D A L A M O N C O S T T A

1415 Words
Tomei rumo ao balcão de bebidas e pedi um champanhe para a minha acompanhante e um Whisky para mim. Segui com os meus olhos dentre as pessoas num intuito de a encontrar, o que não consigo. Senti um aperto estranho no peito e fui para os fundos no Jardim segurando os copos, um em cada mão. As flores estavam de certa forma encantadoras, mas algo nelas havia se perdido, como o vigor das cores, como se elas estivessem se desbotado gradualmente. Sentindo falta de algo, mas não sabendo o quê. Retornei para festa. Algumas pessoas ainda dançavam animadas, outras estavam jogadas pelos cantos devido aos efeitos do álcool. Procurei por meu pai, mas assim como a minha dama dos olhos azuis profundos ele não se encontrava. Por esta razão, caminhei para as escadas num intuito de encontrar quem quer que fosse. Virei para o lado dos quartos e a cada passo meu peito doía de uma forma angustiante ao qual nem eu mesmo consegui entender os motivos. Andei mais um pouco já podendo ver a porta de um dos quartos abertos. A luz fluía entre a a******a iluminando o meu caminho. Já próximo dela me vi lutando para a abrir, o coração estava acelerado, tinha algo de errado por ali. Concluiu ao notar que ninguém respondeu as minhas batidas sobre a porta que se mexeu para frente de forma suave. O que haveria  de errado em abrir uma simples porta? Consegui ver que o quarto do meu pai estava vazio, encorajei-me ao máximo para dar o primeiro passo e assim, o faço tendo uma melhor visão do ambiente. O abajur estava aceso sobre uma pequena mesinha ao lado do grande sofá, as cortinas estavam abertas de maneira estranha. O ar da brisa entrava livremente pelas portas de correr que estavam também abertas de forma suspeita. Os meus olhos foram novamente para a cama, ela estava com lençóis cinzas, os mesmos desde a partida da minha mãe. Ao lado o criado mudo da cor marrom envernizado do mesmo modo que a cama e ao lado dele as estantes de livros que eram da minha mãe.  Ela amava aquele local como também adorava o seu Jardim. Podia até vê-la sentada na sua poltrona banca com uma pilha de livros ao seu lado que eram seus romances/mistérios favoritos. Tornei a olhar para as portas abertas e segui os meus olhos para o chão. Ali estava uma pequena poça de cor escarlate que fez o meu coração parar e as minhas veias ficarem geladas, com a respiração lenta caminhei a passos curtos me aproximando cada vez mais  dos pés da enorme cama. Cada passo que eu dava via ali no chão aparecer partes de roupas que o meu pai estava usando na festa. Primeiro foram os sapatos, depois vi a extensão da calças social que tinha um pouco do mesmo líquido no chão respingados sobre o mesmo. Após isso a camisa também social um pouco aberta na região do peito revelando um corte profundo onde fluía o mesmo líquido. — Não... Pai! — o seu rosto já estava sem cor e os olhos azuis como os meus sem o brilho da vida. Aproximei-me vendo ao lado do corpo a arma do crime. Um punhal do cabo detalhado em forma de dragão. Peguei o corpo dele sobre os meus braços e segui para o salão para poder conseguir pedir por ajuda.  Já nas escadas, todos me olham com pavor, as minhas lágrimas caíram de forma vergonhosa na frente dos íntimos de meu pai. — Por favor, alguém ajude! É o meu pai... — um dos homens mais ricos e também braço direito do meu pai pega o telefone e disca um número qualquer. Gradualmente as pessoas que estavam cochichando sobre o ocorrido começaram a ir em bora. Sem ao menos eu notar, estava sozinho. Já não sentia a mim mesmo, estava vazio, um inútil. O meu pai ali nos meus braços, deveria ter aproveitado mais... Ter insistido nas reuniões em família. — Senhor Costta, precisamos levar o corpo. — um homem mediano vestido de jaleco branco diz. Apertei-me mais no seu corpo frio, percebendo que ali seria a nossa última vez para nos despedirmos. — Vai ficar tudo bem pai. O senhor vai ver. — acaricio um pouco os cabelos loiros do meu