Ethan Greenwood
Fui até o bar resolver algumas coisas. Contas a pagar, a receber, estoques para verificar, problemas e mais problemas.
Mesmo tendo muito recurso para que outras pessoas façam o trabalho por mim, gosto de acompanhar as coisas pessoalmente.
Meu beta se aproxima, com um olhar um pouco sério e para diante a mesa do escritório.
"Alfa."
"Oi Nick." disse calmamente enquanto eu olhava alguns papéis."
"Temos uma pista sobre o seu filhote." disse estreitando os olhos de leve."
Rapidamente tirei a atenção da pilha de folhas e olhei para ele.
"O que descobriram?"perguntei."
"Um bando de lobos. Eles buscam e vendem recompensas. Alguns dos nossos informantes o viram com um menino parecido com as descrições de Lorenzo."
"E por que eles iriam pegar justamente ele?"
"Isso é o que precisamos saber senhor."
Mexi nos cabelos. "Malditos andarilhos." rosnei."
Ele era só um garoto de dois anos, com lobos selvagens e bandidos.
O garotinho que eu nem sabia que era meu filho, que eu não tive a oportunidade de ver.
A fúria em meus olhos era nítida, eu iria resgatar Lorenzo das mãos desses lobos. Mas ainda me intrigava o que eles poderiam querer.
Mia não sabia sobre os lobisomens, isso era nítido. Mas como eles descobriram primeiro?
"Junte os melhores. Os melhores lobos, ômegas e quem mais você puder. Quando o dia raiar amanhã, iremos atrás deles."ordenei."
Nick me lançou aquele olhar sugestivo que eu conhecia bem.
"Você é o Alfa... Ethan. Vai mesmo esconder do nosso bando que tem um filho com uma humana?"
Respirei fundo. Aí estava o cerne da questão.
Meu pai foi um grande líder para a alcateia. O melhor Alfa de Estes Park. Ele era respeitado aqui, e em qualquer parte do mundo. Sua presença era inegável, e sua força, evidente sob qualquer luz da lua.
Ele sempre esperou demais de mim. E, claro, eu nunca fui bom em corresponder às expectativas de ninguém.
Minha mãe faleceu primeiro, e eu fiquei aos cuidados dele. Na maior parte do tempo, eram as lobas da matilha que cuidavam de mim. Meu pai raramente tinha tempo para mim, e quando tinha, era para criticar. Durante muito tempo, tudo o que eu queria era ser um jovem normal.
E eu fui. Fiz faculdade, me envolvi com várias mulheres. Mas a vida humana era tediosa. Qual a graça de viver sem se transformar?
Nick, meu beta, e eu crescemos juntos. A diferença é que ele nunca quis sair do Colorado.
Durante minhas férias em Nova York, recebi a chamada. O grande Alfa da matilha, meu pai, havia falecido. Eu seria o próximo Alfa.
Sabia que esse dia chegaria, mas não tão cedo. E, devido à nossa péssima relação, meus sentimentos eram conflitantes. Quando assumi como o novo Alfa, todos demoraram a confiar em mim, o jovem lobo inconsequente que só pensava em festas e mulheres. Mas, com o tempo, conquistei a confiança da alcateia e me tornei frio e responsável. Nunca fui de muitas palavras.
E agora… como eu poderia dizer ao meu povo que tinha um filho híbrido? Parabéns, Ethan.
Eu estava ansioso, precisava encontrar a criança que tinha meu sangue imediatamente.
"Nick, termine de fazer essas planilhas por favor."
"Você pediu por favor senhor? Vai chover hoje." ele brincou."
Eu revirei os olhos e sorri. " Pare com suas brincadeirinhas.Vou até a reserva"
"Deixa eu adivinhar. Ver aquela loba ?"
Concordei com a cabeça e ele me encarou.
O Beta era meu conselheiro, ele me ajudava nos negócios, na reserva, na alcateia, era meu fiel escudeiro, mas às vezes não pedia a sua opinião.
"Amber é mesquinha e burra meu Alfa. Não serve para ser sua Luna."
