Vou até a janela e olho a noite lá fora. O céu está estrelado, a lua alta entre elas, derramando sua luz prateada sobre os telhados e ruas silenciosas. Uma brisa fria entra pela fresta da janela, roçando minha pele e fazendo um leve arrepio percorrer minha espinha. O som distante de um carro passando na avenida e o latido esporádico de um cachorro se misturam ao silêncio profundo da madrugada. Por um instante, sinto a imensidão da noite, como se o universo inteiro estivesse observando minhas dúvidas e conflitos. Eu me viro quando ouço a maçaneta da porta se mover.
Batidas de leve.
Com o coração agitado, visto sobre a camisola um robe branco e abro a porta. Dante está lá, com Alice nos braços. Meu coração dispara ao vê-lo, minha respiração se agita. Ele ainda está com a mesma roupa. Seu cheiro bom invade minhas narinas. Ele sorri torto para mim, um sorriso carregado de algo indecifrável. Os cabelos despenteados pelo uso do capacete reforçam sua aura selvagem, um perigo latente que me atrai contra toda a lógica. Há algo no jeito como seus olhos brilham à luz fraca do corredor, como se ele soubesse exatamente o efeito que tem sobre mim. Meu coração tropeça no peito, e eu odeio a maneira como meu corpo responde a isso.
— Oi, princesa. Alice estava chorando. Acho que teve um pesadelo, chamou pela governanta e depois por você... — Ele diz, então seus olhos focam minha boca como se ele tivesse vontade de algo mais.
—Tudo bem. — Sorrio sem graça e estico os braços, retirando Alice de seu colo. Ela boceja e esfrega os olhos em meu peito.
—Eu quero ficar com vocês, se não se importar. Quero fazer parte disso.
Não respondo imediatamente. Passo a língua pelos lábios, tentando controlar a tensão que cresce no meu peito. Minhas bochechas queimam de vergonha. Ele percebe e sorri, um sorriso malicioso, sabendo exatamente o quanto sua presença me afeta.
—Tudo bem.
—Só isso, boneca? Você não vai dizer mais nada?
Mostro os dentes para ele, tentando não deixar transparecer o quanto suas palavras mexem comigo.
Vamos até o quartinho de Alice, onde me deito na cama com ela. Pego um livrinho de histórias e começo a contar uma historinha, minha voz suave, tentando me concentrar na tarefa e não na presença dele. Dante está sentado na poltrona em frente a nós, com as pernas abertas, observando. Ele está se divertindo. Seu sorriso é torto, os olhos fixos em mim com um brilho de desafio. Ele é incrivelmente sexy, quase perigoso. Não posso negar, ele é o próprio demônio sedutor. Com aqueles olhos penetrantes, aquele corpo musculoso, e os braços que parecem feitos para me dominar. Ele é um monstro de bonito, impossível não perceber.
Não se culpe, isso que você sente é apenas atração. Você não gosta dele!
Quando Alice adormece, eu a cubro cuidadosamente. Me levanto da cama e, ao olhar para Dante, encontro seus olhos fixos em mim. Ele sorri de forma preguiçosa, seus lábios se esticando de um jeito que me desconcentra.
Desvio os olhos, o coração batendo forte dentro do peito. Saímos do quarto, mas no corredor, antes que eu tenha chance de me afastar, Dante me puxa rapidamente para perto dele e toma minha boca com uma força inesperada. Seus lábios são quentes, exigentes, e quando ele suga minha língua, fico completamente sem controle. Minha cabeça gira, a respiração falha, e por um momento, fico mole como se fosse a última coisa que eu precisasse.
Ele me beija com tanta profundidade que qualquer pensamento me escapa. Antes que eu perceba, ele me pega no colo e entra comigo no meu quarto, fechando a porta com o pé.
Meus olhos se fixam em seu rosto, mas ele não olha para mim. Ele parece um homem das cavernas, determinado, possesso. Então, sem aviso, me joga na cama.
—Tira a roupa!
Eu lambo os lábios, um movimento involuntário, sem saber se estou mais nervosa ou excitada.
—O quê?
Ele ri, baixo e ameaçador, enquanto começa a tirar a camiseta. Seu peito musculoso, forte e tatuado se revela diante de mim, e logo ele está vindo na minha direção.
—Tire a roupa.
Com um movimento ágil, ele desata o cinto e se ajoelha sobre a cama. Quando ele se inclina para mim, vou me deitando, minha respiração ficando cada vez mais irregular. Cada parte de mim se agita, mas os olhos dele, fixos nos meus, me assustam.
—Dante... — Minha voz sai rouca, entre excitação e medo.
—Dante o quê?
Ele não responde, apenas toma minha boca novamente, e eu congelo ao sentir a suavidade inesperada dos seus lábios. Ele força meus lábios a se abrirem, e um tremor percorre meu corpo. Sinto-me sem fôlego, mas ao mesmo tempo completamente à mercê dele.
O calor do corpo dele se espalha sobre o meu, sua ereção pressionando minhas coxas de forma incontrolável. Uma onda de desejo me toma, mas a razão ainda luta.
Sua mão desliza pelas minhas costas, agarrando minha b***a com uma confiança possessiva. Ele sorri de forma arrogante, como se me tomasse por direito.
Cretino!
E o pior de tudo, eu estou completamente entregue a ele.
—Relaxe, linda Rebeca.
Sua boca se encontra com a minha novamente, e faíscas de desejo explodem em todo o meu corpo. Meu coração bate forte no peito, e eu sinto que agora meu corpo já não me pertence mais.
Quando ele se afasta para tirar a calça, a única coisa que consigo dizer, nervosa e rápida, é:
—Dante... eu... sou virgem...
Ele ri, um riso baixo, quase como se fosse a coisa mais natural do mundo.
—Minha linda princesa, eu sei. E você acha que eu não sei? Não se preocupe, serei gentil. — Ele diz com um tom insuportavelmente seguro, voltando a me dominar.
Deus! Eu não quero que seja com ele a minha primeira vez. Ele é tudo o que eu desejo, mas ao mesmo tempo é um monstro.
Com um impulso, pulo da cama e me posiciono no canto do quarto, o olhar dele me perseguindo.
—Melhor você ir embora...
O humor de Dante muda instantaneamente. Ele se aproxima, com o rosto carrancudo, sem camisa, o cinto pendurado de forma provocante.
—Você me provoca deliberadamente e depois não quer mais?
Não consigo evitar o riso nervoso que sai de mim ao perceber o volume evidente na calça dele. Desvio o olhar rapidamente, mas não consigo resistir e encaro-o. Seus olhos, como fogo, me queimam.
—Eu... te... provoquei? O que eu fiz?
Ele se aproxima ainda mais.
—Você sabe, Rebeca. Esse seu jeito de passar a língua pelos lábios, esses olhares quentes como o inferno que você me lança.
Eu ofego, sabendo que ele está certo. Ele sabe exatamente o efeito que tem sobre mim.