Capítulo 12

1175 Words
Fiorella Os braços de Alessandro envolvendo o meu corpo faziam o meu coração disparar ainda mais. Apertei os olhos com força, sentindo a vertigem, o frio na espinha, o nó na garganta. — Vai ficar tudo bem — ele apertou o meu corpo contra o dele de um jeito quase doloroso, e, por incrível que pareça, a pressão dos seus dedos teve um efeito positivo em mim. Senti o corpo aquecer em uma sensação agradável. Ele não queria que eu confiasse nele, mas, naquele momento, Alessandro era o meu porto seguro. O meu remédio. E eu tinha um sério problema em querer doses cada vez maiores. Arfei quando senti o couro gelado embaixo de mim. A pele quente de Alessandro se afastou, e eu senti um frio descomunal. Me ajeitei no banco e me enganchei na manta. Vi quando meu pai fez um sinal irritado e Alessandro e seus homens foram desarmados. — Não, papai! Não faça isso! Eu queria ser capaz de descer do carro e gritar para que o meu pai o soltasse, mas o meu corpo parecia pesado como chumbo. Então, apenas colei o meu rosto no vidro do carro e assisti Alessandro sendo arrastado de qualquer jeito para um dos veículos. "Não!" O grito ficou preso na garganta, porque o meu pai caminhava com passos duros em minha direção. Me ajeitei no banco outra vez e respirei fundo, precisava me acalmar. Se o meu pai percebesse o meu interesse por Alessandro, não sei o que seria dele... ou de mim. A porta do carro se abriu de uma vez, e o meu pai sentou-se ao volante. — Vamos pra casa, Fiorella. Temos muito o que conversar... — ele olhou pra mim por um breve instante. Não sorriu, mas eu sabia que esse era o jeito dele de demonstrar que se importava. Queria saber o que aconteceria com Alessandro, mas precisava esperar a hora certa para perguntar. Meu pai era bom comigo, normalmente justo, mas tinha muito ciúmes e pouca paciência. Ele costumava repetir isso pra mim e pra minha mãe: “Tenho muito ciúmes e pouca paciência.” Meu estômago revirou, e precisei me concentrar para não vomitar. Empurrei o céu da boca com a língua, fazendo o som de "m". Tinha visto essa técnica na internet; ajudava a não vomitar quando ficava muito enjoada. Alguns longos minutos depois, o carro estacionou na entrada coberta da mansão. Ainda assim, precisei forçar o meu corpo pra fora do veículo. — Papai, o Dom está em casa? — perguntei, esperançosa. Era estranho que, com tudo o que aconteceu, ele não estivesse me esperando. — Seu irmão está em um... hãm... treinamento. Ele estará de volta para o aniversário. Dei um sorriso triste. — Não fique assim, bambina, o tempo vai passar rapidinho — meu pai deu uma tossidinha, ele sempre fazia isso quando pretendia mudar o tom da conversa. — Ella, sei que está cansada da viagem, mas é de grande urgência que você fale tudo o que aconteceu em Nova York. Preciso saber se devo matar devagar ou rápido aqueles gringos malditos. — Matar? Mas eles são nossos aliados, ou não? — perguntei, alarmada. — Não! — a resposta veio seca. Acompanhei o meu pai até o escritório, onde o Conselheiro já nos aguardava com um semblante grave no rosto. — Fiorella, sinto muito por sua mãe. Eu apenas balancei a cabeça. Sentei no sofá diante dos dois homens mais poderosos da Cosa Nostra. Queria ser capaz de dizer algo que fizesse o meu pai mudar de ideia em relação a Alessandro. Talvez tivesse alguma sorte com o Conselheiro, mas Eduardo e o meu pai dificilmente tinham opiniões distintas. Talvez esse fosse o motivo de serem amigos há tanto tempo. — Preciso que nos conte com todos os detalhes o que aconteceu desde a sua chegada em Nova York — meu pai estava impaciente para vestir preto. Ele só se permitia ficar de luto depois de se vingar dos seus inimigos, e eu só precisava convencê-lo de que não era Alessandro. Uma tarefa difícil, já que eu não sabia ao certo o que pensar do homem que tão facilmente despertou sentimentos e desejos que eu nunca antes havia experimentado. Contei da melhor forma que pude os ataques, a intervenção de Alessandro quando homens armados atiraram no carro em que eu estava e depois o ataque na casa da minha tia. Confesso que omiti alguns detalhes, como nossa viagem de moto e o real motivo que me fez ter um ataque no avião. — Sem o Sr. Castelli, eu provavelmente não teria voltado pra casa. Ele salvou a minha vida. — Fiz questão de frisar esse detalhe, o que, pelo jeito, só deixou o meu pai ainda mais inflamado de raiva. — Maledetto! Quem me garante que não foi ele mesmo quem armou tudo isso? O que você acha? — meu pai entregou uma foto de Alessandro para o amigo analisar. O Conselheiro observou atentamente a imagem, como se fosse capaz de julgar o caráter de alguém através de uma fotografia. — Os gringos têm uma fama respeitável, mas nada comparado à Cosa Nostra. O Sr. Castelli não seria t**o o suficiente para matar a esposa do Capo da Cosa Nostra! — Mas a minha esposa foi assassinada... — Me espanta que alguém como ele não tenha previsto que não era seguro pousar na Itália com a filha de Don Salvatore nos braços. Isso é, no mínimo, curioso. Meu pai deu um pulo da poltrona, coçando a barba num gesto irritadiço. Droga! A conversa estava tomando um rumo delicado. — Discordo... — ah não, senti um arrepio me percorrer a espinha. — Ele é o nosso t**o! — Quer um culpado ou um bode expiatório? — m*l as palavras saíram da minha boca, e eu senti a garganta secar instantaneamente. Burra. Burra. Burra. Papai me olhou como se estivesse diante de um fantasma. A regra era simples e clara: “mulheres não opinam em assuntos da máfia.” — Um homem t**o o suficiente para entrar desprotegido em território inimigo não merece a atenção da minha única filha! Como eu disse... Alessandro Castelli é o nosso t**o. Ele me pegou, e as consequências seriam desastrosas. Mas, antes que ele direcionasse sua fúria pra mim, alguém muito desesperado bateu na porta. Era Lincoln, o subchefe da Cosa Nostra. Ele parecia mais assustador que o normal. Seus olhos estavam esbugalhados, a pele muito avermelhada, e era possível notar manchas de sangue nas roupas e nas mãos dele. — Lincoln, você está bem? — Eduardo foi o primeiro a se manifestar. — Eu sinto muito Don Salvatore, mas Alessandro e os homens dele mataram todos os nossos seguranças e fugiram. — Como você conseguiu escapar? — meu pai esbravejou. — Eu não escapei, senhor. Vim lhe trazer um recado. O homem enfiou a mão em um dos bolsos e retirou um pedaço de papel. Em seguida, seu corpo tombou sem vida, antes mesmo de tocar o solo. "Alessandro Castelli quer fazer negócios com a Cosa Nostra."
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