Sebastián estava aproveitando cada pedacinho daquela casa e ele nem quis ligar pro fato de nossos pais estarem diferentes ou do nosso irmão ter virado um cachorro.
- Rosa, me traz um copo de suco de abacaxi, por favor. - Falou Sebas para a empregada, enquanto ele tomava banho de piscina.
- Sim, senhor. - A moça de uns 30 anos se retirou.
- Entra Luna, a água está ótima. - Disse meu irmão.
- Não, obrigada. - Cruzei os braços e revirei os olhos.
Pouco depois a tal Rosa voltou trazendo a bebida que meu irmão havia pedido.
- Gostaria de algo, senhorita? - Perguntou.
- Não, obrigada. - Respondi.
Nisso a campainha tocou e Rosa se dirigiu para abrir o portão. Logo avistei Angela entrando, o que me surpreendeu bastante, já que ela nunca tinha ido a nossa casa e nem falava muito conosco. Olhei para Sebas, que demonstrava estar tão surpreso quanto eu.
A garota estava usando um cropped branco de manga curta, uma saia rosa pink bem acima dos joelhos, um casaquinho também rosa pink e uma sapatilha rosa claro, e suas madeixas loiras estavam brilhantes como sempre.
- Oi gata. - O garoto falou ao ao se apoiar na borda da piscina.
- Oi amor.
Angela deu um selinho no meu irmão, me deixando boquiaberta. Será que alguém poderia me explicar que raios estava havendo?
Sebas, assim como eu, não estava entendendo nada do que estava acontecendo. Como a garota apareceria em nossa casa do nada chamando o meu irmão de ‘’amor’’ e beijando-o? Isso não fazia sentido para mim.
- Angela, o que está acontecendo? - Perguntei.
- Do que você está falando, cunhadinha?
- Cunhadinha? Por acaso você e o Sebas estão namorando?
A garota riu como se eu tivesse contado alguma piada, e novamente fiquei sem entender o que estava acontecendo, qual era o motivo da risada?
- Ai, ai Luna, você é tão engraçada, como se você não soubesse que o Sebas e eu estamos juntos.
Oi? Mas como assim? Como isso era possível? Antes de mim e o meu irmão viajarmos para 1957, ele era totalmente invisível para a garota, que era a crush platônica do meu irmão, e agora do nada eles são namorados? De que jeito? Como? Ah, não estava entendendo nada.
- Ah, eu sabia que você não resistiria por muito tempo ao meu charme. - Deu uma jogada de cabelo.
Revirei os olhos ao notar os dois se beijando, estava me dando enjoos. De repente a campainha tocou novamente, Rosa se dirigiu para atender e quando eu vi quem era tive uma enorme surpresa.
- Vovô! - Sorri e corri para abraçá-lo.
Ai, eu estava morrendo de saudade do meu vovozinho Andrés, o meu velhinho preferido, que falta daquelas ruguinhas, aqueles cabelinhos brancos… Ah, por mais que eu tivesse conhecido o meu vovô de 1957, eu ainda sentia falta do meu avô de 2023.
- Para Luna, me solta. - Me empurrou levemente. - O que você está fazendo?
Vovô tinha uma expressão séria, parecia zangado, me assustou um pouco vê-lo daquele jeito, vovô nunca tinha falado daquela forma comigo antes, não era o meu vovô que eu conhecia e tanto amava.
- O que houve? - Perguntei surpresa.
- Você sabe que eu detesto abraços, amassa toda a minha roupa. - Ajeitou sua vestimenta.
Não, o meu avô que eu conhecia adorava abraços e era tão carinhoso, embora tentasse disfarçar isso. Ah, como eu queria a minha antiga família de volta, os meus pais que tinham tempo pra gente, o meu irmãozinho caçula, o meu avô carinhoso, e até preferia a minha casinha simples sem todos esses luxos, queria que as coisas fossem como antes.
(...)
Mais tarde resolvi ir à casa da Stef, estava morrendo de saudade da minha amiga, e queria tanto conversar com alguém. Assim que eu toquei a campainha, a avó da minha amiga atendeu.
- Mercedes? - Sorri ao vê-la.
Por mais que eu já a tivesse visto algumas vezes, dessa vez foi diferente, a estava vendo de outra forma, até porque eu tinha conhecido ela quando jovem e havíamos nos tornado tão amigas.
- Sim. - Esbanjou um terno sorriso. - Desculpa, você é a…?
- Luna. - Falei decepcionada por não se lembrar de mim. - A Stef está?
- Claro, só um momento, vou chamá-la.
A senhora se retirou e eu fiquei aguardando por alguns segundos, logo a minha amiga apareceu, estava linda como sempre, ah, como senti falta dela.
- Luna? - Perguntou surpresa. - O que você faz aqui?
- Ah, vim pra gente conversar um pouco. Você está ocupada? Quer fazer algo?
- Tá se sentindo bem?
- Tô, por quê?
- Desde quando você bate na minha casa agindo como se fôssemos grandes amigas?
- E não somos? - Perguntei desapontada com sua forma de falar.
- Claro que não, nós nem somos da mesma turma, e estamos longe de sermos amigas.
Droga, que raiva! Tudo estava dando errado pra mim, era só o que me faltava, agora além de tudo eu havia perdido a minha melhor amiga, minha confidente, minha irmã de outras vidas, isso não era justo. Por quê? Por que tudo isso tinha que estar acontecendo comigo? Preferia ter ficado pra sempre em 1957, lá as coisas estavam bem melhores, meu avô não era rabugento e eu tinha amigos.
Enquanto olhava para Stef mil pensamentos tomaram conta de mim, e mesmo sem querer, comecei a chorar, eu não queria que nada disso estivesse acontecendo.
- Luna? O que houve? Você está bem? - Tinha uma expressão preocupada.
- Não muito. - Me sentei no degrau da mini escada da casa dela.
- Problemas? - Se sentou ao meu lado.
- Sinto que minha vida virou do avesso do dia pra noite, e pra piorar eu vim pra conversar com uma amiga e nem isso eu tenho mais.
A garota ficou um pouco em silêncio, assim como eu. Eram tantas coisas passando pela minha cabeça, e eu sem entender nada, queria apenas explicações e nem isso eu tinha.
- Bom, se você quiser conversar…
Stef deu um meio sorriso, me fazendo sorrir também, pelo menos ela continuava querida e legal como eu a conhecia.
Acabamos indo para o quarto dela e ficamos conversando um pouco, me doeu ver que ela não lembrava de 1% da nossa amizade que era tão bonita, uma amizade de anos e que era como se nunca tivesse existido. Por que tudo tinha que ser assim?