Capítulo 03 - Seu namorado.

1821 Words
Fechei os olhos com força, sentindo a vergonha ganhar cor nas minhas bochechas. Qual é universo? Isso é alguma piada com a minha cara? Eu juro que nunca estraguei o sonho de nenhuma criança dizendo que o papai Noel não existe! Então, por que está fazendo isso comigo? Eu realmente não sabia o que fazer naquele exato momento... Sair correndo e fingir que isso não passa de um sonho é uma boa solução? Talvez. - Quem são vocês? - ouvi o Felipe perguntar mas não tive coragem de o encarar. Armário que dá acesso a Nárnia, onde está você quando eu preciso? - Eu sou o Gui. - Guilherme é o primeiro a cantarolar e eu arregalo os olhos. - Ah, não. - os encarei séria já sabendo o que viria à seguir. Eles não vão mesmo fazer isso aqui! Em um lugar público onde já havia algumas pessoas nos olhando. Céus, por que a porta parece tão distante nesse momento. - E eu sou o Bruno. - Vocês vão mesmo fazer isso? - perguntei vendo o Bruno e o Guilherme começarem a fazer uma dancinha. - Eu sou a Lia! - Vocês sabem que nós estamos em um lugar público, né? - perguntei olhando em volta notando algumas pessoas nos encararem. Por que eu não posso ter amigos normais? - E meu nome é Luan! De repente os meus quatro melhores amigos me olharam com uma cara esquisita e eu respirei fundo antes de cantarolar sem vontade alguma: - Eu sou a Malu. - E NÓS SOMOS... - eles se prepararam para cantar e eu senti o desespero se apossar do meu corpo -... SEUS AMIGUINHOS, OS BACKYARDIGANS! JUNTOS NÓS SOMOS OS BACKY... - PAREM! - gritei chamando a atenção deles - Isso não é um musical da broadway! E está tudo bem aqui! O Felipe não é do m*l! Foi apenas um m*l entendido! - Então ele é legal? - Bruno perguntou com um biquinho enquanto se balançava com os pés. - Sim! - E você não está correndo perigo? - Foi a vez do Luan perguntar com os olhos estreitos. - Não. - Ele não tentou te fazer nada? - Lia continuou o interrogatório. - Não. - Então, eu acho que não preciso ficar com essa arma na cabeça dele... - Guilherme abaixou a arma apontada para o Felipe, mas logo a ergueu de novo com os olhos estreitos - Ou preciso? - Não! Não precisa! - exclamei tirando a arma da mão dele. - Aff. - Guilherme revirou os olhos com a expressão entediada. - Por que vocês estão aqui? - A Lia disse que você estava correndo perigo. - Luan constatou o óbvio. Todos nos viramos para a Lia que sorria fofamente para nós. - Opa. - Opa? Só isso que você tem a dizer? - perguntei cruzando os braços. - Na verdade eu queria falar outra coisa. - ela fez um silêncio ficando séria - Paz. - ergueu dois dedos e saiu correndo para fora da cafeteria. Encarei os três garotos que estavam virados para porta onde a Lia acabara de sair, mas logo se viraram para mim com sorrisos fofos e correram para fora também me deixando sozinha com o Felipe que parecia estar se divertindo com as atitudes dos meus amigos. - Me desculpa por isso. - pedi passando a mão pelo rosto sentindo ele ainda um pouco quente - Juro que não entendo eles. - Seus amigos são engraçados. - ele sorriu me encarando e eu me remexi na cadeira incomodada com o seu olhar sobre mim. Droga! Por que ele tinha que ser tão intimidante? - É, meio que isso. - Então, por que você me adotou? - perguntou mudando totalmente de assunto enquanto se jogava para trás na cadeira e me olhava curioso. Respirei fundo me preparando para contar para ele o real motivo de eu ter o adotado. Eu poderia inventar uma história qualquer para não parecer tão patética diante a esse deus grego que me deixa nervosa apenas por respirar, mas acho que mentir só vai me tornar ainda mais patética, porque eu sou do tipo que me atrapalho e eu mesma acabo me desmentindo por acidente. - Meu ex namorado vai casar e me chamou para o casamento e como a maioria dos meus amigos são amigos dele, eu meio que tive que procurar um par no desespero. - despejei a verdade deixando meus ombros caírem. - Vocês estão há quanto tempo separados? - Alguns meses. - dei de ombros não querendo dizer exatamente quantos meses estávamos separados e vi o homem na minha frente arregalar os olhos surpreso. - Vocês estão separados apenas alguns meses e ele já está noivo? - Foi o que eu acabei de falar. - cruzei os braços com um bico nos lábios. Eu sei que isso é estranho! d***a, só Deus sabe o quanto eu surtei quando descobri que ele estava noivo. - Então você era...? - ele foi parando de falar enquanto erguia sua mão até o topo da cabeça. Meus olhos arregalaram quando eu vi o símbolo que ele estava fazendo. - Eu não sou corna! - gritei o que assustou ele e eu logo respirei fundo me recompondo - Eu não era corna, okay? - Okay, mas isso é muito estranho. - ele deu de ombros desviando o olhar e eu respirei fundo. - Você vai me ajudar, ou não? - perguntei estressada já com aquele assunto. - Claro