CAPÍTULO 4

1172 Words
MARIA NARRANDO Depois que Richard foi embora, liguei para Chris me encontrar na biblioteca, pois tínhamos marcado para estudar. Sofia ficou com Carol em casa, encomendei uma marmita para elas almoçarem enquanto eu estivesse fora. - Ele é um completo b****a. - Chris diz, referindo-se ao Richard. - Você não devia tê-lo socado. - digo, escrevendo em meu caderno. - Você está defendendo ele? Depois de tudo que ele te fez? - ele suspirou. - Eu esperava mais de você. Eu sempre inventei uma história, para todos, que era mais ou menos assim: Havia contado da minha gravidez à Richard, ele simplesmente não quis assumir e fugiu. Mas é óbvio que era uma mentira. O que aconteceu na verdade foi que eu não quis contar para Richard sobre Sofia. Sei que foi um erro mas eu tinha quinze anos e estava confusa.  - Não é uma questão de defender, nada se resolve com violência. - me defendo, ainda sem olhar pra ele. - Você é quem sabe. - ele dá de ombros. [========] Quando cheguei em casa, Sofia estava dormindo em nosso quarto e Carol estava na sala, pintando as unhas de seus pés. Guardei meu casaco coberto de neve e minhas botas também. Sento ao lado de Carol, que parecia nem me notar ali. - E como foi com o Christopher? - ela pergunta, acabando com o silêncio. - Esquisito. Ele ficou a maioria do tempo xingando Richard.  - Imagino. Você não vai contar pra ele que o Richard é inocente nessa história? - ela coloca seus pés sobre a mesa de centro. - Não, nem pensar. - levanto. - E você tire seus pezinhos da mesa.  Passo por ela e vou para a cozinha.  - Vou pedir uma pizza, o que acha? - abro a geladeira e pego um iogurte. - Você sabe que eu amo pizza.  - É, eu sei. - sorrio e pego o telefone.  Depois de ligar para a pizzaria sento com Carol no sofá para esperar ela chegar. Enquanto a pizza não chega, vou para o banheiro e tomo uma ducha rápida. Visto um moletom confortável e uma pantufa. Volto para a sala e olho para o relógio. - A pizza está demorando né? - pergunto. - É bom que esteja quente quando chegar aqui. Esperamos mais alguns minutos e a campainha soou. Levantei e fui abrir a porta para pagar o entregador. Enquanto coloco a pizza na mesa, ouço passinhos vindo do corredor. Olho de relance e vejo Sofia, segurando seu bichinho de pelúcia e coçando seus pequenos olhos. - Mamãe? - ela se aproxima ainda sonolenta. - Oi amor. - pego ela no colo. - Quer pizza?  - Quero. - ela sorri e encosta sua cabeça em meu ombro. Depois de comermos a pizza, Sofia acabou adormecendo em meu colo e Carol olhava fixamente para o celular, esperando uma mensagem chegar.  - Eu vou dormir. - falei. - Sem problemas, vou esperar o Noah responder e já vou ir. - ela sorri e dá uma piscadela. Vou com Sofia no colo até o quarto e me deito ao seu lado. Logo estávamos nós duas em sono profundo.  [========] Meu sonho foi um pouco peculiar, Richard e Sofia estavam lá e todos nós estávamos em um parque, fazendo um piquenique em "família". O sorriso de minha filha era super notável, era como se a gente fosse uma família completa. Eu sei que isso foi apenas um sonho, mas por um momento eu me senti como se aquilo fosse o que eu mais precisava.  - Vem mamãe, já é de manhã.  - Vá tomar banho. - falo. - Vamos ao parque dar uma volta hoje.  Seu sorriso se abriu e ela foi correndo em direção ao banheiro. Saio do meu quarto e ando pelos corredores até chegar na sala. Carol procurava algo e estava eufórica. - Bom dia Carol. - sua atenção foi tirada de debaixo do sofá, para mim. - Bom dia? - ela bufa. - Só se for pra você.  - Parece que alguém acordou com o pé esquerdo hoje. - rio e me sirvo café no balcão da cozinha.  - Eu não acho meu óculos e estou super atrasada para a faculdade. - olho para seus bustos, onde havia seu óculos pendurado. - Dê uma olhada. - aponto. - Isso não estava aqui antes, eu juro. - ela ri e vem até mim. - Eu estou indo, fiquem com Deus.  Ela me entrega um beijo. - Amém. - aceno enquanto ela sai pela porta. Depois que Carol saiu feito um furacão, fui até meu quarto e arrumei o mesmo. Joguei fora todo o lixo de ontem à noite e lavei a louça. Quando finalmente a casa estava em seu eixo, me deparei com o relógio e vi que Sofia estava no banho fazia mais de meia hora.  - Sofia? - giro a maçaneta e empurro a porta do banheiro. Ela estava no chão com o chuveiro ligado, fazendo a água cair em seu corpinho. Corri em sua direção e desliguei o chuveiro, peguei Sofia no colo e tentei acordá-la.  [========] Não demorou muito para a ambulância chegar e nos levar ao hospital mais perto. Sofia havia desmaiado e eu sabia que isso poderia ser um problema. Olhei para o relógio, são 03:50. Passei o dia inteiro neste hospital com minha filha. Minhas costas doem da cadeira dura. Sofia está ao meu lado, na sua maca. A pobrezinha ficou tomando soro o dia todo. Depois de horas ela conseguiu dormir mas eu não, fico olhando ela dormir e me certificando se ela está respirando bem. A minha atenção foi tomada, pela imagem de Richard na porta do quarto hospitalar. O que ele está fazendo aqui? - Posso entrar? - sua voz me tirou de meus devaneios.  - Pode sim.  - Ela está melhor? - ele se aproxima da maca e passa a mão pelos cabelos de Sofia.  - Sim. - sorrio olhando sua calmaria. - Como soube?  - Liguei para Carol e ela me disse. - ele puxa uma cadeira e se senta ao meu lado. - Eu me sinto culpado por não vir mais cedo, estava resolvendo um problema. Sorrio. Fico feliz em saber que ele se preocupa com Sofia, mesmo não tendo convivido com ela. - Eu agradeço. - olho para seus olhos esverdeados.  Suas mãos agarraram a minha, fazendo meu corpo inteiro receber uma eletricidade.  - Mamãe? - me livro rapidamente das mãos de Richard ao ouvir a voz de Sofia.  - Oi meu anjinho. - acaricio seu rosto. - O tio Richard tá aqui. - ela sorri.  - É claro que estou, onde mais estaria? - os olhos de Sofia brilharam ao ouvir essas palavras.  - Mamãe, quero ir embora.  - Aposto que o médico irá dar alta para você logo pela manhã. - seguro sua mão.  Depois de muita conversa entre nós três, acabamos pegando no sono, e dormindo ali naquele quartinho.  [========] Quando acordei, minha cabeça estava apoiada no colo de Richard, que ainda dormia com a mão esquerda no meu cabelo. Saio com delicadeza e cuidado do seu colo para não acordá-lo. Pego um livro e vou para fora do quarto e me sento nos bancos que há em uma pequena área aberta ao lado do quarto.  Passo a mão pela capa do livro, me imaginando em uma história perfeita, onde tudo e todos são gentis, onde não há tristeza e sempre tem um final feliz.
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