Não consigo parar de pensar na noite de ontem. Foi realmente divertido conversar e dançar com Ronald. Gary tinha de ser mais parecido com Ronald, mas isso não importa, porque em pouco tempo eu vou terminar com ele. Só não sei como.
Quando a aula de álgebra termina, eu e Carly andamos pelo Campus conversando. Ela fala sobre Troy felizmente. Não quero falar sobre mim. Nem sobre Ronald.
-... Ele é tão fofo! Você nem imagina como foi divertido... - Divertido foi ficar com Ronald. Conheço ele há imenso tempo, mas nunca tinha reparado que ele era tão incrível.
- Você está ouvindo senhorita Jones? - Carly bate no meu ombro.
- O quê? Sobre Troy?
- Você está assim por causa do Gary ou por causa do Ronald?
- Gary obviamente. - Minto. - Eu preciso terminar com ele.
- Você tem a certeza que quer fazer isso? Vocês estão juntos há um ano e me lembro que você praticamente babava ele. Onde foi esse amor? - Eis a questão. Eu não sei onde foram meus sentimentos por ele.
- Não sei.
Carly arregala os olhos. - Por falar em amor. Seu namorado está esperando você. - Ela aponta para Gary que está na frente da Universidade de Colúmbia se apoiando no seu carro.
- Me deseja sorte Carly!
- Boa sorte! - Ela grita enquanto me aproximo de Gary. Ele está com uma camisa branca, calça jeans preta e óculos de sol.
- Você está linda como sempre, meu amor. - Ele me beija quando chego até ele. - Tive tantas saudades de você.
- Você não foi trabalhar hoje?
- Hoje é o meu dia de folga, lembra?
- Ah sim!
- Você quer almoçar na minha casa? Minha mãe está fora, por isso a gente vai poder estar sozinhos. Eu já comprei a comida e tudo.
Porquê ele está fazendo isso comigo? Só está dificultando a minha vida.
- Claro. Vamos então. - Eu dou a volta e entro no carro. Gary entra segundos depois. O carro está infestado com cheiro de comida e fico com uma fome desesperadora.
- Ontem a noite você não ligou para mim. - Ele coloca o cinto de segurança.
- Cheguei muito cansada e dormi logo. - Ele começa a dirigir. - Você comprou galinha vindaloo?
Ele assente. - Sei que você gosta muito. - Ele olha para mim num segundo. - Você se divertiu ontem?
- Sim. Foi divertido.
- Ninguém ficou no seu pé? Um i****a qualquer?
Olho para ele. - Claro que não! Eu apenas conversei com Ronald.
- Você foi na mesma festa que o meu irmão? Que bom. Pelo menos ele cuidou de você enquanto eu não estava por perto.
- Sim. Isso. - Pego no meu telefone e tento me distrair um pouco. Espero que hoje ele não esteja tão sensível, porque eu preciso terminar com isso.
Quando o carro pára, desçemos e caminhámos para a casa de Gary. Ele tira as chaves para abrir a porta, depois me deixa entrar primeiro. Eu coloco a minha bolsa no sofá, e sento em seguida. Gary coloca as sacolas de comida por cima da mesa de centro e vai para o quarto.
Eu pego no meu telefone e envio uma mensagem para Ronald.
White: "Acho que vou terminar com ele hoje. Me deseja boa sorte."
Ele responde depois de cinco minutos.
Ronald: "Boa sorte!"
Gary volta e senta ao meu lado. Guardo o telefone na bolsa e olho para ele. Ele se aproxima e me beija. Eu não o impeço, porque não sei como fazê-lo. Espero que ele termine, e sorrio para ele.
- Porquê você está assim? Se é por causa daquele dia no cinema, White eu peço desculpas.
- Vamos esquecer. Estou com uma fome!
Ele liga a têvê, e me entrega a minha comida. Antigamente ficar sozinha com Gary me fazia tão bem, e tão feliz, agora isso desapareceu, e ele continua apaixonado por mim. Se eu não terminar o quanto antes, ele pode ficar ainda mais apaixonado e aí, eu não vou ter saída.
