Capítulo três

2697 Words
Não consigo parar de pensar na noite de ontem. Foi realmente divertido conversar e dançar com Ronald. Gary tinha de ser mais parecido com Ronald, mas isso não importa, porque em pouco tempo eu vou terminar com ele. Só não sei como. Quando a aula de álgebra termina, eu e Carly andamos pelo Campus conversando. Ela fala sobre Troy felizmente. Não quero falar sobre mim. Nem sobre Ronald. -... Ele é tão fofo! Você nem imagina como foi divertido... - Divertido foi ficar com Ronald. Conheço ele há imenso tempo, mas nunca tinha reparado que ele era tão incrível. - Você está ouvindo senhorita Jones? - Carly bate no meu ombro. - O quê? Sobre Troy? - Você está assim por causa do Gary ou por causa do Ronald? - Gary obviamente. - Minto. - Eu preciso terminar com ele. - Você tem a certeza que quer fazer isso? Vocês estão juntos há um ano e me lembro que você praticamente babava ele. Onde foi esse amor? - Eis a questão. Eu não sei onde foram meus sentimentos por ele. - Não sei. Carly arregala os olhos. - Por falar em amor. Seu namorado está esperando você. - Ela aponta para Gary que está na frente da Universidade de Colúmbia se apoiando no seu carro. - Me deseja sorte Carly! - Boa sorte! - Ela grita enquanto me aproximo de Gary. Ele está com uma camisa branca, calça jeans preta e óculos de sol. - Você está linda como sempre, meu amor. - Ele me beija quando chego até ele. - Tive tantas saudades de você. - Você não foi trabalhar hoje? - Hoje é o meu dia de folga, lembra? - Ah sim! - Você quer almoçar na minha casa? Minha mãe está fora, por isso a gente vai poder estar sozinhos. Eu já comprei a comida e tudo. Porquê ele está fazendo isso comigo? Só está dificultando a minha vida. - Claro. Vamos então. - Eu dou a volta e entro no carro. Gary entra segundos depois. O carro está infestado com cheiro de comida e fico com uma fome desesperadora. - Ontem a noite você não ligou para mim. - Ele coloca o cinto de segurança. - Cheguei muito cansada e dormi logo. - Ele começa a dirigir. - Você comprou galinha vindaloo? Ele assente. - Sei que você gosta muito. - Ele olha para mim num segundo. - Você se divertiu ontem? - Sim. Foi divertido. - Ninguém ficou no seu pé? Um i****a qualquer? Olho para ele. - Claro que não! Eu apenas conversei com Ronald. - Você foi na mesma festa que o meu irmão? Que bom. Pelo menos ele cuidou de você enquanto eu não estava por perto. - Sim. Isso. - Pego no meu telefone e tento me distrair um pouco. Espero que hoje ele não esteja tão sensível, porque eu preciso terminar com isso. Quando o carro pára, desçemos e caminhámos para a casa de Gary. Ele tira as chaves para abrir a porta, depois me deixa entrar primeiro. Eu coloco a minha bolsa no sofá, e sento em seguida. Gary coloca as sacolas de comida por cima da mesa de centro e vai para o quarto. Eu pego no meu telefone e envio uma mensagem para Ronald. White: "Acho que vou terminar com ele hoje. Me deseja boa sorte." Ele responde depois de cinco minutos. Ronald: "Boa sorte!" Gary volta e senta ao meu lado. Guardo o telefone na bolsa e olho para ele. Ele se aproxima e me beija. Eu não o impeço, porque não sei como fazê-lo. Espero que ele termine, e sorrio para ele. - Porquê você está assim? Se é por causa daquele dia no cinema, White eu peço desculpas. - Vamos esquecer. Estou com uma fome! Ele liga a têvê, e me entrega a minha comida. Antigamente ficar sozinha com Gary me fazia tão bem, e tão feliz, agora isso desapareceu, e ele continua apaixonado por mim. Se