que vou, daqui para frente, eu sou Felipe Martins, seu namorado. - sorriu pegando minha mão e deixando um beijo carinhoso no topo dela me deixando totalmente sem graça. Onde foi que eu fui me meter? - Okay. - falei incerta tirando minha mão da dele devagar. Não que eu não esteja gostando do toque dele, mas ver aquele sorriso sendo direcionada para mim, me deixava nervosa e o que eu menos quero é deixar minha mão suada sobre a dele, que eu orei para que ele não tenha percebido a tremida que ela deu quando ele beijou a mesma. - Mas para isso dar certo, eu preciso saber mais sobre você. - ele anunciou batendo a ponta dos dedos na mesa fazendo um barulho um pouco irritante que me lembrava muito a vilã do desenho Coraline e o mundo secreto. Dei de ombros enquanto olhava para a janela que havia quase ao nosso lado. - Eu não sou lá uma pessoa interessante. - respondi entretida em observar as pessoas que andavam pela rua. - Deve ter algo interessante em você, me conta como era sua relação com o... - ele parou de falar como se estivesse pensando - Como é o nome do seu falecido mesmo? - Falecido? - O olhei assustada. - Seu falecido namorado. - Ele não morreu! - murmurei confusa. - Mas vai casar, que é quase a mesma coisa. - Felipe deu de ombros com um sorriso brincalhão nos lábios. - Não é não! Ele vai continuar vivo. - E como é o nome dele? - Felipe perguntou apoiando o rosto em uma das mãos. - Gabriel. - murmurei baixinho como se alguém pudesse escutar e vi o homem na minha frente arregalar os olhos. - Gabriel Rodrigues? - ele perguntou surpreso. Foi a minha vez de arregalar os olhos e o olhar surpresa... Ele conhece o Gabriel? Mas como? - Você conhece ele? - Eu não acredito nisso! Seu ex namorado é Gabriel Rodrigues? - ele perguntou rindo enquanto negava com a cabeça - O mundo é pequeno mesmo hein. - Por que? De onde você conhece ele? - É uma longa história. - ele deu de ombros com o olhar vago na mesa - E estranhamente peculiar. Depois disso ele ficou divagando sozinho enquanto olhava a mesa. - Eu ainda estou aqui. - falei chamando a sua atenção para o meu rosto. - Ah é, desculpa. - ele riu encolhendo os ombros - Então, seu ex namorado se chama Gabriel e ele irá se casar daqui a muito pouco e... - Como você sabe disso? - interrompi ele com as sobrancelhas franzidas. - Isso não importa agora, o que importa é que ele te fez muito m*l não é? - perguntou me olhando com... pena? Ah, fala sério! Eu não estou tão m*l assim, okay?! - Acho que sim. - resmunguei cruzando os braços. - Então você irá se vingar dele! Nesse casamento, ele irá ver o mulherão que ele perdeu. - ele riu e desceu seu olhar pelo meu corpo - E coloca mulherão nisso. Arregalei os olhos e abracei meu corpo o olhando com uma careta ofendida. - Ei! Ele abriu a boca para falar algo mas foi interrompido pelo toque do seu celular e... Espera! Isso é Spice Girls? Ele olhou para tela do celular e fez uma careta quando viu quem estava ligando para ele. - Eu preciso ir. - Anunciou enquanto guardava o celular no bolso e se levantava da cadeira - Mas me manda mensagem nesse número. - ele pediu colocando um papel sobre a mesa. - Mas... - murmurei confusa vendo ele caminhar apressadamente até a saida do café me deixando sozinha na mesa - Ótimo. - resmunguei levando a xícara até meus lábios mas bufei quando lembrei que ela estava vazia - Alguém, pelo amor de Deus, me traga mais café, por favor! (...) - Ele conhece o Gabriel? - Lia perguntou com os olhos arregalados deitada na minha cama enquanto eu vestia o meu pijama. - Conhece. - exclamei vestindo minha camiseta de ursinhos. - Mas de onde? - Eu também não sei, ele não me disse, mas o estranho não foi só o fato dele conhecer o Gabriel, o mais estranho é ele saber a data do casamento dele. - divaguei prendendo meu cabelo em uma trança lateral. - Vai ver o Felipe é um amigo do Gabriel de longa data. - Não, isso é impossível, eu conheço todos os amigos dele. - lembrei me deitando ao seu lado na cama. - Talvez seja um amigo recente. - Liara continuou seu raciocínio dando de ombros. - É, talvez, mas eu não sei porque, mas eu tenho a impressão de que ele não é muito chegado no Gabriel. - murmurei me lembrando da expressão de cinismo que o Felipe fez quando eu mencionei o Rodrigues. - Inimigos, talvez? - Lia perguntou sentando na cama. - Tenho sérias dúvidas. - Eu vou dormir. - ela anunciou se levantando da cama e me olhando com um sorriso zombeiro - Fique aqui com as suas paranóias te rondando. - Grande amiga. - Eu sou. - ela me mandou um beijo no ar e saiu do meu quarto fechando a porta. Encarei o teto do meu quarto enquanto deixava minha mente vagar em várias teorias... Quem é Felipe Martins? Como ele conhece o Gabriel? E por que eu sinto que estou me metendo em uma grande confusão?
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