- Eu estive pensando White, que eu sempre te surpreendo dizendo que quero que a gente transe, mas eu quero que você decida isso. Eu quero que seja muito especial para você, porque será a sua primeira vez, então, quando você achar que está pronta me fala, está bem?
- Sim. - Respondo com a comida na boca. Ele beija o seu rosto e volta a olhar para a têvê.
Como eu quero terminar com ele. Mas agora não é o momento apropriado. Ele olha para mim de um jeito que só piora as coisas para o meu lado e eu sorrio para ele. Infelizmente meu sorriso é tão falso que ele deve ter notado.
Terminamos de comer, e vemos um filme. Gary deita sua cabeça no meu colo, e acaricia o meu joelho. Eu brinco com o seu cabelo sem vontade. Sinceramente, ninguém merece passar por isso.
- Eu gostava mesmo de morar com você em algum momento. - Ele olha para mim. Não acredito que as coisas estão indo por aí. - Mas, eu não quero deixar minha mãe sozinha, sabe. Ronald já foi embora e se eu for também, ela vai ficar só.
- Mas você vai se casar a qualquer momento. Não vai poder viver aqui com a sua esposa.
Ele sorri e arqueia uma sobrancelha. - Você diz como se eu fosse me casar com outra! - Ele levanta e me beija. - Não se preocupe que será apenas você. Eu te amo e quero levar você ao altar.
Não sei o que dizer a isso. Preciso fugir. - Tudo o que você quiser. Mas eu preciso ir agora. Preciso estudar para os meus exames.
- Eu posso te levar!
- Não se incomode! Eu apanho um táxi. - Beijo a testa dele para que não desconfie.
- Estude bastante. Amanhã a gente se vê. - Ele beija meus lábios.
- Com certeza! - Vou pensar numa desculpa. Com sorte se eu for uma péssima namorada, ele termina comigo.
Chego em casa e me jogo no sofá junto de Kira. Ela está vendo os seus desenhos ao mesmo tempo que vê têvê.
- O papai está em casa?
- Ele está na cozinha. Você foi na casa do Gary?
- Talvez sim, talvez não. - Levanto. - Eu vou tomar um banho. - Entro no meu quarto.
Tiro a minha roupa, e entro no chuveiro. Enquanto me lavo penso nas palavras que eu vou dizer para Gary. Tenho de começar com muitos elogios. Muitíssimos. Depois digo que o problema é comigo e não com ele. Isso é um clássico, mas eu acho que é verdade.
Depois de vários minutos, eu saio do banheiro com uma toalha e me seco. Pego no meu telefone e escrevo uma mensagem para Ronald, mas depois desisto de enviar. Ligo ou não ligo?
Ligo. O telefone toca e ele atenda ao sétimo toque. - Oi White! - Sua bela voz me faz sorrir.
- Oi Ronald. Tudo bem?
- Sim. Eu acho. E você? Finalmente terminou com o meu irmão?
- Bem, a forma como você falou, faria qualquer pessoa entender que você quer muito que eu faça isso.
- Nem por isso. Só acho que se vocês continuarem desse jeito só vai ser pior. Não quero que Gary sofra, mas é o certo a fazer.
- Respondendo a sua pergunta, eu não fui capaz. Ele anda muito sensível desde o dia em que quase terminei com ele.
- Que tal se a gente conversar pessoalmente?
- Seria ótimo!
- Então eu vou buscar você daqui a pouco. - Ele desliga.
É impressão minha ou isso é um encontro?
Rio. Claro que não. Vamos apenas conversar sobre algumas coisas. Só isso.
Meu telefone toca me assustando, e atendo com a mão sobre o meu peito.
- Você é uma i****a! - Respondo.
- Você também. - Responde Carly. - O que você está fazendo?
- Eu vou sair daqui a pouco. Porquê?
- Com Gary?
- Não! Com Ronald. - Ela fica em silêncio por uns dez segundos.
