Capítulo quatro

2697 Words
Acordo com a cara nos cadernos. Não me lembro do sonho que tive, mas de certeza que houve muitos, e muitos números. Não acredito que dormi estudando. Devia estar mais concentrada no estudo do que em outras coisas. Estudar! Estudar! Estudar! Era tudo o que eu tinha que fazer ontem a noite. Eu fui sair com Ronald, e fui divertido. Mais divertido do que estudar, e eu não podia desperdiçar uma oportunidade daquelas. Peguei o meu telefone e vi duas mensagens. Uma do meu "querido namorado", Gary, e outra do meu amigo maravilhoso, Ronald. É engraçado, que antes éramos simples vizinhos. Ele era um grande amigo de Felicity, e agora é meu amigo. Bem, eu não tenho a certeza se somos grandes amigos, mas acho que sim. Abro primeiro a mensagem de Gary. Gary: "Oi amor! Você chegou bem em casa? Quando você chegar me avisa está bem?" Ele enviou quando eu provavelmente estava saindo com o irmão dele. Porquê isso soa tão h******l? Escrevo uma resposta: White: " Eu vi apenas a mensagem agora, desculpa. Eu fiquei estudando e me perdi." Gary: "Não faz m*l! Eu devia deixar você estudar mais e estar menos comigo. Não quero que chumbe. Depois nos falamos. Preciso trabalhar. Bjs." Leio agora a mensagem de Ronald: Ronald: "Bom dia. Eu não mandei uma mensagem ontem porque você precisava estudar. A noite de ontem foi muito divertida." White: " Foi mesmo. Devíamos repetir mais vezes." Ele responde depois de dez minutos. Ronaldo: "Concordo". White: "Então depois nos falamos. Eu te ligo." Enviei e me arrependi depois. "Eu te ligo"? Estou parecendo muito ansiosa. Estou parecendo desesperada. O que ele vai pensar quando ler essa mensagem? O que eu não quero que ele pense? Levanto da cama e vou tomar um banho enquanto aguardo a mensagem de Ronald. Hoje eu vou ficar a tarde e noite toda estudando. Está decidido. A não ser que Ronald me convide para comer ou beber alguma coisa. Saio do banho, me seco com a toalha e começo a vestir. Uso uma calça jeans, e uma blusa fina branca. Faço um coque no meu cabelo, arrumo as minhas coisas e saio do quarto. No caminho do corredor até a sala, leio a mensagem de Ronald. Ele só respondeu agora. Ronald: "Está bem". - Bom dia, filha! - Meu pai beija a minha testa antes de eu me sentar na mesa. Desvio o olhar do telefone, e olho para ele. - Bom dia, pai. - Olho para Kira sentada ao meu lado comendo leite e cereais. - Bom dia, Kira! - Bom dia, White! Eu não vi você chegar ontem. - Eu sou muito discreta, além disso, você estava dormindo. - Sirvo suco num copo e amanteigo uma torrada. - Você precisa estudar mais White! - Eu sei, pai. Confia em mim. Eu vou dar o meu melhor. - Dou uma mordida na torrada. - Você veio com Ronald. O que aconteceu entre você e Gary? - Meu pai pergunta e olho estupefacta. - O senhor estava me espiando? - Não! Eu apenas espreitei pela janela. - Eu não acredito nisso, pai! Eu fui apenas sair para descontrair com um amigo. Só isso. - Desde quando você e Ronald são tão amigos assim? - Ele arqueia uma sobrancelha. Essa pergunta eu não vou responder. Dou um último gole no suco e levanto. - Estou muito atrasada. Depois nos vemos. - Saio apressada. Bebo uma Coca-Cola no fim das aulas com os meus amigos. Mas não consigo parar de pensar na noite de ontem. Porquê estar com Ronald é assim tão divertido? Como é que ele ainda não encontrou o amor da sua vida? Ele é lindo, maravilhoso, e tem aquele sorriso que deixa uma garota na lua. Ele tem tudo o que as mulheres procuram num homem. - Você está pensando nele não é? - Carly pergunta me fazendo voltar a vida real. Apanhada outra vez. d***a! - Nele