eu não terminar o quanto antes, ele pode ficar ainda mais apaixonado e aí, eu não vou ter saída. - Eu estive pensando White, que eu sempre te surpreendo dizendo que quero que a gente transe, mas eu quero que você decida isso. Eu quero que seja muito especial para você, porque será a sua primeira vez, então, quando você achar que está pronta me fala, está bem? - Sim. - Respondo com a comida na boca. Ele beija o seu rosto e volta a olhar para a têvê. Como eu quero terminar com ele. Mas agora não é o momento apropriado. Ele olha para mim de um jeito que só piora as coisas para o meu lado e eu sorrio para ele. Infelizmente meu sorriso é tão falso que ele deve ter notado. Terminamos de comer, e vemos um filme. Gary deita sua cabeça no meu colo, e acaricia o meu joelho. Eu brinco com o seu cabelo sem vontade. Sinceramente, ninguém merece passar por isso. - Eu gostava mesmo de morar com você em algum momento. - Ele olha para mim. Não acredito que as coisas estão indo por aí. - Mas, eu não quero deixar minha mãe sozinha, sabe. Ronald já foi embora e se eu for também, ela vai ficar só. - Mas você vai se casar a qualquer momento. Não vai poder viver aqui com a sua esposa. Ele sorri e arqueia uma sobrancelha. - Você diz como se eu fosse me casar com outra! - Ele levanta e me beija. - Não se preocupe que será apenas você. Eu te amo e quero levar você ao altar. Não sei o que dizer a isso. Preciso fugir. - Tudo o que você quiser. Mas eu preciso ir agora. Preciso estudar para os meus exames. - Eu posso te levar! - Não se incomode! Eu apanho um táxi. - Beijo a testa dele para que não desconfie. - Estude bastante. Amanhã a gente se vê. - Ele beija meus lábios. - Com certeza! - Vou pensar numa desculpa. Com sorte se eu for uma péssima namorada, ele termina comigo. Chego em casa e me jogo no sofá junto de Kira. Ela está vendo os seus desenhos ao mesmo tempo que vê têvê. - O papai está em casa? - Ele está na cozinha. Você foi na casa do Gary? - Talvez sim, talvez não. - Levanto. - Eu vou tomar um banho. - Entro no meu quarto. Tiro a minha roupa, e entro no chuveiro. Enquanto me lavo penso nas palavras que eu vou dizer para Gary. Tenho de começar com muitos elogios. Muitíssimos. Depois digo que o problema é comigo e não com ele. Isso é um clássico, mas eu acho que é verdade. Depois de vários minutos, eu saio do banheiro com uma toalha e me seco. Pego no meu telefone e escrevo uma mensagem para Ronald, mas depois desisto de enviar. Ligo ou não ligo? Ligo. O telefone toca e ele atenda ao sétimo toque. - Oi White! - Sua bela voz me faz sorrir. - Oi Ronald. Tudo bem? - Sim. Eu acho. E você? Finalmente terminou com o meu irmão? - Bem, a forma como você falou, faria qualquer pessoa entender que você quer muito que eu faça isso. - Nem por isso. Só acho que se vocês continuarem desse jeito só vai ser pior. Não quero que Gary sofra, mas é o certo a fazer. - Respondendo a sua pergunta, eu não fui capaz. Ele anda muito sensível desde o dia em que quase terminei com ele. - Que tal se a gente conversar pessoalmente? - Seria ótimo! - Então eu vou buscar você daqui a pouco. - Ele desliga. É impressão minha ou isso é um encontro? Rio. Claro que não. Vamos apenas conversar sobre algumas coisas. Só isso. Meu telefone toca me assustando, e atendo com a mão sobre o meu peito. - Você é uma i****a! - Respondo. - Você também. - Responde Carly. - O que você está fazendo? - Eu vou sair daqui a pouco. Porquê? - Com Gary? - Não! Com Ronald. - Ela fica em silêncio por uns dez