- Sério? Você é rápida White! Você já está pegando o irmão?! Conseguiu terminar com o Gary?
- Não!
- Não tenho palavras, amiga. O que você está fazendo?
- Depois falamos.
- Mas... - Desligo antes que ela diga qualquer coisa mais.
Agora o que eu vou vestir? Pego numa calça jeans, e num vestido preto e branco. Visto primeiro o vestido. Olho para o espelho e pareço muito chique. Dispo imediatamente e visto a calça jeans. Também não.
Visto uma saia branca, saltos brancos, blusa preta e um pequeno casaco de couro preto. Faço um r**o de cavalo e olho para mim no espelho. Gosto do resultado. Faço uma maquiagem bem leve, e pego numa bolsa para combinar.
Quando foi a última vez que eu me arrumei desse jeito para um encontro?
Meu telefone apita e agarro para ver quem é. É Ronald.
Ronald: "Estou esperando!"
Escrevo uma resposta para ele.
White: "Estou indo."
Saio do quarto e vejo o meu pai. - Onde você vai?
- Eu vou sair com um amigo.
Ele cruza os braços. - Um amigo?
- Sim, pai! Um amigo! - Beijo a bochecha dele. - Eu estou indo. Até depois.
Caminho até a porta e saio. O carro de Ronald está na frente me esperando. Caminho até lá, e antes mesmo que eu chegue até ele, ele sai, dá a volta e abre a porta para mim. Ele está com uma camisa preta e calça jeans azul escura. Seu cabelo daquele jeito!
- Oi. - Beijo a sua bochecha e entro depois. Ele fecha a porta e entra também.
Ele olha para mim de cima a baixo. - Você está linda! - Surge seu belo sorriso!
- Obrigada. Você também. - Também sorrio. É impossível não sorrir.
- Que tal se a gente fosse comer um hambúrguer? Você gosta de hambúrguer?
- Quem não gosta de um hambúrguer? - Rio olhando para estrada quando o carro começa a se movimentar.
- A Anna! Ela é vegetariana!
- Vocês ainda estão juntos?
- Infelizmente. Terminar é difícil.
- Eu sei disso muito bem. Seu irmão não parava de dizer sobre o nosso casamento, por isso não tive coragem.
- Sério? Anna fala sobre nossos futuros filhos.
- Eles estão loucos. - Rio mais ainda.
- Estão apaixonados. E isso! Quando eu estava com Felicity você nem imagina o que eu dizia.
- Felizmente, nunca prometi nada para Gary. Eu não entendo porquê eu já não estou apaixonada.
- Você tem certeza que não está interessada em alguém?
- Certeza absoluta.
- Espero que Gary fique bem.
- Eu também.
Chegamos no restaurante, e mais uma vez, Ronald abre a porta para mim. Eu era capaz de me acostumar com isso. Claro que só com ele. Ele é o único homem que eu conheço que é tão cavalheiro.
Entramos, ocupamos uma mesa, e ele empurra a cadeira para eu sentar. Agradeço, e sorrio para ele.
- Seus cabelos são muito bonitos! - Ele diz.
- Me diga algo que eu não saiba!
Ele estuda o meu rosto minuciosamente. - Seus olhos ficam mais brilhantes e mais verdes durante a noite.
- Sim, isso eu não sabia. - Rimos.
A garçonete vem até nós, fazemos os nossos pedidos, ela anota e sai. Olho para Ronald que não pára de sorrir. "Você tem um sorriso lindo" quero dizer isso, mas não o faço.
- Depois da sua formatura, o que você vai fazer?
- Trabalhar. William me fez uma proposta.
- William, o marido da Felicity?
- Ele mesmo. - Ronald desvia o olhar.
- Eu acho que você vai conseguir terminar com Anna antes de eu terminar com Gary. - Mudo de assunto e ele olha para mim com a sobrancelha arqueada.
- Quer apostar?
- Eu perco sempre nas apostas. Sou péssima!
- Vamos! Aceite. A não ser que você tenha medo. - Rio.
