O PREÇO DA FAMAUpdated at Apr 19, 2022, 22:13
No Kodak Theatre em Hollywood, a 85ª premiação do Oscar estava prestes a começar.
No luxuoso auditório, em frente ao amplo palco de 40 metros projetado por David Rockwell especialmente para o prêmio da Academia, dois homens ocuparam seus assentos. Naquela noite, a amarga rixa entre eles seria resolvida, para o bem ou para o mal. Seria resolvida na frente de seus colegas de trabalho, os 3 mil filhos e filhas de Hollywood escolhidos e convidados para a cerimônia da noite. Seria resolvida na frente dos 60 milhões de americanos que assistiriam à transmissão em casa, assim como de centenas de milhões de espectadores em todo o mundo. Para um daqueles homens, a noite traria uma vitória tão doce que ele sabia que ainda sentiria seu gosto no leito de morte. Para o outro, traria uma derrota tão catastrófica que nunca se recuperaria dela.
Enquanto a cerimônia se arrastava interminavelmente — Melhor Curta-Metragem, Melhor Trilha Sonora; será que alguém no mundo se importava com essas coisas? —, os dois homens olhavam para a frente, ignorando da mesma forma os sorrisos de boa sorte e as intrusivas câmeras de televisão que constantemente lhes filmavam, querendo captar alguma reação. Decepção.
Esperança.
Humor.
Desespero.
As câmeras não conseguiam nada. Nenhum dos dois chegara ao lugar onde estavam hoje revelando suas emoções. Decerto não de graça.
Finalmente, após quase três longas horas de tortura, o momento chegou. Martin Scorsese estava no palco, um envelope branco nas mãos. Fez um breve discurso ensaiado. Nenhum dos dois homens escutou uma palavra. Atrás do pequeno italiano, uma montagem aparecia na enorme tela, clipes dos filmes mais aclamados pela crítica naquele ano. Para os dois homens, aquilo não era nada além de formas e cores.
Odeio você, pensou um deles.
Espero que apodreça no inferno, pensou o outro.
— E o Oscar de Melhor Filme vai para...
Livros 01 e 02.