinha intenção de se deixar intimidar.
— Talvez ninguém te impeça aqui, mas pelo menos tem olhos suficientes para te lembrar de tomar cuidado. — Sua voz era dura, mas havia um pequeno tremor que ela tentou disfarçar.
Samael se aproximou, caminhando lentamente até parar a poucos passos dela. A forma como ele a encarava era quase hipnotizante, mas Amara manteve a postura, mesmo quando sentiu o oxigênio ao redor parecer mais pesado.
— Tomar cuidado? — Ele inclinou a cabeça com os lábios se curvando em um sorriso frio. — Amara, eu sou o dono deste jogo. Não há ninguém aqui ou em qualquer outro lugar que tenha poder ou coragem suficiente para me desafiar.
Ela deu um passo para trás, mas sua determinação permaneceu intacta.
— Talvez você seja o dono do jogo ou de qualquer mërda que quiser, senhor Vittore, mas eu não sou uma peça que você pode mover sempre que tiver vontade.
Samael soltou uma risada baixa e seca, cruzando os braços novamente enquanto a observava.
— E o que você acha que é, então? — Sua voz era ameaçadora, mas havia um traço de curiosidade genuína na pergunta.
— Sou alguém que não tem nada a perder. — Amara ergueu o queixo, determinada a não desviar o olhar. — E você sabe que pessoas assim são as mais perigosas.
A resposta dela o pegou de surpresa, sem dúvida era uma ameaça. Ele não esperava ter uma esposa com a audácia de confrontá-lo, mas ameaçar ele dessa forma era ousadia demais para alguém tão pequena.
— Perigosa? — Samael deu um passo mais perto e ela deu outro para mais longe, sua presença era quase sufocante. — Você ainda não viu perigo de verdade, Amara. Mas não se preocupe. Vai ter bastante tempo para entender como eu trabalho.
Ele virou as costas para ela, andando até a porta com calma.
— Faça as malas. Sairemos pela manhã. — Ele parou, olhando para ela por cima do ombro. — Ah, e não se preocupe. Não vou te tratar como quiser. Isso seria muito fácil. Vou tratá-la exatamente como você merecer.
Samael saiu, deixando a porta se fechar atrás de si, as palavras dele pareceu uma ameaça disfarçada para ela.
Amara suspirou aliviada. Ela sabia que Samael era perigoso, mas também sabia que ele subestimava o quanto ela estava disposta a resistir.
Na manhã seguinte, passos se aproximavam pelo corredor enquanto Amara terminava de fechar sua última mala. Ela olhou ao redor do quarto, sentindo que entraria em colapso a qualquer momento ao perceber que estava prestes a deixá-lo.
Samael entrou no quarto sem bater, usando um terno escuro. Ele olhou as malas prontas ao lado da cama e concordou, satisfeito.
— Pelo menos isso você sabe fazer rápido. — Amara bufou, ignorando o comentário.
— Onde fica essa tal casa?
— No topo da colina Vittore. — Ele respondeu como se fosse óbvio. — O lugar onde você terá toda a privacidade que precisar. — Ela estreitou os olhos e respondeu com sarcasmo.
— Privacidade é uma palavra muito bonita para confinamento.
Samael caminhou até ela e se inclinou para pegar uma das malas. Ele estava muito perto, os olhos fixos nos dela.
— Privacidade ou confinamento, Amara... depende de como você decidir usar a chance que vou te dar.
Ele se endireitou e saiu do quarto, levando uma das malas consigo. Amara o seguiu corredor com tristeza, sentindo um nó no estômago. Ele jogava com palavras como jogava com as pessoas ao seu redor, frio, calculista e sempre com um objetivo em mente.
Mas tudo bem, Amara está disposta a aprender as regras do jogo dele. Ela teria suas próprias cartas para jogar, e estava determinada a encontrar um modo de virar esse jogo a seu favor.