Capítulo 4

885 Words
Amara Delucci entrou na recepção do casamento com passos pesados, usando um top rosa curto e uma calça jeans colada. Seu salto alto se ouviu pelo salão, atraindo olhares. Apesar da simplicidade de sua roupa, ela exalava confiança. Não era o traje mais convencional para uma recepção de casamento, mas Amara não estava preocupada. Se Samael Vittore, seu futuro marido, tivesse algo a dizer, ela estaria pronta para ouvir. Ao avistar Samael, seu coração deu um salto involuntário. Ele estava impecavelmente vestido de prëto, uma camisa abotoada parcialmente aberta, dando a ela um vislumbre de seu peito. A combinação de sua postura relaxada e olhar sério parecia cuidadosamente calculado para intimidar quem chegasse perto. Seus cabelos penteados com para trás e os mocassins igualmente prëto e possivelmente muito caros completavam a aparência. Mesmo de longe, era impossível ignorar o magnetismo que emanava dele. Quando ele começou a caminhar em sua direção, Amara observou a expressão no rosto dele, fria, distante, e totalmente neutra. Não havia nem a sombra de um sorriso naquele rosto. "Será que ele já me odeia sem nem ao menos dizer uma palavra?" pensou ela, revirando os olhos internamente. Samael se aproximou e, sem cerimônia, segurou seu pulso. Ele colocou um anel de casamento na palma de sua mão com uma indelicadeza que beirava a rudeza. – Aqui. Devemos assinar o contrato de casamento em breve. Amara abriu os lábios em frustração enquanto ele se afastava, indo na direção de Araciel, o irmão e aparentemente o futuro braço direito dele. Samael sequer olhou para trás. A audácia de ser tratada como um acessório fez inflamar algo dentro dela. Ela não seria um fantasma em sua própria vida. Segurando o anel com força, Amara caminhou decidida até eles. Os saltos faziam barulho no chão de mármore, chamando a atenção não apenas de Samael, mas também de Araciel e outros presentes. Apesar de sua baixa estatura, ela pareceu gigante diante dos homens imponentes ao redor. — Qual é a sua cor favorita, futuro marido? — ela perguntou com um sorriso amplo, cruzando os braços enquanto encarava Samael. Ele arqueou uma sobrancelha, intrigado pela súbita ousadia dela. — Perdão? — Bem, se vamos ser casados, acho que deveria saber pelo menos algo sobre você, certo? Samael respirou fundo, mas não respondeu a pergunta. Amara viu um pequeno sorriso no rosto de Araciel, que assistia à conversa como se fosse sua comédia pessoal. Mantendo-se firme, ela segura o olhar intenso de Samael, determinada a não desviar primeiro, mesmo que ele seja absurdamente intimidante. — Este é um casamento de negócios, Amara. Não tenho interesse em conhecê-la. Sugiro que você também não tenha em mim. As palavras saíram com um rosnado contido, mas ainda assim, Amara não recuou. Em vez disso, deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Seus olhos brilharam com aquele desafio que ele planejava tirar. — Antes de você pegar minha mão e me arrastar para assinar aquele contrato, deixarei uma coisa clara. — A proximidade entre eles tornou o momento ainda mais perigoso. Samael estreitou os olhos, mas Amara manteve a posição. — Eu não sou uma de suas marionetes, nem vou te seguir como um cachorrinho. Se você vai ser meu marido, vai me respeitar e me tratar como um ser humano, posso receber ordens dos meus pais, mas não serei submissa à você. Caso contrário, vou fazer você se arrepender a cada dia por colocar sua assinatura naquele papel. Samael piscou, surpreso. Ele não estava habituado a ser confrontado, muito menos por alguém com o olhar de fogo que Amara lançava. Por um breve instante, um sorriso ameaçou surgir em seus lábios antes de ele mascará-lo novamente. — É melhor vestir algo decente, esposa — ele respondeu, com a voz cheia de sarcasmo. — Está na hora. Amara sentiu o sangue ferver e teve que se segurar para não lhe dar uma resposta afiada. “Filho da püta”, pensou, enquanto seguia até a próxima sala, onde os contratos os aguardavam. Samael observava Amara de longe enquanto ela conversava com alguns convidados. Ele não podia negar que ela era bonita, e que isso despertava algo nele. Ela era exatamente o oposto do que ele esperava de uma noiva arranjada, destemida, determinada e com uma língua afiada que ele adoraria chüpar. — Ela vai ser difícil de lidar — murmurou Araciel ao lado dele, enquanto tragava seu cïgarro. Samael deu de ombros, desviando o olhar de Amara. — Não preciso que seja fácil, só funcional. — Você tem certeza disso? Acho que ela vai te dar um trabalho desnecessário e não acho que poderá controlar essa ali algum dia. Samael fechou a mandíbula ao ouvir que ele não poderia alguma coisa, é claro que ele poderia ter e fazer o que quisesse. — Ela não será problema, gosto de um bom desafio. Araciel arqueou uma sobrancelha, cético. — E se você se apaixonar por ela? Samael soltou uma risada curta e amarga, balançando a cabeça. — Apaixonar? Não preciso de mais erros na minha vida, Araciel. Mesmo enquanto dizia isso, ele não conseguiu evitar olhar novamente para Amara. Havia algo nela que o chamava, algo que ele ainda não conseguia entender. “Isso será interessante”, pensava, enquanto um sorriso involuntário ameaçava se formar em seus lábios.
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