"E quem disse que ela irá ser? É só sexo Nick. Agora vá fazer as porcarias que te pedi."
Eu precisava aliviar a mente. Tudo estava se acumulando, me pressionando de uma maneira que eu simplesmente não conseguia controlar. Por isso, fui até Amber. Ela sempre foi uma fuga fácil, uma loba que sabia exatamente como me distrair. Linda, sedutora, e com uma habilidade inata de me fazer esquecer do mundo, ao menos por um tempo.
Cheguei na floresta. Aquele lugar me trazia paz. Eu amava ser um Alfa e tudo que isso me proporcionava, mas acima de tudo amava ser um lupino.
Entrei diretamente na casa de Amber, sem muita cerimônia. Ninguém sabia dos nossos encontros, e iria continuar assim.
"Meu Alfa. Sabia que voltaria."ela sorriu."
"Eu estou com um pouco de tensão. Sei que você sabe o jeito certo de melhorar isso."
Enquanto estávamos juntos, Amber fazia o possível para capturar minha atenção, mas minha mente estava longe. Só conseguia pensar em Mia, em como ela havia entrado na minha vida como um furacão, deixando tudo de cabeça para baixo. Cada toque da loba me trazia à tona uma lembrança diferente de Mia, como se ela estivesse ali, entre nós, mesmo estando a quilômetros de distância.
Que ódio.
Amber percebeu que eu estava distraído, mas continuou, determinada a me trazer de volta ao momento. Mas eu estava tão imerso em meus pensamentos.
Enquanto ela rebolava em cima de mim, descuidadamente eu chamei o nome dela.
Da humana.
"Isso… Mia."
Amber parou imediatamente aparentemente surpresa e magoada.
Eu percebi o erro no mesmo segundo, mas já era tarde demais. Me afastei, amaldiçoando a mim mesmo em silêncio, enquanto Amber me olhava, tentando entender o que estava acontecendo comigo.
"Quem é Mia?" ela sussurrou com os olhos marejados."
"Ninguém Amber." Vamos continuar."
Ela pediu perdão e saiu do quarto. Não a culpo, é óbvio.
"p**a merda!" rosnei."
Nu naquela cama, coloquei as mãos na cabeça. De repente, eu, o homem poderoso e frio que sempre se manteve distante de qualquer emoção, me via consumido por pensamentos de um filho metade humano e da mãe dele, Mia Miller, que invadia minha mente a cada segundo.
Eu precisava dela, de alguma forma. Mas não era só desejo; era algo mais profundo, algo que me fazia questionar tudo o que eu acreditava sobre mim mesmo. A ideia de Mia rendida na minha cama, de finalmente tê-la sob meu controle, não saía da minha cabeça. E isso me atormentava.
Levantando-me da cama de Amber, saí rapidamente do quarto, incapaz de suportar a confusão dentro de mim. Eu precisava correr, precisava sentir a terra sob minhas patas, o vento em meu rosto, o som da minha respiração se misturando com a noite.
Do lado de fora, a lua cheia brilhava intensamente, chamando por mim. Sentia o poder da transformação pulsando nas minhas veias, a necessidade primal de deixar a forma humana para trás e liberar o lobo dentro de mim. Fechei os olhos, concentrando-me no processo que conhecia tão bem.
A dor era intensa, mas eu já era acostumado.
Meu corpo começou a se contorcer, os ossos se deslocando e realinhando com um estalo grotesco. Minha pele se esticava, o calor se espalhava enquanto os músculos se expandiam. Senti os dentes se alongarem, as unhas se transformarem em garras afiadas, enquanto um grunhido baixo escapava da minha garganta.
Em questão de segundos, eu estava sobre quatro patas, o cheiro da floresta e do solo inundando meus sentidos aguçados. Tudo parecia mais claro, mais nítido. O lobo dentro de mim, sempre tão calmo e controlado, agora estava inquieto, agitado, buscando algo que eu ainda não entendia completamente.
Com um uivo, corri pela floresta, cada passo uma tentativa de fugir dos pensamentos que me atormentavam. Mas, por mais que eu tentasse, Mia estava lá, como uma sombra que não podia ser ignorada.