Capítulo cinco

2840 Words
Arrumo as minhas coisas quando o professor de matemática sai da sala. Amo muito essa matéria, mas foi um pouco difícil prestar atenção nas aulas quando eu e Ronald estávamos trocando mensagens quase toda a aula. Foi a aula mais divertida que eu tive em toda a minha vida. Se o meu pai souber o que estou fazendo, ele me mata! Estou feliz por finalmente ter tirado um peso de cima de mim. Machuquei Gary, mas foi o melhor. Agora estou solteira, e livre para fazer o que quiser. Livre para encontrar um novo amor. Saio da sala e Carly se aproxima de mim, abraçando os seus livros. - Você é uma i****a! - Ela diz sorrindo e brincando. - O que foi que eu fiz? - Finjo ignorância. - Você ficou trocando mensagens com o seu namorado e esperou que eu descobrisse sozinha. Você já não me conta os seus segredos. Eu sou sua melhor amiga! - Carly, foi sem querer. Além disso, ele não é meu namorado. É apenas o meu melhor amigo. Como você, mas ele é homem. - Você acha que vocês serão apenas amigos? - Ela faz aspas com os dedos. - Para de fazer comentários sem sentido. Vamos as compras? - Você vai sair com ele novamente, por isso quer ir às compras? Bato com a bolsa no braço dela. - Aí! - Ela choraminga, e quando olho para frente, quase tropeço, mas mantenho o equilíbrio. - Oi White! - Gary me dá um sorriso triste. Não esperava ver ele aqui! Na verdade, não esperava ver ele! - Carly você me espera no carro? - Entrego as minhas coisas para ela. - Claro! Adeus Gary. - Ela vai em direção ao carro. Olho para Gary. Ele já esteve melhor. Será que é por minha causa? - O que você quer Gary? - Tento não ser grossa com ele. - Você sabe o que eu quero! Tenho saudades de você White. Me dá mais uma chance por favor! - Já disse para você que não posso! Eu não te amo mais. Não tem sentido continuarmos juntos. - Eu faço o que você quiser! - Ele segura a minha mão. - Gary... Há outra pessoa. - Minto. Ele fica irritado. - Quem é ele White? Me diz quem é esse i*****l! - Você não conhece. - Vocês estão juntos? - Gary, por favor! Pare com isso! Eu ainda não estou com ninguém. - Me afasto, mas ele segura meu braço. - White! - Olho para seus olhos suplicantes. - Você não pode deixar de me amar assim. Me diz onde eu errei? Foi por causa das vezes que eu disse que você era mais nova que eu? - Gary eu preciso ir. Já não há nada a dizer! - Tudo bem. Mas um dia você vai perceber que cometeu um erro. - Ele me larga e vai embora completamente irritado. Nunca tinha visto ele tão irritado assim! Também vou encontrar Carly no meu BMW 336i. Felicity comprou um carro para mim e um para o meu pai. Depois que se tornou bilionária, ela gastou muito com a gente. Me aproximo dela. - O que foi que ele queria? - Ela entra no carro e eu em seguida. - Me quer de volta, mas você já sabe que quem se apaixona por White, não tem como esquecê-la. - Seu ego me mata! - Carly diz. Começo a dirigir. - Eu espero que Gary não se meta no meu caminho, e me impeça de me relacionar com outro. - Tipo um ex namorado psicótico? - Isso é a última coisa que eu preciso. Meu telefone começa a tocar mas Carly o atende no meu lugar. Eu me esforço para não arrancá-lo das suas mãos e olho para a estrada. - Oi Ronald! É a Carly! - Oi Carly! Onde está a White? - Ela coloca no viva-voz. Sorrio por causa do jeito que ele disse o meu nome. - Estou aqui Ronnie. Eu estou dirigindo. - Ela é um pouco i****a. Mas você gosta dela mesmo assim! - Carly diz quase gritando. Lanço um olhar furioso para ela. - É verdade! - Ronald responde. Meu coração sai do lugar. O quê? - Bem, a gente ainda vai jantar essa noite não é? - Claro! Apenas liguei para saber como você está, pequena. Carly e eu rimos. - Estou bem como eu disse há horas atrás por mensagem. - Eu