quem? - Finjo ignorância. - O irmão do Gary! Você saiu com ele ontem novamente. - Ela sorri. - Eu sei, e foi muito bom, mas não é isso que eu estou pensando. - Você é uma péssima mentirosa White! - Talvez ela esteja pensando no Gary. Não é? - Troy fala sorrindo. - No Gary? Não! Não estou pensando no Gary. Eu... - Desvio o olhar. -... quero terminar com ele o quanto antes. - Então o que está esperando? Se você não dizer nada de cada vez que ele dizer "Eu te amo" vai casar com ele. - Não! Eu... Você tem razão Troy. Vou fazer isso. Não pode passar dessa semana. - Tem certeza? - Carly pergunta. - Tenho. - Meu telefone apita. Ronald: "Acho que vou ganhar a aposta! Estou indo para o apartamento de Anna. Prepare o dinheiro para o jantar." Escrevo uma resposta: White: "Você tem certeza que será capaz? Ela vai ajoelhar nos seus pés e você vai desistir." Ronald: "Veremos!" Volto a colocar o telefone na mesa e bebo a minha Coca-Cola. Troy e Carly trocam olhares, depois olham para mim. - É impressão minha ou esse é o sorriso da White apaixonada? Eu nem sabia que estava sorrindo. - Eu achei engraçado o que o Ronald mandou por mensagem. - Claro! - Eles dizem como se fosse mentira. E é. O que ele disse não é engraçado. - Aquele não é o Bradley? - Troy olha atrás de mim. Eu me viro para ver também. Bradley West um dos alunos mais populares da Universidade de Colúmbia, entra na hamburgaria com um sorriso convencido. Ele olha para nós e se aproxima. - Oi Troy. Carly. - Vira para mim. - Jones! - Oi. - Dissemos os três em uníssono. Ele senta perto de mim. - Você está linda Jones. Está mais crescida. Eu gosto! - Eu também gosto que as pessoas entendam que o mundo muda. Não podemos continuar no mesmo lugar! - Uau! Eu gosto de você! - Brad. Você sabe que White tem namorado? - Troy diz piscando um olho para mim. - Por enquanto! Ele sorri. Levanto e pego nas minhas coisas. - Eu preciso ir, depois a gente se fala. - Saio da hamburgaria e apanho um táxi. Recebo uma mensagem de Ronald já no táxi. Ronald: "Você tinha razão! Eu não consegui. Mas não vou perder a aposta." White: "Eu duvido muito." Ronald: "Você vai ver." Paro na casa de Gary e pago o táxi. Respiro fundo, vezes suficientes para ficar cansada. Fecho os olhos e falo para mim mesma: Você é capaz! Você é capaz! Você é capaz! Eu vou terminar com Gary ainda hoje. Tenho medo da reação dele. Toco a campainha, antes que eu mude de ideias. Gary abre a porta e sorri de um jeito que me faz sentir m*l. Ele vai me odiar muito. - Gary podemos conversar? - Entro sem sua permissão. Ele fecha a porta. - Claro meu amor. Sentamos no sofá. Ele tenta me beijar, mas me afasto. Sua cara de desilusão me preocupa. Por onde eu começo? Ah sim! Elogios. - Gary. Você é um homem fantástico, maravilhoso, e desde o dia em que conheci você, eu me apaixonei. Você é tão incrível que eu pareço h******l perto de você. - Acho que exagerei nesta. - Você é o homem mais maravilhoso que eu conheço. E você não merece estar comigo. O que tivemos, foi bom, mas acabou. Eu lamento que tenha terminado desse jeito. Eu não sinto o mesmo. Só espero que possamos ser amigos. Ele fecha os olhos. - O que foi que eu fiz de errado White? Se foi por causa daquela noite, eu posso mudar! Posso ser o que você quer que eu seja. - Ele olha para mim. - Eu te amo White! Nunca amei uma mulher desse jeito. Não termine comigo por favor! - Eu não estou mais apaixonada Gary. Acabou! - Você não pode fazer isso comigo White. Eu sei que ainda me ama. Você só deve estar confusa devido o meu comportamento das últimas semanas. Mas eu mudei a partir daquela noite. - O problema