Como tudo começou

1768 Words
Bella "Em uma terra muito distante, vive uma princesa muito linda, o conto mais lindo é o dela. Seus dias são perfeitos, sua família a mais unida e seu castelo o mais belo. Seu maior prazer é passar o tempo no jardim brincando com seus irmãos e seus pais, o sorriso está sempre estampado no rosto da família real. Até que um dia um malfeitor decide sair de sua caverna embriagado. Sem pensar no próximo pega seu automóvel e atropela o rei, deixando três filhos órfãos e uma rainha viúva e desolada…" — Na época da monarquia não existia automóvel. — o garoto mais chato da escola grita no fundo da sala de aula. — O conto é meu e coloco o que eu bem entender. — retruco. — Silêncio! Rafael, ainda não é sua vez de falar. — a professora de literatura se pronuncia. — Coloca o vilão matando a todos e acaba logo com essa história chata. — uma menina i****a impecavelmente arrumada e com unhas enormes, debocha — O rei deveria ser um insuportável, por isso foi morto. — Sua fútil, a única insuportável aqui é você, com esse seu ar de arrogância! — altero a minha voz, quem ela pensa que é para falar assim do meu pai, na verdade, a senhora futilidade não tem como adivinhar que coloquei o desastre da minha família no conto que a professora pediu para inventar. Porém, não diminui minha raiva, em um ato de fúria, arremessei meu caderno em minha colega de classe. — Isabella! — a professora se levanta — Aqui nesse colégio é proibido qualquer ato de violência! — Ela chamou meu pai de insuportável! — grito com a professora. — Não, ela se referiu ao seu conto e com certeza eu vou chamar a atenção dela. — me responde com firmeza. — O rei do conto é o meu pai, que morreu de uma forma trágica. — meus olhos marejam. — Sinto muito, mas não tinha como a Estela saber. — a turma fica em silêncio. — Agora sabe... — saio da sala de aula, não quero chorar na frente desses idiotas. Vou para o ginásio, me sento na arquibancada e começo a respirar e inspirar para controlar minha ira. Fecho meus olhos e quando estou relaxada sinto uma bola de basquete bater em minha testa. — Ai! — reclamo enquanto o garoto engraçadinho da sala de aula ri me olhando — o que você quer agora? — Pedir desculpas, não foi legal ter implicado com você sem antes conhecer suas fraquezas. — Até para se desculpar você consegue ser i****a! — reviro os olhos — e para sua informação não sou fraca! — Mas é chata! — ele sorri — sabe jogar basquete pelo menos? — Sei, mas não vou jogar com você. — Vai sim! Ou vai assumir que não sabe jogar — ele joga a bola de novo, mas dessa vez agarro e miro na cesta, e acerto de cagada, mesmo estando de longe. — Uau! Certeza que isso foi cagada — o menino moreno de olhos azuis, fica de boca aberta e quase cai ao ir pegar a bola — Que garota sortuda! —Tenho que concordar com você — não consigo conter o riso ele tem uma expressão muito engraçada ao tropeçar. — Olha ela sabe sorrir! — ele debocha — Você está rindo de mim ou para mim? — De você! — continuei rindo e ele jogou a bola novamente em mim e dessa vez joguei nele. Quando percebi, estava na quadra jogando com ele, que descobri que é tão r**m de bola quanto eu. No final ouvimos uma voz de uma mulher, ele me puxou pelo braço e me mandou correr. — Essa é a diretora, se formos pegos estamos lascados. — E o que vamos fazer? Para a sala de aula eu não volto — cruzo os braços. — Sabe pular? — Pular o que? — pergunto sem entender. — O muro, é óbvio! — ele entrelaça as mãos e a abaixa — se apoia aqui e pula. — Eu não vou pular o muro da escola, você está louco? — reclamo. — Prefere ir para a secretaria por m***r aula? — Eu não matei aula! — me defendo. — Eu tenho cara de professor de educação física? Não, então sim! Estamos matando aula. — sou obrigada a concordar com ele. Concordo com ele e começamos a nossa fuga. Me apoio em seus ombros e coloco o pé em suas mãos para subir no muro. — Osso pesa hein, Bella! — ele reclama enquanto eu escalo o muro. — Olha a i********e, para você é Isabella! — digo ofegante com o esforço. — Pode me chamar de Rafinha, sou íntimo de todos. — ele diz rindo da própria piada. — Onde vocês pensam que estão indo? — uma voz feminina reverbera e o Rafinha me solta, me fazendo cair por cima dele. — Ai c@cete! — exclamo ao cair de b***a no chão. — Os dois já pra detenção! — a mulher diz com voz estridente. — Ei, dona Solange. Juro que temos uma explicação pra isso! — Rafinha diz rindo de nervoso. — Nada de desculpas Rafael, dessa vez não vou cair na sua conversa! E chamarei os seus responsáveis. — sem saída nós a seguimos. Ficamos