sei. - Ele faz uma pequena pausa. - Vou buscar você às seis então. - Claro! Adeus. - Depois nos vemos. - Ele desliga. Olho para Carly por um segundo, e seu sorriso é tão i****a que me dá vontade de arrancar da sua cara. Infelizmente vou ouvir sobre "mim e Ronald" o caminho todo. Suspiro só de pensar. - Com que então, Senhorita Jones! Você está apaixonada pelo irmão do seu ex. E a melhor parte é que ele é mais velho. Muito mais que Gary. - Ela observa algumas fotos no meu telefone. - Para de dizer coisas que não fazem sentido. Eu e Ronald somos apenas amigos! - Claro! Vou fingir que acredito. - Reviro os olhos com o seu comentário. Esse é um dos problemas de duas pessoas do s**o oposto serem amigos. Todos pensam que não será apenas uma amizade. Mas o que Carly disse, não é ilógico. Quer dizer, Ronald é um homem incrível, e cada dia que passa estamos mais próximos. Não sei onde isso vai dar. Entramos no shopping, e vamos nas lojas de roupas e calçados. Espero encontrar o que procuro e deixar Ronald de boca aberta. Quero que ele fique como um i****a quando olhar para mím. Mas espera!... O quê? Porquê eu ia querer isso? - Olha esse vestido White. Ele combina com você. - Carly me mostra um vestido vermelho rodado por baixo. Faço cara f**a para ela. - Não, não e não! - Ah! Entendi! Você quer algo que te faça parecer mais adulta. Porque quer que ele fique atraído por você! - Não tem nada a ver Carly. Eu só não quero este. - Continuo procurando. - Ele é lindo White. Tem músculos, e eu sei que você repara para eles o tempo todo. Vai mentir para mim? - Tudo bem Carly. Ele é lindo, tem um corpo incrível, seu cabelo é sedoso e lindo, suas mãos são fortes, sua voz é maravilhosamente grave, seus lábios são encantadores, e seus olhos castanhos são deslumbrantes. - Digo me lembrando de cada parte perfeita dele. - E você diz que não está apaixonada! - E não estou! Eu só disse como ele é. - Nem você acredita nisso. Olho para ela. - Ninguém se apaixona em tão pouco tempo assim. É impossível! Entende? - Ok. Você gosta desse? - Ela mostra um vestido exageradamente extravagante, me fazendo bater com o cotovelo no seu braço. Depois de tantas escolhas, compramos cinco vestidos, e dois pares de sapatos. Volto para casa, sem ter noção do tempo, e vou voando para o banheiro, para esperar por Ronald. Sinceramente não me lembro de um dia estar tão nervosa, nem tão ansiosa assim. É apenas um encontro entre amigos. Eu ganhei uma aposta e estou recebendo o meu prémio. Mas no fundo, acho que o meu prémio não é o jantar, mas sim Ronald. - Pára! Pára com isso White! - Digo para mim mesma olhando para o espelho depois do longo banho. Coloco o vestido que Carly e eu compramos. Um vestido preto com decote nas costas, justo, acima do joelho. Faço um penteado que deixa o meu cabelo todo no lado esquerdo, uso batom, sombra, rimel, brincos e os meus saltos altos prateados Jimmy Choos. Ter uma irmã bilionária tem inúmeras vantagens. Meu telefone vibra por cima da cama e eu corro até lá para ver quem é. Obviamente, Ronald. Sorrio enquanto leio a mensagem. Ronald: "Já está pronta? Estou esperando." White: "Vou já!" Saio do quarto, e não vejo ninguém na sala. Kira deve estar fazendo os deveres no quarto e meu pai deve estar na cozinha. - Eu já vou pai! - Grito. - Tudo bem. Mas volte cedo! - Ele grita de volta. Saio de casa, e encontro Ronald esperando em pé, no carro. Está com uma camisa azul, calça preta, e o cabelo daquele jeito que eu gosto. Porquê ele é assim tão bonito? - Você é linda, White! - Ele segura minha mão quando me aproximo. - Você também. - Sorrio. Você nem imagina como você é bonito. - Vamos? Eu escolhi um restaurante fantástico. - Felizmente. - Ele ri. Ronald abre a porta para mim e entro. Ronald