não é você! Sou eu. Eu não sinto mais nada por você. Entende? Não te amo mais. Levanto. Ele também levanta e fica de joelhos na minha frente. Seus olhos estão cobertos de lágrimas, e ele segura a minha mão para beijar carinhosamente. - Eu te amo! Eu te amo! Eu vou mudar. Me dê mais uma chance por favor! - Gary, eu não posso. Eu não posso te fazer sofrer. Se eu continuar com você, será infeliz. Seremos infelizes. Não entende? - Eu serei sem você. Me diz o que eu tenho que fazer. - Nada! Lamento. - Me afasto e saio de sua casa. Pego outro táxi imediatamente e vou para casa. Quatro horas se passaram e estudei o suficiente. Desde que cheguei não desgrudei dos cadernos e dos livros. Por isso preciso de uma grande pausa. Depois eu estudo mais um pouco. Pego no meu telefone e ligo para Ronald. Ele atende no sexto toque. - Oi! - Sua voz grave me faz sorrir. - Oi. Como você está? - Não muito bem. Acabei de sair da casa da Anna. Eu não consegui terminar. - Sério? Eu consegui! Foi h******l, mas consegui. Gary está de rastos. - Imagino. Eu sei que ele vai recuperar isso. - Claro que vai. Só espero que não me odeie, e que possamos ser amigos. - Como ele e Felicity. - Ele será. Parece que eu vou ter de pagar um jantar a você amanhã. - Pelos vistos. Sabe tão bem ganhar! Estou nas nuvens. - Rio. - Dá pra perceber. - Ele fica em silêncio por uns segundos. - Amanhã vou pegar você às seis então. - Claro! Acho bom levar dinheiro suficiente. - Digo. - Claro! Você está estudando? - Fiquei umas quatro horas estudando. Estou fazendo uma pausa agora. - Tudo bem. Então nos vemos amanhã. - Claro. Adeus. - Desligo, e deito na cama sorrindo. Acabar com Gary teve um lado positivo afinal. Eu vou sair com Ronald amanhã. A gente vai ter o nosso segundo encontro. Que felicidade! Mas espera! Porquê estou tão feliz por encontrar Ronald de novo? Talvez porque ele é incrível e um ótimo amigo. Felicity e William vêm nos visitar na hora do jantar junto com Edmund e Félix. Eu abraço ela primeiro, depois William, e coloco um dos bebés no meu colo. Meu pai e Kira também os abraçam. - Você está tão grande Kira! - William passa a mão no cabelo dela. - Eu ainda olho você de cima, por isso não vale. - Ela responde fazendo William rir. - Você tem de comer muitos vegetais se quer ficar da altura do William. - Felicity diz olhando para William de cima a baixo. Todos na sala sabíamos que não iria acontecer! - Oi, oi. - Falo com um dos gémeos. Não sei qual deles, porque não vejo nada de diferente, nem nos olhos. - Oi Edmund! - Meu pai fala para o bebé no colo de Felicity. William e Felicity riem. - Esse é o Félix. O Edmund está com White. - Ela responde ainda rindo. Agora que reparo bem, Felicity está ficando cada vez mais linda. Seus cabelos loiros estão num r**o de cavalo, seus olhos estão brilhantes, e seu corpo está incrível. - Eles são idênticos. - Meu pai recebe Félix. Todos nós nos sentamos. Felicity e William sentam juntos, eu sento perto do meu pai e Kira senta no nosso meio. - Na verdade, - William começa. - Félix se comporta melhor. Edmund é muito agitado. Ele é um pouquinho malvado. Olho para Edmund. - Essa criatura tão adorável, e linda? Duvido! - Ele bate palmas e grita. - Não é sobinho queido? - Faço voz de criança. - Você não imagina como eles dão trabalho. Principalmente Edmund. - Fala Felicity. - Eu acho que quando crescer vamos precisar estar de olho nele. Félix é bem comportado. - Eu também era m*l comportada papai? - Kira pergunta. - Você era um anjinho, filha! - Ele sorri. - Como vai os preparativos para os exames, White? - William pergunta. - Estou estudando