Prólogo/ O início
Sempre soube da minha realidade e aprendi a conviver com ela, sempre olhando de longe.As garotas impecáveis, os saltos, as roupas brilhantes e exuberantes que usavam pra atrair a atenção e os olhares.
Minha mãe era Christine Sampaio, ou melhor, Suzan Hill, a c******a mais rica e poderosa do Morumbi.Dá pra acreditar?
Minha relação com minha mãe sempre foi de muita cumplicidade, afinal sempre fomos apenas nós duas no mundo, eu nunca conheci meu pai e nunca tive essa vontade.Ela sempre fez de tudo pra me ver bem e feliz, era minha melhor amiga.
_Laura, estou indo para a EGO, não fique até tarde nesse computador!E Soraya, querida, pode dormir aqui em casa essa noite.-Disse minha mãe descendo as escadas com seus saltos dourados, eram seus preferidos.
_Ok, mãe, tome cuidado. Amo você._disse o mesmo que dizia todos os dias, há 19 anos, apesar de todo o luxo e seguranças eu me preocupava muito com ela.
_Sua mãe é o poder em pessoa, não me canso de admirar._Disse Soraya com a expressão de boba que ela faz toda vez que a vê.
_Eu acho que é como uma capa que ela usa sabe, pra ser respeitada nesse meio.Nunca se sabe com que tipo de pessoa você vai lidar..._enquanto eu dizia isso meu telefone começou a tocar, era o Vitor.
Estávamos juntos há 3 anos, ele já sabia tudo sobre minha vida...sobre TUDO.E tudo bem, ele adorava minha mãe e ela o tinha como um filho.O Vitor era um amor comigo, tínhamos uma conexão incrível, ele era o meu primeiro namorado e eu não pensava em ficar com mais ninguém, eu estava feliz.
A família dele era muito rica e eles tinham um certo preconceito pela forma que minha mãe conseguiu chegar no mesmo patamar que eles, mas eu não me importava com isso.
_O que vai fazer hoje a noite, amor?_ele perguntou.
_Ver séries e olhar para a cara da Soraya._eu respondi enquanto Soraya me jogava uma almofada no rosto.
_Ah, então tudo bem, mais tarde apareço aí.
_Certo, vou estar aqui.
As horas se passaram e aquele foi um dia normal como qualquer outro, até o momento em que meu telefone tocou.
_Alô.
_Laura!Pelo amor de Deus!Laura, sua mãe!Ela está no hospital!
Não tive a chance de me despedir e nem de desejar que ela fosse em paz, pois quando cheguei no hospital ela já não tinha resistido, não conseguiram salvá-la de um infarto fulminante.
A morte.
Como lidar com ela? Como encarar e fingir aceitar mesmo sabendo que um dia sua vez vai chegar?
Minha mãe se foi, simplesmente se foi, como se fosse uma piada de mau gosto, ainda espero vê-la entrar pela porta da sala com seus saltos dourados e sua maquiagem exagerada.Nao posso dizer que estou bem, um mês já se passou e ainda não sei o que fazer, o rumo que irei tomar.Não vejo o Vitor desde o enterro e sinceramente, talvez seja melhor assim.Soraya tem me dado todo apoio, está comigo todos os dias, mas ainda falta algo.Estou tentando me encontrar de novo.
Com a morte repentina da minha mãe sua boate parou, está fechada por tempo indeterminado e não sei o que fazer com ela. Hoje resolvi ir lá, mexer nas coisas dela, olhar...Ela amava tanto aquilo, todo aquele poder e independência.Mas por quê? Será que era realmente tão bom assim?
_Srta Laura, vim lhe buscar.Fui comunicado que queria ir até a EGO._disse Marcus que agora seria o meu segurança.
_Sim, obrigada Marcus. Já podemos ir._eu disse enquanto me dirigia até o carro, pronta pra decidir o que faria em relação aquele lugar.
Chegando na boate, tudo estava como ela havia deixado em sua sala.Suas fotos, roupas , papéis, era como se ela ainda fosse chegar a qualquer hora.Me sentei em sua cadeira e fiquei observando aquilo tudo até que alguém bateu na porta, pensei que fosse o Marcus e logo pedi que entrasse.
_Boa tarde Srta, vi a boate aberta e passei pra dar um Oi.Eu trabalhava aqui, conheci sua mãe, tinha um coração de ouro.-disse a jovem que tinha aparentemente a mesma idade que eu.
_Ela tinha mesmo, era uma pessoa muito boa.
_A Srta vai comandar a boate agora? Todos que trabalhavam aqui ainda estão sem emprego, uma loucura.
_Eu? Hã...Na verdade não, não penso nessa possibilidade.Eu nunca me envolvi com essas coisas._eu disse confusa com sua pergunta.
_Pois deveria pensar nisso, existe muito preconceito com o que fazemos aqui, mas não deixa de ser um trabalho como qualquer outro.E eu acho que a Suzan não iria querer outra pessoa no lugar dela.Ela amava isso aqui.
_Não sei...Não sei se combino com isso.
_Não precisa combinar, querida.É um trabalho.O que acontece aqui, fica aqui. E quando saímos continuamos sendo as mesmas.
_E qual seu nome?
_Meu nome aqui é América, lá fora, eu sou a Juliana.Mãe de duas crianças, casada.
_Casada? E seu marido aceita isso?_perguntei incrédula.
_Como eu disse, é um trabalho.Nada além disso.Meus filhos precisam de mim e ele não pode trabalhar, está doente.Arrumar um trabalho de carteira assinada está muito difícil.Nem sempre temos opção.Mas eu gosto do que faço, gosto do poder e do luxo que temos aqui._ela disse com tanta verdade que foi impossível não acreditar e refletir.
Após a conversa resolvi voltar pra casa.
Eu gerenciando a EGO? Será que eu conseguiria fazer isso. Nunca havia me imaginado fazendo nada do tipo.Sempre fui uma pessoa muito fechada e na minha, seria algo muito novo e totalmente diferente.
_Você realmente está pensando em gerenciar a boate?-Perguntou Soraya assustada com os meus devaneios.
_E qual seria o problema?O lugar é meu, é muito frequentado, dá muito dinheiro e acho que a Juliana estava certa, minha mãe não iria querer outra pessoa ocupando esse posto.
_É...isso é verdade.Bom, seja lá qual for sua decisão estarei te apoiando._ela se abaixou na minha frente_Mas e o Vítor?
_Nós m*l nos falamos mais Soraya, não tem motivo pra questionar o que ele vai pensar.
_Então se joga Laura, vai continuar o que sua mãe já tinha começado!-disse Soraya dançando na cama e pela primeira vez no dia me tirando uma risada.