Quase perdi a minha irmã...

427 Words
Bruna estava no estágio 2 da doença, quando foi internada as pressas pela primeira vez. Ela precisava de uma doação constante de sangue, isso aos seus 9 anos de idade. Na primeira vez, ela recebeu a doação de uma família anónima, Graças a Deus. Mas ela precisava de mais... A minha mãe não podia doar por ser portadora, o meu pai não era do mesmo grupo sanguíneo, o pai da Bruna e o Luan estavam em viagem no Madagáscar naquela época e o sinal era h******l, foi quase impossível contactá-los. Eu não podia doar, porque além de ser portadora da mesma, também tinha em activo a doença e os sintomas e sinais eram intensos! Se uma gota sequer saísse de mim, iria daquela a pior, não podia doar, perderia a minha vida. A minha irmã padecia aos poucos e a tristeza era visível na família, amigos e colegas. Era difícil tratar de uma doença que sequer era conhecida e nem se sabia exatamente qual o ciclo dela... Os Drs. fizeram de tudo para poder salvar a Bruna e conseguiram... Depois daí, foram só recaídas e mais recaídas, era perturbador pensar em qual das 3 seria a próxima e se daria certo novamente... Depois da minha primeira crise, papai intensificou os cuidados e praticamente não largava o meu pé, rsrs. Fazia medicação pesada durante os primeiros meses e depois eram apenas dois comprimidos a se tomar diariamente. Isso para poder controlar as doenças oportunistas que poderiam se aproveitar do meu sistema imune fragilizado. Antes da toma dos comprimidos, papai preparava sandes de queijo e presunto e um milkshake de chocolate que eu tanto amava, todas as manhãs e todas as noites. Sofria muito com anemia F, dei esse nome porque se deixasse de tomar ferro diário, era uma recaída das grandes que teria. Eu já era de pele clara, só parecia mais uma banana madura, rsrs. O Tempo foi passando e fui me acostumando a lidar com a doença e até a controlar aos poucos... Tive enormes restrições no princípio, agora não muitas, mas antes não podia nem ficar em lugares sem uma ventilação natural, você acredita? Não podia apanhar frio, consumir comidas industrializadas, sentir aromas fortes, usar qualquer tipo de cosméticos que já irritava e danificava a minha pele. Ficava em casa durante dias, sem poder sair ou ir até mesmo a janela ou ao quintal. Tinha restrição também a quantidade de raios solares que podia apanhar... Se não cumprisse, o meu cérebro se degeneraria aos poucos, até entrar em coma - estado vegetal e sem volta...
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