segundos. - Sério? Você é rápida White! Você já está pegando o irmão?! Conseguiu terminar com o Gary? - Não! - Não tenho palavras, amiga. O que você está fazendo? - Depois falamos. - Mas... - Desligo antes que ela diga qualquer coisa mais. Agora o que eu vou vestir? Pego numa calça jeans, e num vestido preto e branco. Visto primeiro o vestido. Olho para o espelho e pareço muito chique. Dispo imediatamente e visto a calça jeans. Também não. Visto uma saia branca, saltos brancos, blusa preta e um pequeno casaco de couro preto. Faço um r**o de cavalo e olho para mim no espelho. Gosto do resultado. Faço uma maquiagem bem leve, e pego numa bolsa para combinar. Quando foi a última vez que eu me arrumei desse jeito para um encontro? Meu telefone apita e agarro para ver quem é. É Ronald. Ronald: "Estou esperando!" Escrevo uma resposta para ele. White: "Estou indo." Saio do quarto e vejo o meu pai. - Onde você vai? - Eu vou sair com um amigo. Ele cruza os braços. - Um amigo? - Sim, pai! Um amigo! - Beijo a bochecha dele. - Eu estou indo. Até depois. Caminho até a porta e saio. O carro de Ronald está na frente me esperando. Caminho até lá, e antes mesmo que eu chegue até ele, ele sai, dá a volta e abre a porta para mim. Ele está com uma camisa preta e calça jeans azul escura. Seu cabelo daquele jeito! - Oi. - Beijo a sua bochecha e entro depois. Ele fecha a porta e entra também. Ele olha para mim de cima a baixo. - Você está linda! - Surge seu belo sorriso! - Obrigada. Você também. - Também sorrio. É impossível não sorrir. - Que tal se a gente fosse comer um hambúrguer? Você gosta de hambúrguer? - Quem não gosta de um hambúrguer? - Rio olhando para estrada quando o carro começa a se movimentar. - A Anna! Ela é vegetariana! - Vocês ainda estão juntos? - Infelizmente. Terminar é difícil. - Eu sei disso muito bem. Seu irmão não parava de dizer sobre o nosso casamento, por isso não tive coragem. - Sério? Anna fala sobre nossos futuros filhos. - Eles estão loucos. - Rio mais ainda. - Estão apaixonados. E isso! Quando eu estava com Felicity você nem imagina o que eu dizia. - Felizmente, nunca prometi nada para Gary. Eu não entendo porquê eu já não estou apaixonada. - Você tem certeza que não está interessada em alguém? - Certeza absoluta. - Espero que Gary fique bem. - Eu também. Chegamos no restaurante, e mais uma vez, Ronald abre a porta para mim. Eu era capaz de me acostumar com isso. Claro que só com ele. Ele é o único homem que eu conheço que é tão cavalheiro. Entramos, ocupamos uma mesa, e ele empurra a cadeira para eu sentar. Agradeço, e sorrio para ele. - Seus cabelos são muito bonitos! - Ele diz. - Me diga algo que eu não saiba! Ele estuda o meu rosto minuciosamente. - Seus olhos ficam mais brilhantes e mais verdes durante a noite. - Sim, isso eu não sabia. - Rimos. A garçonete vem até nós, fazemos os nossos pedidos, ela anota e sai. Olho para Ronald que não pára de sorrir. "Você tem um sorriso lindo" quero dizer isso, mas não o faço. - Depois da sua formatura, o que você vai fazer? - Trabalhar. William me fez uma proposta. - William, o marido da Felicity? - Ele mesmo. - Ronald desvia o olhar. - Eu acho que você vai conseguir terminar com Anna antes de eu terminar com Gary. - Mudo de assunto e ele olha para mim com a sobrancelha arqueada. - Quer apostar? - Eu perco sempre nas apostas. Sou péssima! - Vamos! Aceite. A não ser que você tenha medo. - Rio. - Eu não tenho medo de nada, senhor Johnson! Eu sou intrépida! - Se eu ganhar, você paga