Adaptação

1445 Words
Bella Reconheço o esforço da minha mãe em tentar me adaptar ao lugar, e por esse motivo começo a me esforçar também. Em uma tentativa de fazer amigos, saio com Samantha minha irmã de doze anos, para encontrar suas amiguinhas. Mas logo me arrependo, não que elas sejam chatas, só que não me interesso mais por brincadeiras bobas. Em uma conversa com meu irmão mais velho Bernardo, que tem seus dezoito anos e já se acha um adulto, conto para ele minha dificuldade em me enturmar. Meu irmão fica com dó de mim e me convida para ir com ele e seus amigos em uma lanchonete aqui perto. O lugar é grande e sofisticado, o lanche deve ser o olho da cara, ainda bem que meu irmão vai pagar. — Seus traíras, nem me esperaram! Já estão comendo açaí. — meu irmão diz roubando a jujuba do açaí de um moreno. — Quem mandou ficar se arrumando igual uma mocinha. — o gatinho moreno diz debochando. Ele parece me notar ao lado do meu irmão e seu olhar muda. — Ei, não vai apresentar a gatinha? — Mete o pé Léo, essa aqui não é para o seu bico. Aliás, para nenhum de vocês. Essa é a minha irmãzinha, Bella — ele diz em um tom de aviso e em seguida me apresentou ao pessoal — Bella, esses são meus amigos. Esse abusado aqui é o Léo, e esses feiosos aqui são o Vitor, João Pedro, Rogério e as meninas são a Mary e a Mirela. Nos sentamos e fazemos nossos pedidos. As meninas apesar de simpáticas, estão mais ocupadas beijando seus respectivos namorados e m@l conversamos. A galera parece ser bem divertida, só esse Léo que está me incomodando com seus comentários safados. Os meninos estão envolvidos em um papo sobre futebol, me sentindo meio deslocada começo a observar o local. Meu olhar é atraído por um rapaz sentado com fone nos ouvidos, ele parece concentrado com um livro nas mãos. Seus cabelos negros caído nos olhos não me deixam ver a cor deles. Me sinto hipnotizada, não consigo parar de olha-lo. — Ei, gatinha! Notei que está olhando para o nerd ali do canto. Ele está sempre por aqui, com a cara enfiada nos livros. Melhor não se empolgar muito, pelo jeito ele não gosta da fruta. — Léo diz debochando do rapaz e me sinto incomodada com seu comentário. — É bom que as frutas que ele não quiser, ele passa pra mim. — digo irônica deixando ele chocado. Me levanto para ir ao banheiro para fugir um pouco desse idiot@. Passo ao lado do rapaz misterioso jogando o cabelo, em uma tentativa de chamar sua atenção. Ele está tão focado em sua leitura, que não me nota . Na volta, não percebo que o chão está molhado e escorrego bem na sua frente. Por sorte, me livro da queda por um par de mãos que me amparam. Assim que levanto meus olhos, dou de cara com os olhos azuis mais cativantes que já vi em toda a minha vida. Fico completamente corada e perco o dom da fala. Ele se afasta lentamente de mim. — Você está bem, menina? — ele pergunta me analisando. Antes que eu possa dizer algo, uma voz conhecida e enjoada nos interrompe. — Rô, que bom que encontrei você, preciso muito da sua ajuda! — Estela, a menina insuportável da minha sala aparece entrando em nosso meio e me empurra de propósito no processo. — Ahh me desculpe querida, sabe que nem te vi aí. — ela me olha de cima a baixo com desdém. E não me dá a chance de responder, se vira de costas e volta a me ignorar. — Como eu estava dizendo, eu preciso de você agora! Vamos logo, Ro. — a cobra sai arrastando o rapaz, eles devem ter algo. Volto a mesa do pessoal e digo ao meu irmão que quero ir pra casa, se eu tiver que aturar esse Léo por mais dez minutos, juro que soco ele. Ele reclama, pois acabamos de chegar e acaba concordando que eu vá embora sozinha. No caminho sigo pensando em como posso criar vínculo em um lugar onde só conheço gente i****a. — Ei! — escuto alguém