entra depois ainda sorrindo e coloca o cinto de segurança. Espero que ele não note o quando estou corada. Olho através do vidro do carro, sem esconder meu sorriso. - Eu gostei da sua camisa. - Digo. - E eu gostei do seu vestido. Você está muito atraente. - Ele começa a dirigir. - Que bom! - Olho pelo vidro do carro. Não sei mais o que dizer. Estou muito nervosa. - Como está a Felicity? - Olho imediatamente para ele. Porquê ele quer saber da Felicity? Porquê, se ele está saindo comigo? - Muito bem. William faz muito bem a ela. E você não imagina como os meus sobrinhos são adoráveis! Devem ser mais parecidos com Felicity do que com William porque ele é muito sério, e os gémeos são muito agitados. Bom, o Edmund é. Félix é um santinho. Mas o rosto deles é igualzinho à de William, e Felicity. Eles estão muito felizes. São o casal mais adorável que eu já vi. Também quero ter um amor assim. - Falo com objetivo de irritar ele. Ele precisa saber que já não tem hipóteses com Felicity. Ela está em outra! - Todos queremos. - Ele diz desanimado. Só espero que não fique assim a noite toda. Por favor! Chegamos num restaurante chamado Red, que ironicamente o interior tem decoração em vermelho. A maioria das pessoas que cá se encontram são muito chiques, e já gostei desse ambiente. Olho para Ronald que está na minha frente com o menu nas mãos. - Uau! Você realmente quer me impressionar! - Digo sorrindo. - Esse restaurante é uma maravilha. - Eu sabia que você ia gostar. - Ele olha para mim por um segundo depois volta a olhar para o menu. Eu faço o mesmo. Observo as várias opções que tenho. - Eu posso pedir qualquer coisa? - Pergunto. - Qualquer coisa! O garçom vem na nossa mesa e cumprimenta educadamente antes de perguntar os nossos pedidos. Ronald me diz para escolher primeiro. Ele já abriu a porta para mim quando chegamos, afastou a cadeira para mim e agora isso? Não estou acostumada a isso. Que cavalheiro! - Bem, - Olho para o menu mais uma vez. - Eu vou querer Salmão à Belle Meunière com salada irlandesa. - Olho para o Garçom. - Eu vou querer o mesmo. - Ronald responde. Ambos entregamos os menus para o garçom. - E traga o melhor vinho. - O garçom consente e sai das nossas vistas. - Como você consegue pagar tudo isso? Você não é contabilista? Ele ri. - Isso foi em outros tempos, minha querida, - Vou desmaiar! Minha querida?! - agora trabalho numa multinacional. Ganho o suficiente para poder pagar um jantar num lugar desses. - Ele pisca um olho para mim. Socorro! Eu vou cair da cadeira! - Que bom! - Eu sei. - Se aproxima um pouco. - Você já pensou em como comemorar a sua formatura? - Bem, ainda não. Eu acho que será uma comemoração simples com a minha família e amigos. - Dou de ombros. - Gary está muito abalado com o término do namoro. - Ele diz triste pelo irmão. - Infelizmente. Espero que ele encontre alguém muito especial que o ame do mesmo jeito. - Eu também. - O telefone de Ronald toca e eu vejo a foto de Anna no ecrã. Ele olha para mim depois desliga o telefone. - Desculpa! A Anna é muito carente e chata pra caramba. Você nem imagina! - Não sei como você ainda não terminou com ela. Pelo que eu sei os homens odeiam mulheres que estão sempre nos seus pés. - A maioria sim. Por incrível que pareça, alguns gostam de mulheres assim. O garçom chega com a nossa comida e nossa bebida e coloca por cima da mesa. Só de olhar para o prato, meu estômago implora para eu dar uma garfada rapidamente. O cheiro é uma delícia! - Eu esqueci que você não bebe vinho! - Ele diz. Quando é as pessoas vão perceber que eu já não sou criança? - Ronnie, eu tenho quase vinte e um anos. Eu posso beber, esqueça aquela White adolescente! - Tudo bem. - Ele ergue as mãos em rendição. - Você pode beber. Dou