um jantar para mim, se eu perder eu pago um jantar para você. - Combinado. - Apertamos as mãos. - Agora preciso pensar no que dizer a ela. A garçonete traz os nossos pedidos, e coloca sobre a mesa. Eu como uma batata e olha para Ronald. - Eu já sei o que dizer! Oiça! - Fecho os olhos e respiro fundo. Me preparo para representar, então abro os olhos novamente. - Gary... Você é um homem fantástico, olha só para você! Você é tão maravilhoso que me faz parecer uma i****a. - Ronald arqueia uma sobrancelha. - Você é um homem realmente que sabe fazer uma mulher feliz. Mas eu quero terminar com você. O problema não é você! Sou eu. Eu não te mereço, e quero que seja muito feliz. Eu te amei muito, e lamento que isso tenha acabado desse jeito. - Uau! Você é ótima com palavras. Sabe o que eu diria para Anna? - Faço que não. - Anna. As coisas não estão resultando. Eu não te amo. É melhor a gente terminar. - Você não vai elogiar ela nem um pouquinho? - É melhor não. Prefiro ir direito ao assunto. - Ele dá uma mordida no hambúrguer. Eu faço o mesmo. - Eu não seria capaz. Ronald começa rir, e depois come uma batata. - O que foi? - Pergunto. - Você está cheia de Ketchup no nariz. - Ele pega um guardanapo e limpa o meu nariz. - Obrigada. - Sorrio para ele. - Você tem um sorriso lindo. - Ele diz. Coro dolorosamente. - Obrigada. - Quis retribuir o elogio, mas não. É melhor não. - Quando serão os seus exames? - Na semana que vem. Eu estou tentando estudar o máximo que posso. - Eu tenho a certeza que você vai conseguir. Você é muito inteligente. - Eu sei. - A noite de ontem foi fantástica. Eu não sabia que você era tão incrível. - Não me diga! Você também é incrível Ronald. E acredita em mim, um ótimo bailarino também. - Vou acreditar se me disser que sou único que você já viu em toda a sua vida! - Temos de fazer uma batalha de dança um dia desses. - Eu não sou muito disso. Prefiro outras coisas. - O quê? - Depende! Algumas festas, praia, cinema. Essas coisas. - No verão eu vou levar você para a praia, então. Ele ri. - Está bem. Se você ainda estiver com Gary... - Tenho a certeza de que estaremos separados. Você e Anna provavelmente estarão juntos. - Claro que não! Eu vou terminar com ela antes que você termine com Gary. - Isso é o que vamos ver. - Como a minha batata. Conversamos sem ter noção do tempo. Pelo menos eu não tenho. Estar com Ronald é realmente muito bom. Me sinto bem, confortável, e feliz. Quando terminamos os hambúrgueres e Ronald paga a conta, nós saímos do restaurante. Entramos no carro e vamos para casa. Eu olho para Ronald o caminho todo. A mulher que conseguisse o seu coração seria uma sortuda. Eu espero encontrar alguém como ele. Ele pára o carro e abre a porta para mim novamente. Eu sinto o cheiro agradável do seu perfume e fecho os olhos por um segundo. - Mais uma vez foi divertido. - Ele diz sorrindo. Aquele sorriso que derrete o coração. - Realmente. Podíamos repetir mais vezes. - É só você ligar. - Ele beija a minha testa. - Adeus. - Adeus! - Digo. Ele entra no carro depois de sorrir para mim, e vai embora. Entro em casa e vou diretamente para o meu quarto. Me jogo na cama. Não consigo parar de sorrir depois da noite maravilhosa com Ronald. É bom saber que somos amigos. É bom saber que posso contar com ele. Agora eu só tenho que terminar com Gary. Depois disso verei o que vai ser da minha vida. Há muito em que pensar. Pego nos meus cadernos e estudo um pouco antes de dormir.
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