pai e deixo um beijo eterno na sua testa. Permiti que os levassem de mim. Agora só me resta despedir das minhas lágrimas e entrar em ação. Quem quer que fosse o indivíduo a ter tocado num único foi fio de cabelos de meu pai, se arrependerá amargamente pelo que fez. Convicto disto, resolvi ligar para a pessoa que poderia me ajudar, o mais íntimo amigo e colega de trabalho. — Sebastian, quero que esteja aqui em meia hora. — sem mais prolongar desligo a chamada, mesmo sabendo que o torrão do Sebastian viria atrasado de propósito dizendo: — " Só funciono depois de meia hora de sono, então não reclame.” Poderia ri com isto se não estivesse sem luz no momento, agora, não sabia se ele era sentimental por natureza ou se era eu o coração de pedra. Subi para o meu quarto, mas no caminho retornei até a porta que passei com o meu pai nos braços. Entrei e resolvi tirar as minhas próprias conclusões. O meu pai antes mesmo de partir, antes da sua festa começar, alertou-me de possíveis inimigos que queriam a sua cabeça. Posso entender claramente agora. Tenho até sobrenomes, referências de alguns criminosos que estão em cadeias de alta segurança... Todos os corruptos, que odeiam a minha família. Portanto, os indícios indicam-me ser um inimigo mais perigoso. Notei marcas de sapatos femininos no local, bem perto de onde estendia o corpo. Mais alguém esteve ali. Foi aí que me lembrei, Alexandre nunca deixaria os cômodos sem uma câmera escondida. Procurei por lugares menos prováveis podendo a encontrar num lugar tão óbvio que qualquer um menos treinado poderia achar. Fui direto à sala de vigilância, com o equipamento em mãos, desejando tirar essas dúvidas de uma vez por todas. Conectei um cabo no aparelho e a outra ponta coloquei na entrada do notebook já programando para ver as últimas gravações desta noite. A imagem aparece meio fosca, depois vejo aquelas curvas que toquei antes de a deixar sozinha. Ela entrava no quarto, vi o meu pai de costas olhando através das portas de vidro ainda fechadas. Ela chega mais perto, mas ainda assim não consegui ver o seu rosto, ela segurava o mesmo punhal e num movimento rápido ao perceber que o meu pai a olhava ela cravou a lâmina no peito dele. O seu corpo vai num baque surdo até o chão, ao que vejo aqueles olhos... num azul tão penetrante. Minha alma se espedaçou, caindo junto com o corpo. — Não, isto não faz sentido. — disse agarrando os fios de cabelos na lateral da cabeça.  Precisarei demais provas, mas saberia muito bem o que teria que fazer. O dever será protegê-la, mas para isto, terá de ser necessário fazer algo que irá cortar o seu coração em pedaços. Porque a pessoa que matou o meu pai, é mais esperta do que poderia imaginar. Um assassino frio e calculista, um especialista para dizer a verdade e aquele punhal significava algo, talvez um aviso como "ameaças" a mim. — Dalamon. — Sebastian entra sem avisos prévios. Olhei para ele que estava de pé a minha frente, sorri fraco e sinalizei com a mão para que ele puxasse mais uma cadeira e sentar-se ao meu lado na mesa, assim ele o faz. — A pessoa que mandou matar o meu pai é altamente perigoso. Eu preciso que esta moça esteja em segurança, vai ser necessário a levar em julgamento, o quanto mais rápido acontecer, melhor. — Mas, não seria melhor colocar seguranças para a vigiar? — Não é possível. Essas imagens foram adulteradas, uma ameaça implícita, o assassino me viu com ela e acredita que Violet seja importante para mim. — Esperto. — Sebastian resmunga.  Eles a incriminaram sabendo que eu estava com ela nos jardins, como uma ameaça para mim e também é um perigo para ela. — Fora que havia repórteres na festa. Há essas horas deve ter algum artigo rodando por ai. Sebastian concorda ficando em silêncio. Pesquisei os seus dados pessoais e os entreguei para que Sebastian pudesse fazer o seu serviço de despistar a mídia e já pedir a prisão da garota. Era o único jeito.
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