No meio da madrugada, acordei com o som do telefone. Olhei para o visor e vi que era o meu pai. Meu coração disparou, cheio de alívio e emoção. Peguei o telefone rapidamente e atendi:
— Papai! — disse, ainda com sono na voz.
— Alicia! Que susto, filha… já estava preocupado. — Ele falou com aquela mistura de preocupação e firmeza que só ele tem. — Está tudo bem? Você chegou bem? Está confortável aí?
— Sim, papai, está tudo ótimo. Cheguei bem e estou me sentindo confortável, sim. — Respirei fundo, tentando acalmar a ansiedade dele. — Desculpe por não ter ligado antes, mas meu telefone ficou sem carga e quando lembrei de ligar, parece que você estava ocupado e não consegui falar.
Houve uma pausa, e pude sentir o peso da preocupação dele pelo outro lado da linha.
— Alicia… você sabe que eu fico meio ciumento, né? — Ele riu baixinho, mas eu sabia que era ciúme de verdade. — Fiquei preocupado porque pensei que você poderia estar esquecendo de mim, ou que estava dando atenção para outras coisas e deixando de me contar as coisas importantes.
Sorri, sentindo o amor e o cuidado dele. — Papai, não é nada disso. Você é o meu porto seguro, sempre. Eu só fiquei sem bateria e depois acabei adormecendo. Assim que acordei, liguei imediatamente. Não queria que você se preocupasse mais do que precisava.
— É… ainda assim, filha, não gosto dessa sensação de não estar sabendo de você. — Ele falou com aquela mistura de firmeza e carinho. — Fico com ciúmes de você por aí, indo sozinha, enfrentando tudo sem me contar.
— Papai, eu sei, eu sei que você é protetor, e eu amo isso em você — disse, emocionada. — Mas também preciso viver as minhas experiências. Mesmo assim, prometo que vou sempre te avisar quando chegar, quando puder. Você é muito importante pra mim, nunca vou deixar de compartilhar nada contigo.
Ele suspirou do outro lado da linha. — Tá bom, filha… mas ainda assim, você precisa entender que eu fico ciumento. Você é minha menina, meu maior tesouro, e só quero ter certeza de que você está segura e feliz.
— Eu sei, papai. Eu sei. E estou segura, estou feliz… e sentir sua voz agora já me deixa tranquila. — Sorri, mesmo sabendo que ele não podia me ver.
— Então tá… agora durma tranquila, minha princesa. Eu te amo, não se esqueça disso.
— Eu te amo também, papai. — Senti um alívio enorme e fechei os olhos, já com um sorriso, sabendo que a ligação tinha feito meu coração se acalmar.
Depois daquela conversa, me deitei de novo, com a sensação de que, apesar da distância, o meu pai ainda estava ali, sempre presente, sempre preocupado comigo, sempre cuidando de mim.