bastante! Os exames já são na semana que vem. - Estou tão orgulhosa de você, irmãzinha. - Felicity sorri. - Eu sei. Vou deixar vocês ainda mais orgulhosos no dia da formatura. - Claro! Brinco com Edmund e ele ri e algumas vezes grita "mamãe" e "papai" sempre que olha para William e Felicity. Mas de repente, começa a chorar. Félix olha para ele, e por conseguinte, também começa a chorar. - Acho que está na hora de trocar a fralda. - Felicity levanta e recebe Félix dos braços de meu pai, e eu também levanto e sigo ela até ao quarto, com Edmund nos meus braços. Ela tira da bolsa dos bebés o necessário para mudar as fraldas. Ela vê a fralda de Edmund, e ele fez xixi, já Félix, porque queria fazer companhia a Edmund a chorar. - Eles fazem sempre isso? - Felicity troca a fralda de Edmund, e o coloca sentado na cama, mas ele começa a engatinhar, enquanto Félix continua sentado com a chupeta na boca. - Você nem imagina. Félix gosta de chupeta, mas Edmund não. Vê como eles são diferentes? - Eles são adoráveis! - Digo sorrindo. Edmund grita feliz como se tivesse recebido um presente. - E como vão as coisas com Gary? - Ela senta na cama, e observa atentamente o Edmund, que não pára de engatinhar. - Eu terminei com ele hoje. Me sinto muito m*l. Ele ficou chorando de joelhos na minha frente, pedindo mais uma chance. - Você acha que tomou a decisão certeza? - Tenho! Eu já não o amo. Agora tenho a certeza. - E agora? - Vou me divertir com os meus amigos. Sei lá, qualquer coisa. Mas espero que possamos ser amigos. Seria triste ele me odiar depois de tudo o que passamos. - É. Eu e Ronald ainda somos amigos. Embora William ainda não o suporte, nem Ronald o suporte. Mas é um ótimo amigo! - Eu sei. Ele é incrível. - Rio distraidamente, e quando olho para Felicity, sua sobrancelha arqueada me chama a atenção. - Como você sabe? - Bem, somos amigos. A gente tem saído ultimamente. - Você tem saído com o Ronald ultimamente? Só vocês ou mais alguém? - A gente só saiu uma vez. A primeira vez, nos encontramos na festa do primo do namorado da Carly. Saímos sozinhos. Apenas como amigos! Olho para Edmund que quase cai da cama, mas Felicity o apanha, e o mantém no seu colo. - Eu não disse que eram mais que amigos! Félix fica com ciúmes de Edmund e engatinha até Felicity, pedindo colo. - Não sei como você aguenta! Eles são adoráveis mais perturbam muito. Felicity ri. - Você se acostuma bem rápido! Eu já não os coloco para dormir. William faz isso. Ele é um pai incrível. Você tem de ver ele trocando as fraldas deles! - Deve ser interessante! - Rio. Meu telefone apita. Ronald acabou de me enviar uma foto dele comendo uma fatia de piza, com uma cara engraçada, com o cabelo bagunçado, vestindo uma camiseta interior de alças. Está escrito: "Não crie muitas expectativas para o jantar de amanhã. Olhe o que estou jantando hoje!" Isso me faz rir e eu me lembro que Felicity está aqui no quarto. Olho para ela. - É uma mensagem dele. - Ela sorri de um jeito estranho, mas ignoro isso. - Tudo bem! William entra no quarto e coloca Félix nos braços, depois olha para a minha cara de i****a. Estou tão estranha assim? Estou sorrindo como uma i****a? - O jantar já está na mesa. Vamos? - Ele pergunta. Felicity levanta com Edmund nos braços. - Vamos! - Eu já vou! Eles saem do quarto e eu tiro uma foto fingindo uma cara triste, fazendo beicinho e escrevo: " Eu ficaria muito triste se você não tentasse me impressionar." Ele responde bem rápido: "Amanhã você verá. Boa noite, Pequena!". Respondo em menos de um segundo: " Boa noite, Ursinho!".
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