Mariah
Quando as portas do elevador se fecham, solto um suspiro profundo, agradecida por deixar toda aquela provação atrás de mim. Essa tinha sido a pior entrevista na história das entrevistas. Johnny Ward é o homem mais sexy do planeta e gay, a cara dele perto de mim era de total desconforto. Olho meu reflexo no espelho do elevador, um botão está aberto.
Ele deve ter me achado incompetente e desleixada.
Consigo ficar de pé o tempo suficiente para sair do prédio, pego um Uber e volto à segurança do nosso apartamento. Joaquin partiu para Portland com Simone, ele não resistiu ao coração partido dela e me largou a ver navios depois de me fazer sonhar com uma roupa incrível, Sofia está no trabalho e eu fiquei sozinha com meu fracasso.
Tiro a maldita blusa e a jogo no sofá, vou até a cozinha para fazer uma xícara de chá e, penso em Johnny e como ele é gostoso, me dá tristeza pensar que Joaquin tem mais chances que eu.
Mas ao mesmo tempo ficaria feliz em ser madrinha do casamento deles.
Volto para a sala, pego meu telefone e envio uma mensagem para Sofia.
“Diga ao Richard que você não estou me sentindo bem e me encontre no bar gay que Joaquin nos levou quando saímos com Simone”
“Desde quando vamos para o bar? Ainda mais sozinha, ainda mais as segundas-feiras?”
“Não consegui a vaga, preciso de colo e Joaquin não está”
“Eu estarei lá em trinta minutos”
Eu peço um Uber e vou até o bar.
Chego lá no momento em que Sofia estaciona seu Benz e a espero na porta. Sofia, como sempre, está impecavelmente vestida. Não há botões abertos.
— O que foi Mariah? O que há de tão r**m para eu ter que cancelar meu almoço com Richard?
— Primeiro, preciso de uma bebida bem forte — digo agarrando seu braço e arrastando-a pela porta da frente.
Nós vamos direto para o bar e sentamos ao lado de uma bandeira de arco-íris pendurada orgulhosamente na parede.
Uma drag impecavelmente maquiada bem em nossa direção. Parece que todo mundo está bem-vestido hoje.
— O que as damas mais lindas do bar querem? — olho em volta, só há nós duas.
— Quero algo bem forte...
— E eu uma água mineral — Sofia sorri, eu a encaro.
— Quatro doses de tequila.
A drag se afasta e Sofia me encara.
— Quatro?
— Eu parecia uma porca desleixada e não consegui o emprego, me sinto tão deslocada em Redmond, sozinha e sem grana.
Quando ele volta com nossas bebidas, minha irmã me encara.
— Então agora vai me dizer por que estamos aqui?
—Me sinto um encosto, uma sombra dos meus sonhos... Sofia o mundo tem me destruído.
— Você vai arrumar um emprego!
— Não tão bom feito esse, eu fui de qualquer jeito e depois me senti h******l por ter ciúmes de Joaquin e Simone.
— Você não pode ficar assim, se ele viu sua roupa e não sua competência, ele é um i*****l.
— Ele é lindo, Sofia... Uma pena ser gay.
— Feliz do Joaquin — viro uma dose de tequila, pensando que eu quis dois homens que poderiam t*****r sem mim.
— Feliz de ambos, eu dava para os dois.
Sofia bebe um gole de água e me encara:
— Mariah, o que aconteceu? Nunca te vi assim!
— Só eu não transo nessa cidade, queria um namoradinho.
— Talvez tenha mais um vizinho gato, pode não ser Johnny...
— Aquele prédio parece vazio... Nem mesmo o namorado de Simone eu sei quem é...
— Ricos são discretos.
— Se não fosse o chupão que vi um dia desses, duvidaria de sua existência...
— Falando em Simone, você acha que a razão pela qual ela mantém esse cara em segredo é porque ele é casado ou algo assim? — Sofia me encara.
— Não! Ela não é esse tipo, Sofia. Casado, não. Sádico, sim.
— Devemos segui-la— sugere Sofia tomando um gole de água.
— Claro que não! Não tenho estômago pra ver algo assim...
— Alho assim?
— Deixe de ser curiosa!
— Você disse sádico, ele é tipo o Cristian Grey? Fode com força?
Engulo em seco e ela vê que acertou.
— Será que a pendura e enfia bolas de prata nela? Imagina a visão disso? Deve ser excitante, poderíamos ver um dia desses.
— Ela é nossa amiga, Sofia. Isso é um a***o, ela não quer apresentar ele, aliás, ela não pode. Então fique quieta.
— E se as bolas de prata em sua b***a, acabarem om um lar —
— Sofia, não!
— Você confia tanto nela, eu não confio em Richard e olha que temos uma i********e bem maior.
— Vocês estão bem?
— Sim, estamos evoluindo, acho que serei a senhora Ward em breve. Pra você tudo bem, Mariah?
— Se vocês casarem, tenho que voltar para a casa da mamãe? — Respiro fundo, olhando para a minha bebida.
— Não, de onde tirou isso?
— Eu não tenho um trabalho e não quero morar com um casal viciado em s**o.
— Mariah se te incomoda, eu diminuo, tá bom?
— Sofia, eu gosto de Richard, não quero que a vida s****l de vocês acabe, é uma coisa minha, acho que hoje eu fiquei só e me senti insegura, é isso. Eu só quero beber pra esquecer — viro a dose que queima minha garganta.