um tempo aguardando na sala de detenção por nossos responsáveis. — Isso é tudo culpa sua, seu pivete! — digo irritada. — Culpa minha? Você que não quis voltar para a sala. — Rafael, minha avó vai te m***r! — uma menina branca de cabelos negros e olhos cor de mel briga com ele — Ela já está a caminho. — Mata nada, você sabe que sempre contorno a história. — Quem se ferrou dessa vez fui eu, primeiro mês na escola e já entro em enrascada, como se as coisas já não estivessem difíceis lá em casa. — resmungo em voz alta. — Você é a menina nova, sinto muito pela idiotice da Estela, aquela menina é uma insuportável — ela diz revirando os olhos — me chamo Melissa, prazer. — Prazer Isabella, mas pode me chamar de Bella. — Ela pode te chamar de Bella? Eu que matei aula pra ficar jogando basquete contigo não posso! — Desde quando você joga basquete, Rafinha? — ela ri. — Me respeita ou te coloco de castigo! — ele ironiza. — Vai pensar em uma desculpa porque minha avó está chegando, titio. — ela diz em tom de deboche. — Tio? — pergunto sem entender. — Esse i****a é irmão da minha mãe, mas ele é gente boa! Mesmo tendo o cérebro minúsculo. — rimos. — O que você aprontou agora Rafael? — uma loira, jovem ao ponto de não parecer ser mãe dele,começa o sermão. — Ah mãe, a senhora sabe que não suporto injustiça — ele faz cara de cachorro abandonado — uma menina teve a coragem de debochar do pai morto da minha nova amiga, ela saiu chorando da sala e eu não tive outra alternativa a não ser ajudá-la. — Isso é um absurdo! — a mulher loira começa — isso é verdade Melissa? — Essa parte sim, vó. — Bom dia Clara, por favor venha comigo — a diretora chama a mãe do pivete, que só parece ser sua mãe por conta do par de olhos azuis. — De onde você tirou a ideia de dizer que eu saí da sala de aula chorando? — fuzilo o i****a com os olhos. — Acho melhor você chorar de verdade, pois acho que é sua mãe que está vindo ali, caraca ela é a sua xerox. Espero que não seja chata também. — i****a! — olho a minha mãe entrar na secretaria e a coordenadora direciona ela até a sala da diretora, ela me passa um olhar de decepção e entra. — Sua mãe parece brava. — Rafinha diz, mas ao perceber meu silêncio para de me irritar. — Vou voltar para a sala, já basta vocês dois em encrenca. — Melissa se despede — Espero que tudo fique bem. Adorei conhecer você Bella, pode contar com a minha amizade, nem todos nessa escola são como a Estela, amanhã te apresento meus amigos. — Obrigada. (...) Ao chegar da escola me tranco em meu quarto, isso já virou costume. Me sinto deslocada nessa casa, está sendo difícil me adaptar a essa nova realidade. Há dois anos minha mãe nos comunicou que começou a se relacionar com um homem. Meses depois meus irmãos estavam adorando a ideia de ter alguém ocupando o lugar do meu pai, como pode isso? Para completar, há dois meses minha mãe decidiu vir morar com o tal cara, que mora em outra cidade. E cá estou eu, aos quinze anos tendo que me readaptar a uma nova escola com um bando de adolescentes mimados, uma cidade diferente e a uma casa que está longe de ser o meu lar. É muita informação para processar. O César parece ser a melhor pessoa do mundo, mas sei que só nos trata bem para conquistar a minha mãe. Ninguém consegue ser tão gentil o tempo todo. Saio dos meus devaneios com uma batida na porta. Abro a porta e dou de cara com minha mãe com uma expressão de decepção que parte meu coração. — Precisamos conversar, filha. — abro espaço e nos sentamos na cama. — Mamãe, se for sobre mais cedo… — começo a me desculpar, mas sou interrompida pela minha mãe. — Isabella, não é sobre hoje. É sobre tudo! Desde que o seu pai morreu, você se fechou e por mais que eu tente, não consigo te ajudar. Você tem nos afastado e isso dói muito em mim. — Mamãe fala entre as lágrimas. — Você perdeu o seu pai e eu o amor da minha vida, eu sofri demais com tudo que aconteceu. Pode passar o tempo que for, jamais o esquecerei. Eu estar seguindo minha vida, vivendo, não quer dizer que eu tenha o esquecido. Seu pai tinha um coração enorme, era muito alegre, ele não iria gostar de nos ver tristes. Ele não gostaria de ver você dessa forma, você precisa se abrir a nossa nova vida. Por favor, só tente meu amor! Eu amo você. — Eu também te amo mamãe. — ela me dá um beijo na testa e se retira. Eu não fazia ideia que com essa minha atitude estava magoando minha mãe. Não foi proposital, nunca tive a intenção de magoar ninguém. Essa conversa é o pontapé inicial da minha mudança, preciso me esforçar.
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