me chamar — Você deixou seu celular cair no Mega Lanches! — Ah, obrigada, não tinha percebido! — agradeço e pego o meu celular das mãos da menina com cachos dourados e olhos da cor de mel. — Me chamo Mily — ela se apresenta e abre um sorriso. — Sou a Bella, me mudei há pouco tempo. — explico tentando manter o diálogo, afinal tudo que preciso é fazer uma amizade, já que a ajuda dos meus irmãos de nada valeu. — Sim, já tinha visto o seu irmão com a galera e até mesmo sua irmã mais nova, só que você eu não tinha conhecido ainda — ela segue andando ao meu lado — moro do outro lado da praça, na parte de trás. — É que não sou muito de sair, quer dizer até gosto, mas não tenho a facilidade dos meus irmãos em fazer amizades, eu moro na parte da frente da praça, mas acho que você já sabe — sorrio sem graça. — Sim, eu sei — ela sorri — você é bem sortuda, todo mundo tenta chamar a atenção do Rodrigo e você cai exatamente no colo dele! — Que nada levei um escorregão, por sorte ele estava perto — sinto minhas bochechas corarem. — Uma pena a chata da Estela chegar bem na hora pra acabar com o clima — ela revira os olhos. — Não tinha clima nenhum, ele só foi educado e eu desastrada como sempre. Agora aquela menina é uma mimada. — A fama da Estela corre longe — ela faz careta. — Infelizmente ela é da minha escola e para piorar da minha sala, só não imaginava que morava no mesmo condomínio também. — Qualquer dia desses, a gente faz um abaixo assinado para expulsar ela daqui. — ela dá um sorriso maroto — Agora mudando de assunto, gostei de te conhecer, que tal irmos até a praça para conversar um pouco? Posso te apresentar as minhas amigas. — Isso é ótimo — aceito feliz da vida por enfim conhecer alguém que parece ser legal. Ao chegar na praça nos sentamos em uma mesa de xadrez, e ela pega o seu celular e escreve alguma coisa. — Em alguns minutos elas estarão aqui — ela sorri animada. — E quem são elas? — pergunto. — Minhas vacas preferidas — ela sorri e mostra na tela do celular um grupo no w******p — Yasmin, minha prima de catorze anos, Talita que tem dezessete anos como eu e a Melissa que tem a sua idade, quinze anos, né? — Sim, isso mesmo, mas como você sabe? — Pergunto surpresa porque a maioria das pessoas acham que sou mais velha. — Deduzi, você disse que a Estela é da sua sala, o que te leva a ser da sala da Melissa, minha amiga. — Que legal! Eu conheci a Melissa ontem, ela parece ser legal. — Vocês estão falando de mim? — Melissa chega — Como ficou com a sua mãe ontem? — Ouvi um pouco, mas depois ficou tudo bem. — O que aconteceu que eu não fiquei sabendo? — Milly pergunta. — Ei, eu também quero saber! — Uma menina loira que imagino ser a Yasmin, prima da Milly chega. — Eu também quero! — uma morena, alta e magra chega em seguida, essa só pode ser a mais velha das amigas — Oi, você deve ser a irmã do novo gatinho, acertei. — Deixa de ser m*l-educada, nem conhece a menina e já quer saber do irmão dela! — Milly se altera. — Acho que tem alguém com ciúme — Yasmin debocha da prima. — Aff! Claro que não, nem sei quem ele é ainda — ela se defende. — O Bernardo nem é tudo isso, meninas — falo m*l do meu irmão, eu é que não quero dividir uma futura amiga com ele. — Ele virou amigo do i****a do Léo, se for b****a como ele quero distância — Mily reclama. — Que bom que não sou a única que não gostou desse garoto. — completo fazendo careta. E dessa forma comecei a construir meu primeiro vínculo de amizade. As meninas são totalmente diferentes uma da outra, porém se completam perfeitamente. No fim elas me colocaram no grupo de w******p o que fez eu me sentir incluída no grupo. Pela primeira vez me senti parte de algo desde que meu pai morreu.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD