Capítulo seis

2280 Words
Finalmente os exames tinham terminado. Eu estou muito feliz por isso, porque Ronald disse que eu tinha que passar nos exames para voltar a sair comigo. E eu quero muito voltar a sair com Ronald. Gary parou de me mandar mensagens pedindo para voltar, e eu estou muito aliviada por isso. Já não tenho que partir seu coração todos os dias. Estou livre. Encontro Carly e Troy na pizaria que costumamos ir, e vejo eles trocando beijos e carícias. Eu sento na frente deles e finjo uma cara enojada. - Que nojo. - Eu disse depois rio. - Então quais os seus planos senhorita Jones! Você vai sair essa noite? Com alguém? Um certo irmão de alguém? - Carly começa com seus comentários idiotas. - Você devia se apaixonar por caras mais novos que os que você conhece. - Troy acrescenta. - Como por exemplo? - Eu pergunto. - Bradley West. - Carly aponta atrás de mim e eu me viro para ver Bradley se aproximando da gente. Ele é lindo, eu confesso, e tem olhos azuis bonitos também, e cabelos castanhos avelã, e deve ter um metro e noventa e dois. - Jones! - Ele diz como se eu fosse a única na mesa. - E Troy e Carly! - Troy responde para ele. - Claro! Eu queria saber se você gostaria de sair hoje a noite. - Lamento. Hoje não. Eu vou sair hoje a noite. Um compromisso que não pode ser adiado. - Ok. Então amanhã? - d***a! Ele é insistente. - Brad! - Eu reviro os olhos e cruzo os braços. - Tudo bem. Eu ligo para você então. Um dia desses. - Ele pega no telefone. - Você ainda vai ser minha namorada. - Ele sorri. - Duvido. - Digo. Vejo também no meu telefone uma mensagem de Ronald. É impossível não ficar feliz nesse momento. Abro a mensagem. Ronald: "Você está ocupada agora?" White: "Não! Porquê?" Ronald: "Pensei que podíamos comemorar por você ter passado nos exames, no meu apartamento. O que me diz?" White: "Claro que sim. Nos vemos daqui a pouco então." Levanto o rosto do celular e todos na mesa olham para mim. - Eu preciso ir. É importante. - Digo me levantando. - Antes preciso falar com você Carly. Só um segundo. - Puxo seu braço e levo ela para um canto para que ninguém oiça a conversa. - Eu vou encontrar com Ronald. O que eu faço? - Pergunto. Ela sabe que estou apaixonada por Ronald e com certeza vai me ajudar. Já não aguento mais fingir que somos apenas amigos. - Improvisa. - Ela fala simplesmente. - Uau! Você é uma ótima amiga sabia? - O que quer que eu diga? Vai para cima dele e mostra quem é White de verdade? - Era o mínimo sua i****a. Depois nos falamos. - Eu me afasto dela e saio da pizaria para encontrar o meu carro. O carro pára no apartamento de Ronald e eu faço uma meditação antes de entrar. Já fazem três semanas que a gente é amigos e eu estou apaixonada por ele. Se alguém algum dia me dissesse que eu me apaixonaria por Ronald eu não acreditaria, mas no entanto aqui estamos nós. Toco a campainha uma vez. Ele não atende, então toco duas vezes fazendo Ronald aparecer com um sorriso deslumbrante. Está com uma camiseta azul e calças de moletom cinza e o cabelo daquele jeito que eu gosto. - Oi White! - Ele me deixa entrar em seu apartamento. Um apartamento bastante bonito com paredes brancas, móveis modernos, chão de madeira, e bastante organizado. É a cara dele. - Você está sozinho? - Pergunto. Pergunta i****a! - Bem, agora não. - Ele levanta uma sobrancelha. Eu caio no sofá confortavelmente e Ronald olha para mim. Eu sorrio para ele. - Você está muito feliz? - Ele senta ao meu lado. - Porquê não estaria? As coisas estão dando certo não é mesmo? - Bom, se você diz! - Ele coloca as mãos atrás da cabeça. - Você não vai me servir nada? É que eu quero beber alguma coisa. - Eu digo. Ele levanta e vai para a cozinha. Eu sigo seus passos e vou com ele na cozinha. Ele tira uma Coca-Cola do frigorífico e coloca por cima da sua ilha de mármore. - Seu favorito. - Ele diz com um sorriso. É bom saber que ele sabe os meus gostos. - Você não tem vinho? - Você quer algo mais forte? - Ele vai buscar uma garrafa de vinho e eu tiro um copo no armário. Ronald regressa com uma garrafa de vinho, coloca por cima da mesa e abre. Eu sirvo meio copo de Coca-Cola, e depois despejo um pouco de vinho, até o copo ficar cheio de bebida. - Uau! Você é louca sabia? - Ele ri. Eu bebo o líquido escuro no meu copo. - Você devia provar é delicioso. Melhor combinação. - Eu vou tentar. - Ele faz o mesmo procedimento que eu depois bebe um pouco. - Uau! - Ele diz. - E eu é que sou inexperiente no mundo? - Rio. Ele senta ao meu lado e dá um gole na bebida, sem tirar os olhos de mim. - Você é inexperiente. - Você acha? Eu sei muita coisa nessa vida. - Eu quis dizer, no sentido de que você ainda é uma santinha. - Ele diz. - Santinha? Eu? - Exagerei na palavra? - Muito. - Tudo bem. Você ainda é virgem. - Ele olha para mim profundamente e desvio o olhar. - E qual é o problema? Quer dizer, ainda tenho muito tempo para resolver esse problema. Você não acha? - Talvez. - Ele dá mais um gole. - Você precisa de um homem que não se aproveite disso. - Ele disse. - Sério? Eu não vou deixar ninguém se aproveitar de mim, fique calmo. - Eu também bebo. - Você pode não saber. Eu só quero o melhor para você White! Quero te alertar de como as coisas são. - Se eu não te conhecesse, diria que você está me pedindo para t*****r com você. - Finjo uma risada bastante realista, mas ele não ri. - Você é minha melhor amiga, White. Eu não posso fazer isso. Eu só quero que tenha cuidado. - Uau! Ele me vê simplesmente como sua amiga, ou está tentando passar despercebido? Falando a verdade, eu seria capaz de entregar minha virgindade para Ronald. Ele vai ser o primeiro e único. - Eu terei cuidado. Eu sou White Jones. - Digo tentando esconder o fato de ter doido o que ele disse sobre sermos apenas amigos. Eu quero mais que isso! - Vamos ver um filme? - Ele pergunta sorrindo. Levantamos com as nossas bebidas e garrafa de vinho e vamos para a sala. Eu sento perto dele e faço um esforço para não demonstrar o que eu sinto sem perceber. - Tem um filme incrível que você tem de ver. - Ele coloca o filme e volta a sentar perto de mim. Terminamos de ver o filme e Ronald levanta e leva a garrafa de vinho vazia e os copos na cozinha e eu continuo sentada no sofá olhando para a TV. Eu já não sei o que fazer para ficar mais um pouco no seu apartamento. Já passaram duas horas e eu preciso ficar e dizer para ele o que eu sinto antes que eu não tenha coragem e fiquemos na zona da amizade para sempre. Tiro o meu telefone da mesa de centro e começo a escrever uma mensagem para Carly dizendo o que aconteceu, para que ela possa me ajudar. Eu preciso de um plano. Carly: "Obviamente, você tem de ficar para jantar. Você precisa saber se ele está interessado. Não o assuste." É a resposta dela. Eu mando outra mensagem para ela. White: "será que vai acontecer? E se ele t*****r comigo?" Carly: "Você tem de deixar ele entrar no clima. Mas seja subtil." White: "Vou tentar. Mas estou tão nervosa!" Carly: "Você fez depilação?" White: "Claro que sim. Sua i****a. Me deseja sorte." Carly: "Boa sorte!" Volto a colocar o telefone na mesa de centro e Ronald vem sentar ao meu lado. Ele sorri depois se aproxima. - Que tal a gente comer uma piza? - Digo sorrindo. - Está bem. Vou fazer isso. - Ele pega o telefone. - Eu preciso ir no banheiro. - Digo e levanto. Entro no quarto dele e fecho a porta. Porquê estou aqui? Obviamente não é para fazer xixi. Abro a gaveta da mesa de cabeceira e procuro por camisinhas. Não encontro. Vou noutra mesa de cabeceira e vejo uma caixa cheia delas. Não creio que seja muito relevante. Eu tomo pílulas anticoncecionais de qualquer jeito. Fecho a gaveta e vou para o banheiro. Porquê ele tem tantas camisinhas assim se está solteiro? Será que tem se encontrado com Anna? Ou será que tem levado outras para a cama? Preciso descobrir. Ao terminar de lavar as minhas mãos, saio do banheiro depois de dois minutos e vou para a sala onde Ronald está confortável e imperturbável com os pés por cima da mesa de centro olhando para a TV. Mesmo assim parece sexy. Sento ao seu lado pronta para fazer as perguntas que me inquietam, mas não sei como começar. Respiro fundo. Olho para Ronald e automaticamente ele olha para mim. - Você tem se divertido? - Pergunto. - Tenho trabalhado muito. Você não imagina. - E as mulheres? - Eu não tenho saído com outras mulheres além de você White. - Isso me faz sorrir. Isso significa que ele sente o mesmo por mim. Por isso ele não sai com outras. Porque existe uma química entre a gente. - Eu também não tenho saído com outros homens. Só você sabe me animar. Você é incrível. - Me aproximo de forma subtil. - Você também é. Acredita que não é fácil me animar. - Sério? Eu vejo você sorrindo o tempo todo Ronnie. Você está tentando me fazer derreter? - Na verdade, eu já estou bem derretida! Ele ri. - Você é engraçada White. Eu aprendo muito com você. - Você precisa me ensinar algumas coisas também não acha senhor Johnson? - Digo de um jeito provocativo. Ele arqueia uma sobrancelha. - Tipo o quê? Seja mais específica. Me aproximo ainda mais. Estamos agora muito perto de nos beijar. - Tipo me ajudar com minha virgindade. Você é o mais indicado para isso. Você disse que outros se aproveitariam de mim por isso, mas eu confio em você a 100%. Ele fica muito sério e olha para mim como se eu fosse louca. Talvez eu o tenha assustado exatamente como Carly disse para não o fazer. Acho que estraguei tudo. E agora? - Você está bem White? É que eu acho que eu entendi que você quer t*****r comigo. Seu melhor amigo! - Foi isso que você entendeu? - Sim! - Então é isso que quer dizer. - O quê? - Ele não pestaneja nem um segundo. - Quero que você me leve para sua cama e transe comigo. Isso! - Como eu fui capaz de dizer uma coisa dessas? Coro brutalmente. - White! O que está me pedindo... - Você fala demais! - Eu beijo ele e deitamos no sofá. Eu fico por cima dele e o beijo como se estivesse séculos afastada dele. Mas para minha total surpresa, Ronald se afasta de mim e se levanta. Ele fecha os olhos, e quando abre, eu não consigo decifrar o seu olhar. Obviamente eu me enganei. Ele não sente nada por mim. Meu coração começa a doer antes dele começar a dizer as palavras que sei que vão me machucar. - Desculpa! - Digo. - Você tem ideia do que se passa aqui White? - Seu tom está um pouco alto. - Acontece que eu estou apaixonada por você Ronald. Eu não quero ser apenas sua amiga. Quero mais. - Você quer mais do que amizade? É isso? - Ele pergunta. - Sim! Ele passa a mão pelo cabelo. - Não White! Isso não pode ser. Levanto também para ficar perto dele. - Porquê não? - Porque... porque eu ainda não esqueci a Felicity. - Ela está casada com o William e tem dois filhos dele. Esqueça dela. Ela nunca vai te amar! - Mas esse não é o único problema White. Ainda que eu não sentisse nada por Felicity, eu também não estaria com você. Não entende? Eu tenho quase vinte nove anos e você tem apenas vinte. Você ainda é verde, muito nova para mim. Não vai resultar entende? - Ronnie! - É impossível! Eu não posso me apaixonar por você. Primeiro você é minha melhor amiga e depois é muito nova. Não vai funcionar. Eu prefiro mulheres mais maduras entende? Não é que você não seja. Nada disso, apenas, é muito nova para mim. Seguro as minhas lágrimas, mas é quase impossível. Olho para baixo e mais lágrimas caem. Me condenam e eu só quero sair daqui, mas não consigo. Quero escapar dessa humilhação. - Eu entendo. - Digo com a voz chorosa. - Peço imensas desculpas! Eu pensei... esqueça! - Pego na minha bolsa no sofá e saio do seu apartamento envergonhada e com o coração partido. Ainda não acredito que isso está acontecendo comigo. Eu me enganei tanto assim? Ele é como Gary. Ele quer alguém equivalente a sua idade e não eu. Como pude pensar tão alto? Limpo minhas lágrimas já dentro do meu carro, e começo a dirigir, e tento esquecer o que se passou. A única maneira é esquecer Ronald. Tudo isso é uma maldita d***a!
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