uma garfada e fecho os olhos, enquanto sinto o sabor maravilhoso na minha boca. - Isso aqui é muito delicioso. Ele também come. - Realmente. - Parece que tenho uma festa de sabores na minha boca. - Digo para ele. - Você ainda nem provou a sobremesa. Você vai se apaixonar por esse restaurante. - Ele diz sorrindo daquele jeito que eu gosto. Maravilha! Maravilha! Olho para seu rosto, seus olhos brilhantes e meu coração bate de um jeito que para mim é desconhecido. Tudo o que eu quero nesse exato momento, é me jogar nos seus braços, beijar seus lábios, brincar com os seus cabelos, sentir seus braços ao redor de mim, e ouvir sua voz no meu ouvido. O que ele está fazendo comigo? Eu saí de uma relação a pouco tempo e já me apaixonei pelo primeiro cara que encontrei? - Já me apaixonei. - Digo mas não me referindo ao restaurante. Me refiro à ele. Deus! Como isso foi acontecer? Assim que Ronald paga a conta, nós saímos do restaurante e ele me dá o seu casaco. A forma como ele é tão atencioso derrete meu coração. Que mulher não seria feliz ao lado dele? Quem? - O jantar foi perfeito, Ronnie. - "Você é perfeito". Quis dizer isso mas não fui capaz. - Foi mesmo. Caminhamos um do lado do outro e nossas mãos se tocam em cada passo. Olho para baixo, para sua mão tentando me controlar para não entrelaçar com a minha. É muito difícil! De repente, começa a chorar brutalmente, e eu acelero os meus passos, mas Ronald fica para trás como se não fosse nada. - Ronald! Está chovendo! - E daí? É só uma chuvinha! - Ele sorri começando a ficar molhado. Eu paro imediatamente com essa visão na minha frente. Sua roupa está marcando seu corpo perfeitamente, mostrando como ele é musculoso. Desenha muito bem seus biceps, seus peitorais, e aqueles abdominais fantásticos. Para piorar, seus cabelos castanhos ficam encharcados, seus lábios também e ele sorri para mim assim que passa a mão pelo cabelo. d***a! Não sinto minhas pernas, nem todo o resto. Vou cair a qualquer momento. Vou desmaiar! Socorro! Alguém me ajuda! - O que foi? Não estava com pressa? - Ele pergunta divertido. Eu odeio o fato dele ser tão bonito. d***a! d***a! d***a! - Claro... que sim. - Nem me apercebo que também estou completamente molhada. - Você está molhada. E parece não se preocupar com isso. - Não tanto. - Admito. - Não é tão r**m assim. Só espero não apanhar uma gripe. - Eu também não. Ele agarra a minha mão e me leva em direção ao carro. Finalmente algum contato físico. Eu apenas olho para o homem mais lindo que eu já vi e tento não beijar seus lábios. Quase caio e bato contra o carro por não prestar atenção na minha frente, mas Ronald me agarra, e nossos rostos ficam bem próximos um outro. Agora é que é. Não vou aguentar! Me aproximo para beijar seus lábios, mas ele me larga e abre a porta do carro. - Vamos logo. Você precisa ir para casa. Entro um pouco envergonhada, e ele fecha a porta. Será que percebeu que eu gosto dele e quero ficar com ele? Fui tão óbvia? Ele também entra no carro e começa a dirigir. - Acho que Anna lançou essa maldição por ter terminado com ela. - Eu olho para ele assim que diz isso. O quê? - Você terminou com ela? Quando? - Algumas horas antes de você terminar com Gary. - Então, eu não ganhei a aposta! - Você gostou! Você contou primeiro! - Essa não era a aposta! - Vamos fingir que era. Simples assim. Além disso já paguei o jantar. Eu nunca deixaria você pagar a conta. Olho para ele que está sorrindo de orelha a orelha. E eu não tenho mais nada a dizer, porque eu não sei o que dizer nesse momento além de "Estou apaixonada por você". Não acredito que ele mentiu para pagar um jantar para mim. Isso realmente aqueceu meu coração. E aumentou minha paixão.
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