- Eu não tenho medo de nada, senhor Johnson! Eu sou intrépida!
- Se eu ganhar, você paga um jantar para mim, se eu perder eu pago um jantar para você.
- Combinado. - Apertamos as mãos.
- Agora preciso pensar no que dizer a ela.
A garçonete traz os nossos pedidos, e coloca sobre a mesa. Eu como uma batata e olha para Ronald.
- Eu já sei o que dizer! Oiça! - Fecho os olhos e respiro fundo. Me preparo para representar, então abro os olhos novamente. - Gary... Você é um homem fantástico, olha só para você! Você é tão maravilhoso que me faz parecer uma i****a. - Ronald arqueia uma sobrancelha. - Você é um homem realmente que sabe fazer uma mulher feliz. Mas eu quero terminar com você. O problema não é você! Sou eu. Eu não te mereço, e quero que seja muito feliz. Eu te amei muito, e lamento que isso tenha acabado desse jeito.
- Uau! Você é ótima com palavras. Sabe o que eu diria para Anna? - Faço que não. - Anna. As coisas não estão resultando. Eu não te amo. É melhor a gente terminar.
- Você não vai elogiar ela nem um pouquinho?
- É melhor não. Prefiro ir direito ao assunto. - Ele dá uma mordida no hambúrguer. Eu faço o mesmo.
- Eu não seria capaz.
Ronald começa rir, e depois come uma batata.
- O que foi? - Pergunto.
- Você está cheia de Ketchup no nariz. - Ele pega um guardanapo e limpa o meu nariz.
- Obrigada. - Sorrio para ele.
- Você tem um sorriso lindo. - Ele diz. Coro dolorosamente.
- Obrigada. - Quis retribuir o elogio, mas não. É melhor não.
- Quando serão os seus exames?
- Na semana que vem. Eu estou tentando estudar o máximo que posso.
- Eu tenho a certeza que você vai conseguir. Você é muito inteligente.
- Eu sei.
- A noite de ontem foi fantástica. Eu não sabia que você era tão incrível.
- Não me diga! Você também é incrível Ronald. E acredita em mim, um ótimo bailarino também.
- Vou acreditar se me disser que sou único que você já viu em toda a sua vida!
- Temos de fazer uma batalha de dança um dia desses.
- Eu não sou muito disso. Prefiro outras coisas.
- O quê?
- Depende! Algumas festas, praia, cinema. Essas coisas.
- No verão eu vou levar você para a praia, então.
Ele ri. - Está bem. Se você ainda estiver com Gary...
- Tenho a certeza de que estaremos separados. Você e Anna provavelmente estarão juntos.
- Claro que não! Eu vou terminar com ela antes que você termine com Gary.
- Isso é o que vamos ver. - Como a minha batata.
Conversamos sem ter noção do tempo. Pelo menos eu não tenho. Estar com Ronald é realmente muito bom. Me sinto bem, confortável, e feliz. Quando terminamos os hambúrgueres e Ronald paga a conta, nós saímos do restaurante.
Entramos no carro e vamos para casa. Eu olho para Ronald o caminho todo. A mulher que conseguisse o seu coração seria uma sortuda. Eu espero encontrar alguém como ele.
Ele pára o carro e abre a porta para mim novamente. Eu sinto o cheiro agradável do seu perfume e fecho os olhos por um segundo.
- Mais uma vez foi divertido. - Ele diz sorrindo. Aquele sorriso que derrete o coração.
- Realmente. Podíamos repetir mais vezes.
- É só você ligar. - Ele beija a minha testa. - Adeus.
- Adeus! - Digo. Ele entra no carro depois de sorrir para mim, e vai embora.
Entro em casa e vou diretamente para o meu quarto. Me jogo na cama. Não consigo parar de sorrir depois da noite maravilhosa com Ronald. É bom saber que somos amigos. É bom saber que posso contar com ele.
Agora eu só tenho que terminar com Gary. Depois disso verei o que vai ser da minha vida. Há muito em que pensar. Pego nos meus cadernos e estudo um pouco antes de dormir.